A VONTADE DO DESTINO

Estando deputado estadual no verão de 1993, eleito pelo PMDB, mas que por estratégia política assumido a presidência do PDC fui para um novo partido o PPR fruto de uma fusão nacional entre PDS e o PDC. Para cumprir o mandato de deputado, decidi renunciar a diretoria do Diário do Pará, jornal que ajudei a fundar junto com meu pai e outros valorosos companheiros. Naquele ano anterior às eleições governamentais de 1994 na pérgola (assim por modismo era chamada uma das dependências) do Iate Clube, me foi apresentado um plano para a disputa de poder que se avizinhava. Dizia-me o propositor que gostaria de pagar uma gratidão: fazer voltar ao governo um político que já havia governado o Pará quando na ditadura militar, onde os gestores estaduais eram nomeados e não eleitos pelo voto direto. Em seus argumentos prevalecia a tese que a união das duas forças da mídia (ele dono da mais forte à época), a união dos dois maiores partidos do momento (PPR e PMDB), e ainda a máquina do governo de instante (PMDB) seria o bastante para uma vitória fácil e com pouquíssimos custos financeiros na campanha eleitoral. Na conversa proposta, sempre demonstrava a importância que para ele seria pagar com isto e com gratidão os benefícios recebidos no passado não muito distante. Mesmo com a experiência de quem havia conseguido transformar um pequeno jornal partidário em um grande grupo de comunicação a vida não concordou com a ideia dele. Meses depois desta conversa sem que tivesse oportunidade de saber o resultado das eleições veio a falecer. O possível candidato que lançaria com toda esta estratégia ao governo, também em alguns meses adiante, assaltado por uma doença repentina sucumbiu e não participou. 1994 chegou e o PPR lançou Jarbas Passarinho ao governo com a vice ficando com o PMDB, mas Almir Gabriel, do PSDB venceu as eleições. Ali iniciou o governo tucano por longos anos. Não prevaleceu a vontade política. O destino foi muito mais forte.

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