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Pero Vaz de Caminha

POLÍTICA OU BLOCO NA RUA?

Aparentemente, as campanhas eleitorais podem estar perdendo, aos poucos, o uso natural da seriedade que uma candidatura requer. Não se trata de defender uma campanha sisuda, sem alegria ou sem entusiasmo. Mas há uma diferença entre conquistar o eleitor com simpatia e transformar a disputa eleitoral em um espetáculo de rua. Basta observar algumas passeatas e carreatas. De longe, já não se sabe muito bem se estamos diante de uma manifestação política ou de um desfile de bloco carnavalesco. A comissão de frente parece ensaiar passos de rock doido, enquanto os carros de som cumprem seu papel de trilha sonora. E, naturalmente, não poderia faltar o tradicional carro alegórico — agora motorizado, colorido e, às vezes, carregando mais animação do que propostas.  No meio do cortejo, as alas se movimentam.

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PIRÃO PERDE APOIO EM BRAGANÇA

As circunstâncias da política, sobretudo em período eleitoral, costumam produzir mudanças de rumo — e, às vezes, verdadeiros retornos ao passado. Em Bragança, o vereador Dr. Jonas Rodrigues (MDB), até então identificado com o apoio à reeleição do deputado estadual Zeca Pirão (MDB), passou a participar da campanha do ex-prefeito Raimundão (MDB), agora também candidato a deputado estadual. Os motivos da mudança não foram esclarecidos. Fica, porém, uma pergunta no ar: seria apenas uma nova escolha política ou um retorno a antigas alianças? O curioso é que, há pouco tempo, o próprio vereador promoveu, na Câmara Municipal de Bragança, uma honraria ao deputado Zeca Pirão. A política, como se vê, tem dessas ironias: hoje se entrega a homenagem; amanhã, muda-se o palanque. No fim, talvez a única coisa permanente na

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CONVERSA AGRADÁVEL

No point mais tradicional da cidade de Bragança, o Benquerença, na Pérola do Caeté, a conversa corria solta quando o ex-deputado Joércio Barbalho foi abordado por um antigo correligionário: — Deputado, o senhor não vai participar das eleições deste ano? A resposta veio rápida, sem rodeios: — Claro que sim. Veja bem: não sou mais obrigado a votar, mas vou votar para cumprir o meu dever de cidadão. A frase encerrou a dúvida e abriu espaço para o gesto que dispensa discursos. Os dois se abraçaram efusivamente, como quem celebra não apenas a política, mas também os velhos laços de amizade e companheirismo.

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CAMPANHAS DA MÍDIA

Na política brasileira, a história já mostrou mais de uma vez a força de uma manchete. Grandes líderes foram lançados ao centro de campanhas midiáticas intensas, cercados por denúncias de corrupção que, em alguns casos, pareciam carregar consigo uma sentença antes mesmo que os fatos fossem devidamente esclarecidos. Alguns caíram. Outros passaram anos tentando provar que aquilo que havia sido apresentado ao público como verdade não correspondia à realidade. E há uma ironia dolorosa nesse processo: quando uma acusação ocupa páginas de jornais, abre telejornais e domina as conversas, ela ganha uma dimensão gigantesca. Quando vem a correção, a absolvição ou a descoberta de que a denúncia não se sustentava, a notícia muitas vezes chega silenciosa, quase pedindo licença. É como se a política tivesse duas velocidades: a velocidade da

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PERDA OU ABANDONO?

Pesquisa vai, pesquisa vem, e a política tem dessas ironias: o que ontem parecia voto certo, hoje já pode estar procurando outro endereço. Lena Pinto aparece no tabuleiro eleitoral, na última pesquisa Doxa como a única que seria eleita pela coligação União/PP para deputada federal. Mas a pergunta que começa a circular em Bragança é outra: e aqueles votos prometidos, ainda estão de pé? Ou o apoio que parecia firme foi, aos poucos, tomando outro rumo? Na política, ninguém costuma anunciar o abandono na praça. Primeiro desaparece o telefonema, depois o abraço, depois a fotografia. Quando se percebe, o apoio já virou silêncio. Se os votos de Bragança realmente estão mudando de mãos, só as urnas dirão. Mas a pergunta fica no ar, entre uma conversa e outra: Lena perdeu

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O USO DAS CARAPUÇAS

Ao perceber um reencontro, não pude deixar de pensar que ninguém é tão inimigo que, amanhã, não possa se tornar amigo. O inverso também é verdadeiro: há amizades que o tempo, os interesses e as circunstâncias transformam em inimizades. Afinal, assim caminha a humanidade, entre afetos, conveniências e mudanças de lado. Mas há reencontros que despertam mais desconfiança do que surpresa. Quando antigos adversários reaparecem lado a lado, sorridentes e aparentemente reconciliados, é inevitável perguntar: foi o coração que mudou ou apenas o interesse que mudou de endereço? Na política, sobretudo, as alianças parecem ter memória curta. O que ontem era ofensa, hoje pode virar aperto de mão; o que antes era acusação, amanhã pode ser chamado de parceria. E, nos bastidores, os conchavos pelo poder seguem seu curso, silenciosos,

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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