NOTÁVEIS DIFERENÇAS
Há uma diferença silenciosa — e profunda — entre admiração e bajulação. A primeira nasce do reconhecimento legítimo; a segunda, do interesse disfarçado. O bom gestor público entende isso sem precisar de discursos: ele não governa para aplausos fáceis, nem mede sua eficiência pelo número de elogios que recebe nos corredores. Quem administra com seriedade sabe que a crítica honesta vale mais que o elogio vazio. Sabe também que cercar-se de vozes submissas é o caminho mais curto para decisões equivocadas. A bajulação não orienta — ela distorce. O bom político, por sua vez, não precisa de sabujices. Precisa de consciência, responsabilidade e coragem para ouvir o que incomoda. Porque, no fim, não é a reverência que sustenta um mandato, mas a confiança construída com trabalho real. Admiração se conquista.