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Pero Vaz de Caminha

CONVERSA AGRADÁVEL

No point mais tradicional da cidade de Bragança, o Benquerença, na Pérola do Caeté, a conversa corria solta quando o ex-deputado Joércio Barbalho foi abordado por um antigo correligionário: — Deputado, o senhor não vai participar das eleições deste ano? A resposta veio rápida, sem rodeios: — Claro que sim. Veja bem: não sou mais obrigado a votar, mas vou votar para cumprir o meu dever de cidadão. A frase encerrou a dúvida e abriu espaço para o gesto que dispensa discursos. Os dois se abraçaram efusivamente, como quem celebra não apenas a política, mas também os velhos laços de amizade e companheirismo.

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CAMPANHAS DA MÍDIA

Na política brasileira, a história já mostrou mais de uma vez a força de uma manchete. Grandes líderes foram lançados ao centro de campanhas midiáticas intensas, cercados por denúncias de corrupção que, em alguns casos, pareciam carregar consigo uma sentença antes mesmo que os fatos fossem devidamente esclarecidos. Alguns caíram. Outros passaram anos tentando provar que aquilo que havia sido apresentado ao público como verdade não correspondia à realidade. E há uma ironia dolorosa nesse processo: quando uma acusação ocupa páginas de jornais, abre telejornais e domina as conversas, ela ganha uma dimensão gigantesca. Quando vem a correção, a absolvição ou a descoberta de que a denúncia não se sustentava, a notícia muitas vezes chega silenciosa, quase pedindo licença. É como se a política tivesse duas velocidades: a velocidade da

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PERDA OU ABANDONO?

Pesquisa vai, pesquisa vem, e a política tem dessas ironias: o que ontem parecia voto certo, hoje já pode estar procurando outro endereço. Lena Pinto aparece no tabuleiro eleitoral, na última pesquisa Doxa como a única que seria eleita pela coligação União/PP para deputada federal. Mas a pergunta que começa a circular em Bragança é outra: e aqueles votos prometidos, ainda estão de pé? Ou o apoio que parecia firme foi, aos poucos, tomando outro rumo? Na política, ninguém costuma anunciar o abandono na praça. Primeiro desaparece o telefonema, depois o abraço, depois a fotografia. Quando se percebe, o apoio já virou silêncio. Se os votos de Bragança realmente estão mudando de mãos, só as urnas dirão. Mas a pergunta fica no ar, entre uma conversa e outra: Lena perdeu

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O USO DAS CARAPUÇAS

Ao perceber um reencontro, não pude deixar de pensar que ninguém é tão inimigo que, amanhã, não possa se tornar amigo. O inverso também é verdadeiro: há amizades que o tempo, os interesses e as circunstâncias transformam em inimizades. Afinal, assim caminha a humanidade, entre afetos, conveniências e mudanças de lado. Mas há reencontros que despertam mais desconfiança do que surpresa. Quando antigos adversários reaparecem lado a lado, sorridentes e aparentemente reconciliados, é inevitável perguntar: foi o coração que mudou ou apenas o interesse que mudou de endereço? Na política, sobretudo, as alianças parecem ter memória curta. O que ontem era ofensa, hoje pode virar aperto de mão; o que antes era acusação, amanhã pode ser chamado de parceria. E, nos bastidores, os conchavos pelo poder seguem seu curso, silenciosos,

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AUSÊNCIA NOTADA

A carreata da oposição ao governo estadual, em Bragança, passou sem grandes novidades. Tudo dentro do roteiro que já se esperava: bandeiras, buzinas e três discursos em tons diferentes. Um falou em mudanças. Outro repetiu as ofensas de sempre, já conhecidas do público. O terceiro apresentou a velha equação de que, para um bom governo no Pará, é preciso também um senador forte. No fim, talvez o que mais tenha despertado curiosidade não tenha vindo dos discursos, mas de uma ausência: a do vereador Gleidson Miranda (PT). Em política, às vezes, quem não aparece também acaba fazendo parte da crônica.

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O FEDOR PERMANECE

Por onde estariam as autoridades competentes para encontrar uma solução daquilo que prejudica grande parte da população bragantina no nordeste do Pará? Por diversas vezes as reclamações e nenhuma vez a posição tomada. Principalmente no trecho da estrada que liga a sede do município até à vila do Bacuriteua. A fedentina é insuportável. Caminhões que transportam peixes vão deixando pelo leito da rodovia, água podre de restos dos pescados. Ela naturalmente corre para o pouco de acostamento que existe, indo para as valas, provocando um grande fedor que exala por toda a região.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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