SEM ÓDIO
O ódio na política é um erro que se fantasia de coragem. Há quem confunda grito com firmeza, ofensa com argumento, inimigo com adversário. E assim, pouco a pouco, a praça pública vira ringue, e o debate vira duelo. Na ânsia de destruir o outro, esquece-se de construir algo para todos. O ódio cega, simplifica, empobrece. Ele transforma divergências legítimas em guerras pessoais e faz da diferença um defeito moral. No fim, ninguém vence — perde a cidade, perde o mandato, perde a democracia. Política é confronto de ideias, não de ódios. O eleitor pode até aplaudir o discurso inflamado por um instante, mas é a serenidade que sustenta pontes. E sem pontes, resta apenas o abismo — e nele não há projeto que sobreviva.