ANTIGA SOFRÊNCIA
Por muito tempo dividiram o mesmo palanque, o mesmo riso ensaiado e até o silêncio cúmplice das decisões difíceis. Parceiros — daqueles que se reconheciam no olhar, que discordavam em voz baixa e concordavam em público e em voz alta. Hoje vestem-se de convicções rígidas, trocam farpas como quem troca cumprimentos antigos, e parecem esquecer — ou fingem esquecer — que já foram até comparsas em várias oportunidades. Talvez nunca tenham deixado de ser semelhantes. Apenas descobriram que, era mais útil ser adversário do que aliado. Seguem disfarçadamente, como possíveis eternos litigantes, sustentando embates que, no fundo, ainda carregam ecos de antigas parcerias.