
UM ABSURDO MISTURADO COM ABUSO
Há um ruído estranho no ar. Não vem das interferências atmosféricas nem do chiado dos transmissores antigos. Vem de dentro. Dos estúdios alugados, das grades vendidas em fatias, dos microfones transformados em balcões de negócios. A terceirização de horários em emissoras de rádio e televisão, prática que nasceu sob o argumento da sobrevivência financeira, acabou abrindo espaço para algo muito maior — e muito mais perigoso. Criaram-se verdadeiras escuderias de oportunistas. Grupos que compram horários como quem aluga um ponto comercial em avenida movimentada. Entram no ar revestidos de autoridade moral, falando em defesa da família, da ordem, da justiça e da sociedade. Mas, por trás do discurso inflamado e da trilha sonora dramática, muitas vezes se esconde um mecanismo perverso: o uso da comunicação como ferramenta de intimidação, chantagem




