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Pero Vaz de Caminha

FUTEBOL NÃO PRECISA DE INTIMIDAÇÕES

Houve um tempo em que a malandragem do futebol era feita com inteligência. Morava no drible inesperado, na finta desconcertante, no chapéu bem aplicado, na caneta que arrancava gargalhadas da arquibancada. O autor da arte sorria, o driblado se envergonhava por alguns instantes e o jogo seguia seu curso. A provocação era a beleza do lance, não a violência. Hoje, em muitos campos, a cena parece invertida. Gestos de intimidação, ofensas e faltas desleais são comemorados como se fossem demonstrações de coragem. O aplauso, que antes premiava a criatividade, agora muitas vezes recompensa o excesso. O futebol sempre foi feito de emoção e rivalidade, mas sua grandeza nasceu do talento, não da agressividade. A verdadeira malandragem era aquela que deixava o adversário perdido sem machucá-lo, que fazia a torcida levantar

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Pero Vaz de Caminha

CAPACIDADE DE CONVERSAR

Houve um tempo em que se dizia, em tom de ironia, que para vencer uma eleição valia até fazer uma aliança “com Deus e com o diabo”. A frase, figurativa, retratava a disposição de superar diferenças em nome de um objetivo maior: conquistar o poder. Hoje, porém, o cenário parece outro. As pontes foram substituídas por trincheiras. O diálogo perdeu espaço para o confronto, e a política passou a se parecer mais com um campo de batalha do que com uma mesa de negociações. Entre os extremos da esquerda e da direita, o entendimento tornou-se raro. Cada lado enxerga o outro como inimigo, não como adversário. E quando a política assume o espírito de guerra, quem mais perde é a sociedade, que fica à espera de soluções enquanto assiste ao

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GARIMPANDO VOTOS

No nordeste do Pará, o calendário parece seguir um ritmo próprio. Enquanto a Copa do Mundo prendia a atenção dos torcedores, a política aguardava o apito final. Bastou o Brasil ser eliminado para que outro campeonato comece: a corrida pelos votos. Não é por acaso. A região abriga um dos maiores colégios eleitorais do estado, reunindo quase 50 municípios. De repente, estradas ganham mais movimento, agendas ficam lotadas e candidatos surgem em festas, feiras, comunidades e reuniões, todos em busca de espaço e da confiança do eleitor. É o período em que apertos de mão se multiplicam, promessas voltam ao discurso e o nordeste paraense se transforma no centro das atenções. Afinal, quem deseja vencer nas urnas sabe que, por essas bandas, cada voto pode fazer a diferença.

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CORAÇÃO CONTINUA ACELERADO

Mal o apito final decretou a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, e o país já encontrou um novo campeonato para acompanhar: as eleições de 2026. A bola saiu de cena, mas os dribles continuam — agora nos discursos, nas pesquisas e nas redes sociais. Embora as convenções partidárias só comecem oficialmente a partir de 20 de julho, os candidatos já aquecem, os marqueteiros entram em campo e as promessas fazem seu tradicional treino de resistência. No Brasil, a temporada muda, mas o espetáculo nunca termina. Acaba a Copa, começa a corrida pelo voto. E, como sempre, a torcida é convocada para acreditar que, desta vez, o time foi bem escalado.

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MUDANÇAS EM BRAGANÇA

Antes das convenções e dos discursos mais acalorados, a política vai revelando seus movimentos naturais. Em Bragança, no nordeste paraense, o tabuleiro começa a ganhar novos contornos. Pela ordem das circunstâncias, o vereador João Paulo (PP) passa a integrar o grupo de apoio à reeleição do deputado estadual Victor Dias (União). O parlamentar já contava com o respaldo da vereadora Irene Farias (MDB) e do ex-vereador Jorge Luiz, atual coordenador regional da Sectec. Assim, as alianças vão sendo consolidadas e o cenário eleitoral começa a tomar forma, mostrando que, na política, as articulações costumam falar antes mesmo do período oficial de campanha.

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BRAVATAS NÃO CABEM EM ESTADISTAS

Há líderes que confundem firmeza com barulho. Enchem discursos de bravatas, como se palavras duras fossem capazes de esconder inseguranças ou resolver conflitos. Mas o mundo já aprendeu, muitas vezes da forma mais dolorosa, que coragem não mora no excesso de ameaças. Bravatas não cabem em qualquer lugar do mundo. Onde há responsabilidade, elas soam como fraqueza disfarçada de autoridade. Quem realmente lidera inspira confiança, constrói pontes e escolhe a prudência antes do espetáculo. No fim, a história costuma dar mais valor à serenidade do que ao grito.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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