ENCOBRINDO

Para algumas figuras da política é necessário lembrar Stendhal. A frase exata atribuída ao escritor francês Stendhal – “a palavra foi dada ao homem para esconder o seu pensamento“ Em um contexto de hipocrisia social ou política, as palavras bonitas são frequentemente usadas para disfarçar intenções maliciosas ou a realidade dos fatos. Normalmente alguns discursos obedecem a profundidade do texto elaborado pelo autor.

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NEUTRALIDADE

Para alguns apenas uma questão de hermenêutica política ou apenas partidária. Em época não muito distante o PSDB, era considerado um partido em ‘em cima do muro’. De um tempo pra cá, o MDB tem tido comportamento semelhante em várias eleições presidenciais no Brasil. A última vez que o partido teve candidatura própria à Presidência do Brasil foi nas eleições de 2022, com Simone Tebet, que oficializou sua candidatura e ficou em terceiro lugar. Anteriormente, foi lançado Ulysses Guimarães, na eleição de 1989, a primeira após a redemocratização. Para as próximas eleições já há um movimento para ‘neutralidade’.

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CONTRA A INDOLÊNCIA

“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” é o verso mais famoso da música “- ‘Pra não dizer que não Falei das Flores’, de Geraldo Vandré, lançada em 1968. Tornou-se um hino de resistência, no entanto  até os dias de hoje uma lição, que continua incentivando a ação, a iniciativa e a não apenas a passividade ou uma simples espera, aguardando que algo  de positivo aconteça.

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ALERTANDO SEMPRE

A frase de Joseph Pulitzer atravessa o tempo como um aviso pregado na porta da história. Quando ele diz que uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público igualmente vil, não está apenas acusando os jornais de seu tempo. Está descrevendo um espelho. A imprensa que troca a verdade pela conveniência ensina o leitor a fazer o mesmo. A manchete exagerada educa para o exagero. A mentira repetida vira método. E o espetáculo substitui o fato. Com o tempo, o público passa a consumir indignação como quem compra pão fresco. Aprende a desconfiar de tudo, menos daquilo que confirma suas próprias paixões. E assim se fecha o ciclo: imprensa e sociedade, de mãos dadas, descendo o mesmo degrau moral. Pulitzer não falava só da imprensa. Falava de responsabilidade.

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SEM BATINA

Antigamente, bastava a batina para anunciar a autoridade do sacerdote. Ela vinha antes da palavra, antes do sermão, antes mesmo da bênção. Sem ela, era apenas mais um homem na praça, tentando convencer pelo discurso aquilo que antes impunha pela veste. Na política é parecido. O mandato funciona como a batina moderna: dá visibilidade, abre portas, multiplica cumprimentos e sorrisos. Com ele, o telefone toca. Sem ele, o silêncio ensina quem eram os amigos e quem eram apenas fiéis do cargo. Político sem mandato descobre, de repente, que precisa voltar a olhar nos olhos, reaprender a ouvir e, principalmente, a caminhar sem cortejo. Alguns aproveitam para refletir. Outros passam quatro anos tentando vestir novamente a “batina” do poder. Porque, no fundo, a vocação verdadeira não depende da roupa — mas

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SEM ÓDIO

O ódio na política é um erro que se fantasia de coragem. Há quem confunda grito com firmeza, ofensa com argumento, inimigo com adversário. E assim, pouco a pouco, a praça pública vira ringue, e o debate vira duelo. Na ânsia de destruir o outro, esquece-se de construir algo para todos. O ódio cega, simplifica, empobrece. Ele transforma divergências legítimas em guerras pessoais e faz da diferença um defeito moral. No fim, ninguém vence — perde a cidade, perde o mandato, perde a democracia. Política é confronto de ideias, não de ódios. O eleitor pode até aplaudir o discurso inflamado por um instante, mas é a serenidade que sustenta pontes. E sem pontes, resta apenas o abismo — e nele não há projeto que sobreviva.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

Joseph Pulitzer

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