
O ‘DÚBIO’ E O PASSADO QUE NÃO PASSA
Logo após construir um golpe que, a princípio, parecia ser anunciado como uma ponte para o futuro, o governo de Michel Temer começou a revelar as contradições de seu próprio discurso. Em maio de 2016, logo no início de sua gestão, extinguiu o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, sinalizando que determinadas pautas, embora indispensáveis à construção de uma sociedade democrática, poderiam ser rebaixadas à condição de despesas dispensáveis na reorganização do Estado. A política brasileira tem dessas ironias: vende-se o amanhã com as palavras de ordem da modernização, da responsabilidade e da governabilidade, mas, quando as portas do poder se abrem, são os compromissos sociais que frequentemente ficam do lado de fora. A promessa de futuro, nesse caso, parecia atravessar uma ponte cujos primeiros passos




