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Pero Vaz de Caminha

POR QUE SER PRESIDENTE?

O que teria estimulado três candidaturas à Presidência? Há momentos em que a política brasileira parece uma espécie de feira de vaidades, onde cada barraca oferece ao eleitor uma explicação diferente para o mesmo fenômeno: a vontade quase irresistível de chegar ao Palácio do Planalto. É difícil não perguntar o que teria estimulado algumas candidaturas presidenciais que, olhando de fora, parecem desafiar a lógica eleitoral. Ronaldo Caiado deixou o governo de Goiás para entrar na corrida nacional. Romeu Zema, depois de comandar Minas Gerais, também decidiu trocar o conforto relativo de um governo estadual pela imprevisibilidade de uma eleição presidencial. E aparece ainda Augusto Cury, conhecido por seus livros de desenvolvimento pessoal e por ter construído uma enorme fortuna com sua atividade de vendedor. A pergunta, portanto, não é apenas

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ENFRAQUECENDO AS INSTITUIÇÕES

Há momentos em que a democracia começa a ser atacada não nas ruas, mas nas palavras. Antes de questionar uma eleição, um tribunal ou o Congresso, os movimentos antidemocráticos costumam questionar a própria confiança das pessoas nessas instituições. A estratégia é antiga: transformar o que deveria ser espaço de debate em sinônimo de corrupção, incompetência ou inutilidade. Aos poucos, a crítica legítima dá lugar ao descrédito generalizado. E, quando ninguém mais confia nas regras, fica mais fácil defender soluções autoritárias como se fossem a única saída. As instituições públicas não são perfeitas. Podem e devem ser criticadas, fiscalizadas e aperfeiçoadas. Mas democracia não significa acreditar cegamente nelas; significa reconhecer que conflitos e diferenças precisam encontrar caminhos dentro das regras. Desqualificar as instituições sem propor sua melhoria é, muitas vezes, preparar

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LIDERANÇA É CONSTRUÍDA

Há quem nasça cercado de nomes importantes, de histórias de família e de portas que parecem se abrir com facilidade. Mas liderança é outra coisa. Não se recebe como herança, nem passa de uma geração para outra como um sobrenome. Liderança se conquista no caminho, nas escolhas e, principalmente, nas atitudes. É quando as palavras deixam de ser apenas promessas e se transformam em ações; quando as propostas saem do papel e começam a produzir mudanças. Por isso, havemos de concordar com quem afirma que liderança não se herda: adquire-se. E ela se fortalece quando existe coerência entre o que se diz e o que se faz. Afinal, liderar não é estar à frente porque alguém nos colocou ali. É conseguir que outros reconheçam, nas nossas ações, razões para caminhar

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MEMÓRIA DE OPOSIÇÃO

Há momentos em que a política parece uma comédia escrita às pressas. O palanque está montado, a multidão espera, os discursos prometem entusiasmo — e, de repente, surge a pergunta que ninguém esperava: porque esqueceu de citar o nome do candidato que possivelmente apoia. É apenas um detalhe, diriam os mais otimistas. Talvez. Mas há detalhes que entram em cena justamente para roubar a cena. Porque apoiar alguém que não lembra, em pleno palanque, é uma dessas situações em que a memória resolve fazer oposição à retórica. No fim, fica aquela velha dúvida: é apoio político ou apenas presença confirmada no evento?

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APRENDENDO COM A EXPERIÊNCIA

Há quem aprenda com a experiência. E há quem, diante dela, prefira correr. O primeiro percebeu a armadilha. Não fez alarde, não derrubou a mesa, não saiu gritando pelas portas. Apenas olhou com atenção, entendeu o mecanismo e contornou o obstáculo. Talvez tenha sido a experiência que lhe ensinou a desconfiar das aparências. Ou simplesmente o tempo, esse professor que cobra caro, mas raramente deixa de ensinar alguma coisa. O segundo também percebeu. Só que chegou a uma conclusão diferente: aquilo não era um espetáculo para ser assistido apenas com os parceiros de sempre. Havia outros atores, outros interesses, outros roteiros. E quando percebeu que poderia acabar representando um papel que não escolhera, preferiu a saída mais antiga e eficiente da humanidade diante do perigo: fugir. Não há grande novidade

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Pero Vaz de Caminha

PENSANDO NA OUTRA

Mal terminou uma eleição e, nos bastidores, outra já começa a ser desenhada. As municipais de 2028 ainda parecem distantes, mas as conversas, os acenos e, principalmente, as promessas de apoio já começam a aparecer. Na política, o calendário oficial nem sempre acompanha o calendário das articulações. O apoio de hoje pode carregar a promessa de retribuição amanhã. Um gesto agora pode valer uma aliança daqui a dois anos. Pode parecer exagero dizer que, logo após o resultado desta eleição, já estarão em andamento as negociações para 2028. Mas quem acompanha a política sabe: enquanto o eleitor ainda comemora ou lamenta o resultado das urnas, nos bastidores muitos já começam a pensar na próxima disputa. A eleição termina. A política, não.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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