QUANDO O BRASIL COMEÇA
Dizem que, quando termina o Carnaval, começa o Brasil. Como se o país fosse um aluno distraído que só tira o caderno da mochila depois do último bloco passar. Durante dias, tudo é brilho, samba e promessa de que “depois a gente resolve”. A fila do banco espera, o buraco na rua ganha confete e a política entra no modo fantasia: todo mundo sorrindo, abraçando, jurando amor eterno ao povo. Mas a quarta-feira chega, implacável. O glitter resiste na orelha, o boleto não perdoa e a realidade bate à porta sem bateria nem mestre-sala. É aí que o Brasil, enfim, começa — ou recomeça — com seus velhos desafios, suas novas desculpas e aquela esperança teimosa de que, neste ano, a folia não seja maior que a responsabilidade. Porque o