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Pero Vaz de Caminha

SUJANDO O ALGORITMO NA INTERNET

Houve um tempo em que se falava dos “penas de aluguel”. Eram jornalistas ou escritores que, por um bom pagamento, defendiam qualquer causa, desde que o cachê chegasse antes da inspiração. As penas sumiram, os tinteiros viraram peças de museu, mas o aluguel… esse atravessou os séculos. Hoje, a pena foi substituída pelo teclado, o tinteiro pelo Wi-Fi e o aluguel pelo pix do patrocinador. Os antigos “penas de aluguel” ganharam nomes mais modernos: influencers de ocasião, fábricas de fake news e especialistas em transformar opinião em produto de prateleira. Mudou a embalagem, mas a mercadoria continua parecida. No meio desse desfile digital, há também os ghostwriters. Diferentemente dos vendedores de fumaça, esses fantasmas trabalham em silêncio, escrevendo discursos, livros e artigos para quem prefere aparecer sem enfrentar a folha

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Pero Vaz de Caminha

NOVA PARCERIA EM BRAGANÇA

Na Pérola do Caeté, o tabuleiro político segue ganhando novos contornos. Mais uma parceria eleitoral entra em cena em Bragança: o deputado estadual Renato Oliveira (Avante), que busca a reeleição, e o ex-prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro (Republicanos), pré-candidato a deputado federal, agora caminham lado a lado. A primeira demonstração pública dessa aliança está marcada para esta quarta-feira (29), na Vila Sinhá. O encontro promete reunir apoiadores e marcar o início de uma nova etapa dessa dobradinha, que chega para movimentar os bastidores e o cenário eleitoral bragantino.

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Pero Vaz de Caminha

PALCO ILUMINADO

Houve um tempo em que convenção partidária fazia jus ao nome. Era o palco onde aspirantes disputavam, no discurso e na articulação, o direito de representar o partido nas urnas. Convencer era a palavra de ordem. Hoje, a cena mudou. Quando as bandeiras são erguidas e os aplausos começam, quase tudo já está decidido. Os candidatos foram escolhidos antes, em reuniões reservadas, longe dos holofotes. A convenção tornou-se o ato de homologar o que já nasceu pronto. Resta a festa. Palanque cheio, militância animada, discursos inflamados e fotos calculadas para mostrar força. O objetivo já não é convencer os próprios correligionários, mas transmitir ao eleitor a imagem de um partido unido, robusto e capaz de mobilizar multidões. É uma demonstração de musculatura política. No fim, a convenção deixou de ser

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Pero Vaz de Caminha

DENÚNCIAS EM PENDRIVE

Houve um tempo em que escândalos tinham peso. Literalmente. Eram carregados em pastas de papelão, abarrotadas de documentos, fotografias, recortes de jornais e anotações. O denunciante chegava solene, debaixo do braço, trazendo o objeto que prometia mudar os rumos da política. A imagem da pasta fechada despertava curiosidade; aberta, causava arrepios. Quem viveu aqueles anos certamente se recorda da famosa pasta cor-de-rosa do senador Antônio Carlos Magalhães, que ganhou notoriedade por reunir documentos contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. A cor chamava atenção, mas era o conteúdo que alimentava manchetes, debates e especulações. A pasta virou personagem da política brasileira. Naquela época, parecia que a gravidade de uma denúncia podia ser medida pela espessura do volume. Quanto mais recheada a pasta, maior a expectativa. Era quase um ritual: abrir os

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O FANTASMA QUE ASSUSTA O TRUMP

Durante décadas, bastava pronunciar a palavra “comunismo” para que governos, estrategistas e potências internacionais justificassem alianças, intervenções e disputas por influência na América Latina. Era o tempo da Guerra Fria, quando a ideologia parecia explicar todos os movimentos do tabuleiro geopolítico. O mundo, porém, mudou. O muro caiu, a União Soviética desapareceu e a economia global passou a girar em torno de novos interesses. Mesmo assim, o velho fantasma ainda é convocado ao debate, como se o calendário tivesse parado no século passado. Há analistas da política internacional que sustentam que o comunismo, hoje, funciona mais como um discurso mobilizador do que como a verdadeira razão das disputas. O centro da questão estaria em outro lugar: na transformação da economia mundial e na redistribuição do poder econômico. Nesse cenário, a

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Pero Vaz de Caminha

CAPAS QUE ENGANAM

Há quem atravesse a vida vestindo capas. Uma para parecer honesto, outra para parecer justo, outra ainda para convencer os distraídos de que é sempre a vítima da história. O tinhoso esperto sabe representar como poucos. Chora quando convém, acusa quando precisa e esconde, com habilidade, as próprias manobras. Mas o tempo tem um costume implacável: derruba disfarces. As capas vão caindo uma a uma, e a nudez da verdade revela aquilo que sempre esteve escondido. Onde muitos enxergavam seriedade, existia apenas encenação. Onde parecia haver caráter, havia somente conveniência. No fim, a verdade não precisa correr; ela apenas espera. E, como ensina o velho ditado, quem tem rabo de palha não atiça — nem passa perto do fogo.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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