
PALCO ILUMINADO
Houve um tempo em que convenção partidária fazia jus ao nome. Era o palco onde aspirantes disputavam, no discurso e na articulação, o direito de representar o partido nas urnas. Convencer era a palavra de ordem. Hoje, a cena mudou. Quando as bandeiras são erguidas e os aplausos começam, quase tudo já está decidido. Os candidatos foram escolhidos antes, em reuniões reservadas, longe dos holofotes. A convenção tornou-se o ato de homologar o que já nasceu pronto. Resta a festa. Palanque cheio, militância animada, discursos inflamados e fotos calculadas para mostrar força. O objetivo já não é convencer os próprios correligionários, mas transmitir ao eleitor a imagem de um partido unido, robusto e capaz de mobilizar multidões. É uma demonstração de musculatura política. No fim, a convenção deixou de ser




