SEM REALIDADE

Dizem que o parlamento é o espelho da sociedade. Se for verdade, talvez o Brasil precise urgentemente trocar de vidro — ou aceitar que a imagem refletida nunca foi exatamente a que gostaríamos de ver. Porque ali, no plenário, o país aparece inteiro: o barulho, as certezas frágeis, os debates que começam nobres e terminam em torcidas organizadas. A pressa em apontar culpados e a lentidão em assumir responsabilidades. A convicção fácil, a memória curta, o improviso como método. O jeitinho que resolve, o orgulho que atrapalha, o interesse que sempre acha um modo de se nomear “bem comum”. Mas também há no reflexo aquilo que a gente teima em esquecer: a diversidade barulhenta, as histórias que não se repetem, a coragem de alguns poucos, a teimosia de outros tantos,

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OPORTUNISTAS DO PERÍODO

As más companhias no período eleitoral são como sombras que só aparecem quando a luz do poder acende. De repente, surgem amigos que nunca existiram, aliados que brotam do chão e conselheiros que sabem tudo — menos quem você realmente é. Eles batem nas costas, apertam a mão, elogiam com entusiasmo ensaiado. Querem proximidade, mas não compromisso; parceria, mas não responsabilidade. No fundo, são como passageiros oportunistas que só sobem no ônibus quando ele parece cheio de chances e descem no primeiro solavanco. No período eleitoral, eles se multiplicam, rondam, sussurram, oferecem atalhos. Mas basta o resultado sair para que desapareçam tão rápido quanto chegaram — deixando apenas o silêncio e a certeza de que companhia boa, mesmo, não muda com o calendário.

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EMOÇÕES MUDAM

Ter opiniões é o mais importante. Alguns se chamam de escribas, para disfarçar a falta de humildade, mesmo sem saber o que seja e o que signifique a palavra. Como escribas eram interpretadores das leis hebraicas eu prefiro ser apenas alguém que apenas escreve. Aos que pensam que um homem público perde a sua estatura por decisões tomadas, enganam-se. Estes podem conseguir recuperação,  em razão de mudanças no futuro. E com certezas as opiniões também mudam. Só a história pode julgar um homem público, quando os adversários, os interesses e as emoções também já se despediram. Estrategicamente pode dar certo dividir um grupo, dando a um, privilégios, e tirando-os de outro. Isto é momentâneo. Apenas uma vitória circunstancial. O perigo é quando o divisor não puder dar mais do que

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ESTORVADO

A gente passa metade da vida achando que paciência é virtude — e é mesmo, até o ponto em que deixa de ser. Porque tem hora que o mundo dá sinais claros, quase escreve em letras garrafais: “você não precisa mais aturar isso”. Mas a gente insiste, como quem segura porta emperrada esperando que ela vire passagem. Até que um dia cansa. E nesse dia, curiosamente, nada explode. Não tem grito, não tem drama. Só um silêncio decidido, a descoberta simples de que suportar o incômodo não é prova de força, mas de atraso. E então a gente levanta, ajeita a própria dignidade no lugar certo e segue. No fundo, era só isso: perceber que o peso nunca foi obrigatório — foi hábito. E hábito, quando estorva, merece aposentadoria.

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A MESMICE DO MESMO

Nas conversas que esquentam as eleições brasileiras de 2026, o país parece uma sala cheia de vozes, cada uma puxando um fio diferente de preocupação — e todas, de algum modo, interligadas. Há quem fale do bolso, porque o preço do feijão continua sendo tão político quanto qualquer discurso de palanque. A economia vira personagem: ora tímida, ora cheia de promessas, sempre exigindo explicações. No fundo, o eleitor quer saber se o amanhã vai caber no orçamento. Logo ao lado, outro grupo discute segurança pública. Uns defendem mais estrutura, outros mais inteligência, muitos apenas querem caminhar sem medo. É curioso como todos concordam no diagnóstico, mas discordam ferozmente da receita. Do outro lado da roda, a saúde ocupa lugar permanente na pauta. Aprendemos nos últimos anos que hospital lotado não

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CAMELÔS DE VOTOS

Os políticos, por necessidade sempre tiveram olhos de mosca, ou seja, sempre alertas com visão para os lados, pra baixo e pra cima, enfim, com olhar amplo para não serem apanhados pelas surpresas. Além disso faz tempo, que não acreditam mais em Papai Noel. No momento de eleições é preciso mais atenção ainda com os predadores (principalmente as aves de rapina), que de maneira enganosa procuram demonstrar aos candidatos ter votos suficientes para ajuda-los. Esses são os mais perigosos que procuram por antecipação, aqueles candidatos que exibem publicamente ter bastante dinheiro para gastar em campanha. No caso, são verdadeiros tambores (só barulho) e como dizia o Barão de Itararé – O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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