EMPODERAMENTO

Na política e na vida, há um conselho que deveria vir impresso nos manuais invisíveis da convivência: nunca empodere quem não aprendeu a ser grato. O ingrato é aquele que sobe nos seus ombros e, ao alcançar altura, esquece quem lhe serviu de escada. Pior: às vezes chuta a própria escada para provar independência. Confunde oportunidade com mérito exclusivo e apoio com obrigação. Na vida pública isso é ainda mais curioso. Há padrinhos que criam afilhados políticos, oferecem estrutura, discurso e até votos. Depois, assistem ao espetáculo da ingratidão em praça aberta, como se a memória fosse artigo de luxo. Empoderar é nobre. Confiar é grandeza. Mas discernir é sabedoria. Porque a gratidão pode até ser silenciosa, porém a ingratidão sempre faz barulho.

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ANDANDO JUNTAS

Na vida pública, não basta ter diploma na parede nem discurso afiado na tribuna. A vivência é a escola que não fecha as portas; a experiência é o professor que não falta aula. Quem caminha pelas ruas, escuta nas feiras, sente o calor das críticas e o peso das decisões aprende mais do que em qualquer manual de teoria política. A prática ensina onde a teoria silencia. Vivência sem experiência pode virar impulso. Experiência sem vivência pode virar arrogância. Mas quando as duas andam juntas, nasce algo raro: o conhecimento político com responsabilidade — aquele que entende que governar não é mandar, é servir.

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LEGISLATIVO DEFUMADO?

A Câmara Municipal de Bragança, no Pará, tem sido formadora de neologismos que ferem de morte a linguagem brasileira. Há pouco tempo conseguiu criar uma piscina inflamável, quando poderia ser apenas inflável. Agora apresenta uma tal de ‘defamação’ – ou poderia ser uma defumação?  Defumação – de acordo com o Google trata-se de expor (alguém, algo ou um local) à fumaça, quando se queima substância aromática (por exemplo, incenso), para perfumar. Não conseguimos entender chamar o corpo jurídico da casa legislativa para defender um vereador que poderia estar sendo defumado.

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PRA QUE MAIS 4?

Na liturgia da política brasileira, há um fenômeno curioso: o deputado que descobre o eleitor apenas no último ano de mandato. Durante três anos, silêncio quase monástico; no quarto, uma súbita iluminação cívica. É quando surgem fotos em obras que não começaram, discursos inflamados sobre problemas antigos e uma enxurrada de “emendas conquistadas” que parecem ter brotado como milagre administrativo. O parlamentar, antes discreto nas sessões e nas pautas relevantes, vira presença constante nas redes sociais, nas rádios e até em velórios — afinal, é preciso mostrar serviço. O mais interessante é o discurso: “preciso continuar para concluir o que comecei”. O eleitor, com a memória um pouco mais exigente, tenta lembrar exatamente o que foi começado. Às vezes encontra uma placa. Outras vezes, nem isso. A reeleição, para alguns,

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A PLATEIA DE SEMPRE

Nada como um bom almoço oferecido no Mazurka, em Bragança, no Pará, objetivando reunir militantes conhecidos no plano político da Pérola do Caeté. Na realidade, nenhuma novidade no front. Os mesmos de antes no quartel de Abrantes, para receberem o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (PSB), que pretende ser candidato ao governo paraense, nas eleições do ano em curso.

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O GARIMPO ELEITORAL

Dizem que o ouro já não brilha como antes, mas no Nordeste Paraense o que reluz mesmo são votos. De repente, a região deixou de ser apenas rota de praias, farinha boa e peixe fresco para virar o novo pré-sal eleitoral do estado. Para 2026, não se fala em outra coisa: onde tem uma vila, tem um pré-candidato; onde tem um campo de futebol, tem promessa; onde tem um microfone, tem discurso. É tanta visita ilustre que até poste já se sente importante — nunca recebeu tanto abraço. O asfalto prometido ganha urgência, a ponte esquecida vira prioridade e até aquele projeto guardado na gaveta reaparece com pó e tudo. No fim das contas, o Nordeste Paraense virou a menina dos olhos de quem sonha com as vitórias — não

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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