
‘O SORRISO DO LAGARTO’ NAS CONVENÇÕES
As fotografias das recentes convenções partidárias parecem ter sido cuidadosamente ensaiadas. Sorrisos largos, abraços coreografados, aplausos sincronizados e olhares que procuram transmitir confiança. Tudo muito limpo, muito iluminado, muito convincente. A política contemporânea, afinal, aprendeu a posar para as redes sociais antes mesmo de encarar a realidade. Mas há fotografias que contam mais pelo que escondem do que pelo que revelam. Atrás do enquadramento perfeito, permanecem as disputas silenciosas, os acordos de bastidores, as conveniências e as ambições que jamais caberiam em uma legenda otimista. O retrato oficial é apenas a superfície; a história verdadeira costuma caminhar pelos corredores, longe das câmeras. É difícil olhar essas imagens sem lembrar de O sorriso do lagarto, de João Ubaldo Ribeiro. No romance — e na marcante adaptação televisiva —, o sorriso do




