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Pero Vaz de Caminha

O PODER E A RELIGIÃO

Diz um internauta, numa dessas frases que parecem simples, mas carregam séculos de história: líder religioso não deveria se deixar enredar pelos fios do poder terreno e da política partidária. Se professa o cristianismo, talvez valha a pena olhar para os Evangelhos — e lembrar de Caifás. Caifás não era um personagem qualquer. Sumo sacerdote e uma das principais figuras do Sinédrio, estava no centro do poder religioso de seu tempo. Foi nesse ambiente, marcado também pelas delicadas relações com a autoridade romana, que o julgamento de Jesus tomou forma. Ao final, Jesus foi entregue às autoridades romanas e crucificado. A história, porém, não precisa ser repetida para continuar ensinando. Há sempre uma fronteira delicada entre a fé que orienta a consciência e o poder que disputa espaços, influência e

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OS ‘JABUTIS’ DO SUDESTE BRASILEIRO

Há árvores que parecem produzir jabutis. Na política brasileira, porém, a velha máxima da plutocracia lembra que jabuti trepado em árvore não chegou ali sozinho: alguém o colocou — e alguém também pode tirá-lo. A elite do mercado financeiro do Sudeste, entre outras forças econômicas e políticas, teve papel importante no apoio ao golpe de 1964 e à ditadura que se seguiu. Em outros momentos, em contextos diferentes, ajudou a apostar em dois personagens que chegaram ao Palácio do Planalto prometendo soluções simples para problemas complexos. Jânio Quadros apareceu com a vassourinha, símbolo de uma faxina moral que varreria a corrupção. Fernando Collor, mais tarde, prometeu liquidar a inflação com a precisão de uma bala. Ambos chegaram à Presidência embalados por expectativas e alianças poderosas. E ambos, em momentos distintos,

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O JOGO DUPLO

Em Bragança, na região nordestina do Pará, a política parece ter aprendido uma velha lição: há quem entre numa eleição não para ganhar, mas para não perder de jeito nenhum. Na articulação de consanguinidade fraterna, o anúncio oficial é de apoio a apenas uma candidatura ao Governo do Estado. Mas, nos bastidores, a história é outra: cada qual trabalha, sorrateiramente, para o seu candidato. É como jogar com duas cartas na manga e esperar o resultado da mesa. Se um vencer, comemora-se. Se o outro vencer, também. No fim das contas, pouco importa quem levar a faixa. A estratégia é simples: estar sempre do lado de quem ganhou — ou, pelo menos, poder dizer que estava. Em política, há quem dispute a eleição. E há quem dispute apenas o direito

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BRASA PRA SARDINHA

Chega a época das eleições e, com ela, surge uma curiosa profissão temporária: o analista jurídico de ocasião. De repente, todo mundo entende de decisão judicial. Quem ontem mal sabia distinguir uma liminar de uma sentença agora discorre, com a segurança de um jurista de longa estrada, sobre competência, recursos, jurisprudência e até interpretação constitucional. Uns leem a decisão procurando razão. Outros, procurando munição. E há os que nem leem: apenas escolhem de que lado está a brasa e tratam de puxá-la para sua sardinha. O problema não é ter opinião. Opinião todos temos. O problema é transformar preferência política em argumento jurídico — e argumento jurídico em verdade absoluta. No calor da eleição, a toga vira palanque, a lei vira torcida e cada decisão passa a ter dois pesos:

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CUMPRINDO A OFERTA PROMETIDA

Nos bastidores da política bragantina, no nordeste do Pará, um vereador considerado da vanguarda eleitoral da base aliada da gestão municipal estaria, dizem os mais atentos, ensaiando a construção de uma ponte. Não exatamente uma ponte de concreto, mas daquelas que levam de um lado ao outro do campo político — neste caso, rumo à oposição, de olho na campanha em nível estadual. O movimento, naturalmente, já provoca comentários, especulações e aquela conhecida inquietação entre os colegas de caminhada. Mas há quem aposte que o projeto da ponte pode ser abandonado antes mesmo da primeira estaca. Tudo porque amanhã, dia 15, estaria prevista a chegada de uma robusta prenda, capaz de trazer alívio geral e, quem sabe, recolocar as coisas nos seus devidos lugares.  Na política, afinal, convicções podem ser

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Pero Vaz de Caminha

A ‘PLATINADA’ DE SEMPRE

A Rede Globo conseguiu um verdadeiro milagre: ressuscitar o IBOPE, que já havia “morrido”. A proeza foi simples: não precisou trazer o velho instituto de volta, bastou mudar o nome fantasia. No fim, mudou o nome, mas a essência da velha história parece continuar a mesma. Como dizia o barão de Itararé – A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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