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Pero Vaz de Caminha

ANAIS DA POLÍTICA BRASILEIRA

Na eleição municipal de São Paulo, em 1985, Fernando Henrique Cardoso cometeu uma imprudência simbólica: antes mesmo de a apuração terminar, posou sentado na cadeira de prefeito. Talvez tenha confundido expectativa com vitória, pesquisa com destino, desejo com realidade. Do outro lado estava Jânio Quadros, velho conhecedor dos caprichos da política e de seus rituais. Quando as urnas confirmaram sua vitória, Jânio não deixou passar a oportunidade. Mandou desinfetar a cadeira que o adversário havia ocupado antecipadamente. A cena entrou para o folclore político brasileiro. De um lado, a pressa de quem já se imaginava no poder; do outro, a ironia de quem fez questão de lembrar que o trono ainda tinha dono. Na política, como na vida, há uma diferença entre sentar na cadeira e conquistar o direito de

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Pero Vaz de Caminha

A FRASE PROFÉTICA

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.” A frase de Joseph Pulitzer atravessa os tempos como um alerta que permanece atual. O jornalismo não é apenas o ato de noticiar fatos, mas o compromisso de buscar a verdade, fiscalizar o poder e oferecer à sociedade os instrumentos para pensar, questionar e decidir. Quando troca a ética pelo interesse, a informação pela conveniência e a verdade pelo espetáculo, deixa de cumprir sua missão e passa a alimentar a ignorância, o preconceito e a manipulação. A imprensa tem o poder de educar o olhar de uma sociedade, mas também de deformá-lo. Por isso, o bom jornalismo não pode esquecer a profecia de Pulitzer. Afinal, uma imprensa sem compromisso com a verdade

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Pero Vaz de Caminha

NÃO PRECISA DE NOTÍCIAS FALSAS

Na política, quem realmente acredita que está na frente nas pesquisas eleitorais não precisa recorrer a notícias falsas para convencer ninguém. Quando os números falam por si, a verdade deveria ser suficiente. Espalhar mentiras, distorcer fatos e tentar confundir o eleitor não demonstram força, mas revelam insegurança. Afinal, quem tem confiança na própria vitória não precisa diminuir o adversário com informações falsas, muito menos manipular a opinião pública. Às vezes, por trás de tanta tentativa de enganar, existe o medo de que a realidade não corresponda ao discurso. Quem está seguro do seu caminho apresenta propostas, debate ideias e respeita a inteligência do povo. Porque quem está verdadeiramente na frente não precisa fabricar verdades. E quem confia no voto do povo não tem medo da verdade.

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DEMOCRACIA NÃO É SUBMISSÃO

A democracia se fundamenta no respeito à soberania dos povos, na liberdade de escolha e no diálogo entre as nações. Por isso, soa contraditório que países que se dizem democráticos tentem interferir nas decisões de outros, inclusive de nações aliadas, recorrendo a pressões, ameaças ou intimidações. Afinal, de que vale defender a democracia dentro de casa se, além das fronteiras, prevalece a vontade do mais forte?  A amizade entre países não deveria significar submissão, assim como divergências políticas não deveriam justificar ameaças. É justamente para evitar que o poder se sobreponha ao direito que existem instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Criadas para promover a paz, o diálogo e a cooperação, elas não podem se limitar a discursos protocolares enquanto a

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CLÁUDIO DA VAN PRA PREFEITO

Em Bragança, no nordeste paraense, a impressão é de que as eleições municipais de 2028 já começaram. A campanha ainda não tem data, mas o clima político já está em ritmo de xote: tem gente ensaiando o passo, medindo o salão e escolhendo até a cor da camisa! E não custa lembrar que, nos últimos anos, candidatos a prefeito aliados dos governadores saíram vitoriosos em várias disputas. Na política, uma boa amizade com quem ocupa o Palácio pode valer mais que muito discurso em praça pública. Nesse cenário, o vereador Cláudio da Van pode ter cartas importantes na manga. Afinal, é apontado como apoiador do novo governador desde 2018, quando participou da campanha de sua esposa a deputada federal. Se a história se repetir, Cláudio poderá chegar a 2028 com

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IDEOLOGIA ELÁSTICA

A política brasileira parece ter uma vocação especial para inovar. Enquanto o mundo tenta compreender as velhas ideologias, por aqui alguns políticos parecem empenhados em criar uma nova corrente de pensamento: o socialismo da direita. Nesta eleição, principalmente no segundo turno, certas justificativas parecem desafiar não apenas a lógica, mas também os princípios que, durante décadas, serviram de referência para a esquerda e para a direita. O que antes era inaceitável passa a ser justificável; o que ontem era motivo de crítica hoje se transforma em estratégia. Tudo depende de quem está no palanque e de qual resultado se pretende alcançar. É uma espécie de ideologia elástica, capaz de se esticar até caber em qualquer conveniência. Os princípios ficam em segundo plano, as contradições ganham explicações criativas e as desculpas

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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