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Pero Vaz de Caminha

SEM OBEDIÊNCIA A PRINCÍPIOS PARTIDÁRIOS

Em Bragança, a política parece ter criado seu próprio calendário: o partido marca uma data da Convenção, mas os nomes escolhidos por alguns filiados são outros. Dos vereadores com mandato, apenas Cláudio da Van (PDT) e Gleidson Miranda (PT) apoiam Daniel Santos para o governo do Pará. Detalhe curioso: PDT e PT integram a coligação de Hana Ghassan (MDB). Gleidson, numa espécie de política à la carte, acompanha a chapa inteira — menos a candidatura ao governo. No fim, fica a velha lição da política brasileira: princípios partidários são importantes, claro. Mas, quando se trata de candidaturas, até a fidelidade partidária parece pedir licença.

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POLÍTICA SEM CONTRAPONTO

Há políticos experientes que aprenderam uma nova regra do jogo: para quê enfrentar as perguntas incômodas das mídias tradicionais se é possível falar diretamente ao eleitor pelas redes sociais? Antigamente, uma entrevista no rádio, na televisão ou no jornal exigia disposição para ouvir perguntas, responder a críticas e, muitas vezes, sustentar um debate. Hoje, basta uma câmera, um celular e uma equipe afinada. Grava-se a mensagem, escolhe-se o melhor ângulo, publica-se e pronto. A política ganha filtros — e perde um pouco da conversa. As redes sociais deram aos políticos uma ferramenta poderosa: permitem escolher o que dizer, quando dizer e até para quem dizer. O eleitor recebe a mensagem, mas raramente vê o contraponto. O debate, que deveria ser parte essencial da democracia, acaba substituído pelo monólogo. Não se

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Pero Vaz de Caminha

DEMONSTRAÇÃO DE APOIO

Na pérola do Caeté, há gestos que dispensam discursos. Para que não pairem dúvidas no eleitorado, o prefeito de Bragança, Mário Júnior, tratou de deixar registrado, em uma postagem, um abraço carinhoso e apertado no ex- prefeito – Raimundo Oliveira, hoje candidato a deputado estadual nas eleições vindouras. Mais que um simples cumprimento, a fotografia tem dessas mensagens que falam sem precisar de legenda: uma demonstração pública de proximidade e apoio, daquelas que, na política, costumam dizer muito.

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DESABAFO NO JAMBÚ

No restaurante Jambú, em Bragança, no nordeste paraense o deputado estadual Renato Oliveira reuniu ontem aliados para uma conversa que teve gosto de desabafo. Entre um assunto e outro, o parlamentar se queixou das dificuldades para ajudar o município onde nasceu e atribuiu o cenário ao que chamou de perseguição. O encontro, além de político, teve tom de pré-campanha. Afinal, Renato é candidato à reeleição e, em ano eleitoral, cada conversa entre aliados pode ganhar contornos de estratégia, cobrança e articulação. Em Bragança, pelo menos ontem, a política passou pelo Jambú e veio acompanhada de boas doses de insatisfação.

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CELULARES EM REUNIÕES

É difícil entender por que negociações com apoiadores eleitorais, em reuniões, precisam ser feitas à prova de celular. Talvez seja apenas excesso de cautela. Ou talvez a experiência da festa de Vorcaro, do Banco Master, com políticos, telefones e registros demais tenha ensinado que, em certos ambientes, a tecnologia tem o péssimo hábito de lembrar o que a memória prefere esquecer. No fim, o problema talvez não seja o celular. É o que pode aparecer depois que alguém aperta “gravar”.

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Pero Vaz de Caminha

CONFIANÇA EM DISCURSOS

É preciso interpretar as diferenças entre continuidade e continuísmo em um governo. A primeira pode ser prudência; o segundo, às vezes, é apenas o velho hábito de trocar os móveis de lugar e anunciar uma reforma na casa. Também convém lembrar que, em toda campanha eleitoral, a oposição recorre à surrada propaganda da esperança — aquela promessa luminosa de que, finalmente, tudo vai mudar. O problema é que, depois da eleição, a esperança costuma descobrir que tinha horário para trabalhar e férias vencidas. O discurso pode ser bonito e empolgante, mas promessas e esperanças na maioria das vezes são duvidosas. A confiança em discursos políticos diminuiu porque muitas promessas não viram realidade.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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