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Pero Vaz de Caminha

‘PÃO E CIRCO’ NÃO É ADMINISTRAÇÃO

Parafraseando a histórica expressão política do “pão e circo”, chegamos a uma realidade que merece reflexão: o que acontece quando até as necessidades mais básicas da população deixam de receber a atenção necessária, enquanto o espetáculo continua ocupando o centro das atenções? Falta pão, falta saúde, faltam serviços públicos essenciais, mas não faltam festas, discursos, eventos e encenações para alimentar a aparência de realizações. E, quando as demandas da população chegam às instâncias jurídicas, fica evidente que direitos fundamentais não podem ser tratados como meros detalhes administrativos. O poder público não existe para entreter a população, mas para garantir dignidade, direitos e qualidade de vida. O espetáculo pode até atrair aplausos momentâneos, mas não substitui o atendimento médico, a alimentação, a educação e o respeito ao cidadão. A política do

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QUANDO SEGREDO NÃO É ESCUDO

Na vida pública, nem sempre o que não é revelado representa apenas um segredo. Muitas vezes, o silêncio em torno de determinadas informações pode esconder algo que merece ser esclarecido — inclusive possíveis irregularidades ou ilicitudes. O agente público não é proprietário da informação que administra, tampouco pode transformar o interesse coletivo em assunto particular. Transparência não é favor, é dever. E quando alguém, diante de um questionamento legítimo, afirma que levará determinada informação para o túmulo, a declaração deixa de ser apenas uma manifestação de reserva e passa a levantar uma questão inevitável: por que tanto empenho em não revelar? Na democracia, o segredo não pode ser regra, muito menos escudo. Afinal, quem exerce uma função pública deve compreender que a sociedade tem o direito de perguntar, fiscalizar e

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FORA DO PICADEIRO

No passado, o humorista que fazia rir no circo era chamado de palhaço. Sua missão era divertir, arrancar gargalhadas e transformar situações absurdas em espetáculo. Todos sabiam que estavam diante de uma apresentação. Mas os tempos mudaram. Hoje, quando observamos certas cenas do Parlamento brasileiro, fica a dúvida: como devemos chamar aqueles que transformam debates sérios em espetáculos, trocam argumentos por encenações e fazem da política motivo de riso? Palhaço, não! Seria injustiça com os verdadeiros profissionais do circo, que trabalham duro, respeitam seu público e sabem exatamente qual é o seu papel. No Parlamento, o título deveria ser outro: representantes do povo, com a responsabilidade de legislar, fiscalizar e honrar a confiança recebida nas urnas. Afinal, o circo tem lona, picadeiro e espetáculo. O Parlamento tem tribuna, responsabilidade e

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QUEM ESCOLHEU?

É interessante como certos pensamentos populares se encaixam perfeitamente em diferentes setores da vida. Um deles é o velho adágio: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Na política partidária, entretanto, talvez fosse necessário apenas um pequeno ajuste na frase, sem alterar sua essência: “Manda quem pode, obedece quem precisa.” E como essa adaptação faz sentido! Não são raras as ocasiões em que candidaturas surgem menos da vontade popular ou de projetos coletivos e mais da determinação daqueles que detêm o comando. Escolhe-se o nome, define-se o caminho e, quando muito, consulta-se a plateia para dar aparência de participação. Aos demais, resta compreender o recado, ajustar o discurso e, principalmente, não confundir opinião com poder de decisão. Afinal, na política, há quem escolha os candidatos e há quem precise aceitar

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CELEBRANDO AS MEMÓRIAS

Exemplos do passado que podem prevenir o presente e o futuro. Quando governador do Pará, Almir Gabriel, elegeu com seu enorme prestígio o presidente de então, da Alepa, Luis Otávio, para o Senado Federal, que durante a campanha eleitoral usou o slogan de “Senador do Governador”. Com semelhança, aconteceu nas recentes eleições de 2026, quando o ex-governador Hélder Barbalho, elegeu com o devido prestígio, o também presidente da Alepa, deputado Chicão, ao cargo de senador da República. Enquanto isso, sentado na cadeira de governador, Simão Jatene não conseguiu eleger o seu criador Almir Gabriel, ao governo do estado. Ainda sentado na mesma cadeira tentou eleger o presidente da Alepa daquele momento, Márcio Miranda, ao governo estadual, mas não conseguiu a vitória.

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PODER SEM ELEIÇÕES

Há países em que o poder se apresenta de terno, gravata e discurso institucional. Em outros, prefere permanecer nos bastidores, longe das urnas, mas suficientemente perto de quem assina decretos, aprova leis, define orçamentos e determina os rumos da economia. O Paraguai oferece à América Latina uma oportunidade de olhar para esse fenômeno e compreender uma velha questão: afinal, quem governa os países? Aqueles que recebem os votos ou aqueles que controlam o dinheiro? Não se trata apenas do Paraguai, tampouco de uma realidade exclusivamente latino-americana. Trata-se de um modelo de organização do poder no qual os mercados financeiros, os bancos, as fintechs, os fundos de investimento, os rentistas, as grandes corporações, as casas de apostas e outros segmentos econômicos procuram garantir que seus interesses estejam sempre protegidos, independentemente de

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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