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Pero Vaz de Caminha

DESORDEM PLANEJADA

Às vésperas das eleições brasileiras, parece que o tumulto já faz parte do calendário. Atitudes premeditadas, articulações de bastidores e acontecimentos inesperados surgem como peças de um jogo que muitos dizem não conhecer, mas que quase sempre deixa rastros. O curioso é que essas estratégias se tornaram usuais. Basta aproximar-se o período eleitoral para que aumentem as provocações, as desconfianças, os discursos inflamados e as notícias capazes de incendiar ânimos. Tudo parece cuidadosamente calculado para dividir, confundir e tirar o foco do que realmente importa. No meio disso, o cidadão comum observa, muitas vezes cansado, enquanto a política se transforma em espetáculo. E talvez a maior armadilha seja justamente essa: acostumarmo-nos ao tumulto a ponto de considerá-lo normal. Eleição deveria ser tempo de escolhas, debates e esperança. Quando a desordem

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Pero Vaz de Caminha

FOGUEIRAS ACESAS

Dizia um político da antiga, desses que conheciam bem os atalhos da política, que, quando o adversário não tinha rabo, a gente punha. A história permanece. Só ganhou uma pequena mudança: hoje, todos estão colocando rabos uns nos outros — e, por precaução, os outros nos uns também. O problema é que, nessa brincadeira, quem tem rabo de palha deveria evitar passar muito perto da fogueira. E fogueira é o que não falta. O momento é propício, e a imprensa, naturalmente, gosta do espetáculo. Já não há muita sinceridade. Nem nos editoriais. As defesas e os ataques têm seus motivos. Alguns claros, outros nem tanto. Cada palavra parece carregar uma intenção escondida, uma conta a acertar ou uma conta a receber. E há ainda os editoriais. Dizem que são a

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Pero Vaz de Caminha

A VELHA BATALHA EM BRAGANÇA

E lá vamos nós, outra vez, para a velha e surrada guerra eleitoral de Bragança. Em toda eleição, parece que a cidade tira do armário os mesmos personagens, as mesmas acusações e as mesmas histórias que já deveriam ter virado peça de museu. Agora, a bola da vez é Raimundão. Volta a circular a notícia de que o ex-prefeito Raimundo Oliveira estaria inelegível por questões relacionadas à filiação partidária fora do prazo e também por uma condenação criminal no Tribunal de Justiça. Raimundão, que é candidato a deputado estadual pelo MDB, certamente conhece bem esse roteiro. Em Bragança, eleição raramente é apenas eleição. É também memória, ressentimento, disputa de grupo e aquela velha tradição de transformar adversário político em assunto principal da campanha. No fundo, a pergunta que fica é

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Pero Vaz de Caminha

CONVENIÊNCIAS NA JUSTIÇA

Na dúvida, “pro réu”. É um princípio que se pode compreender. Afinal, diante da incerteza, é melhor errar pela liberdade do que pela condenação. O que não se consegue compreender — e muito menos aceitar — é quando a dúvida parece ter pesos diferentes, dependendo de quem está sentado no banco dos réus. Dois casos iguais deveriam receber o mesmo olhar, a mesma régua, o mesmo critério. Se para um vale a dúvida, para o outro também deveria valer. Se uma circunstância é suficiente para absolver um, não pode ser ignorada quando envolve outro. A Justiça não precisa apenas ser justa. Precisa parecer justa. Porque, quando a régua muda conforme a pessoa que está diante dela, deixa de existir Justiça e passa a existir apenas conveniência. E conveniência, definitivamente, não

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Pero Vaz de Caminha

O PARÁ NÃO PODE FICAR SEM FERROVIAS

Há algo de simbólico em um país do tamanho do Brasil ter tão poucos trilhos. Enquanto os Estados Unidos construíram uma das maiores redes ferroviárias do mundo, com mais de 220 mil quilômetros destinados principalmente às cargas, o Brasil possui cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias, também voltadas, em grande parte, para transportar minério de ferro e produtos agrícolas. E quando olhamos para o mapa brasileiro, a pergunta parece inevitável: como um país continental pode se contentar com tão poucas ferrovias? O trem não é apenas um meio de transporte. Ele encurta distâncias, movimenta riquezas, aproxima cidades e pode transformar regiões inteiras. No Brasil, porém, os trilhos parecem ter ficado sempre em segundo plano, como se o futuro pudesse esperar. No Pará, essa história tem um gosto ainda mais

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Pero Vaz de Caminha

VALE A PENA RELEMBRAR

Em 1963, o Brasil parecia viver com os nervos à flor da pele. Nas ruas, nos jornais e nos discursos políticos, cada palavra ganhava um peso enorme. O governo de João Goulart enfrentava uma forte oposição, enquanto diferentes grupos disputavam os rumos que o país deveria seguir. A imprensa tinha um papel central nesse cenário. Manchetes alarmistas, críticas ao governo e denúncias sobre a crise política ajudavam a aumentar o clima de insegurança. Ao mesmo tempo, movimentos sociais e setores populares defendiam reformas profundas, como a reforma agrária. Para muitos, era a esperança de um Brasil mais justo; para outros, era o sinal de que o país caminhava para o caos. O ambiente foi ficando cada vez mais dividido. O diálogo parecia perder espaço para a desconfiança, e a política

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

Joseph Pulitzer

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