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Pero Vaz de Caminha

INTERESSES ECONÔMICOS?

Há silêncios que dizem mais do que discursos inteiros. Intriga, por exemplo, a pouca disposição da grande mídia brasileira em enfrentar com a firmeza necessária um fenômeno que vem entrando silenciosamente na vida de milhões de pessoas: as bets. Não se trata de demonizar o entretenimento ou de negar a liberdade de cada um apostar. O problema começa quando a aposta deixa de ser diversão e passa a ser uma máquina de endividamento, ansiedade e destruição de famílias. Um verdadeiro cancro social, sobretudo entre os mais vulneráveis, embalado por publicidade, celebridades e a promessa sedutora de dinheiro fácil. Diante disso, fica uma pergunta incômoda: por que a crítica não é mais contundente? Seria apenas uma questão editorial? Ou existem interesses econômicos, publicitários e comerciais que ajudam a explicar esse silêncio?

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Pero Vaz de Caminha

CAMINHOS DA VIDA

Aos meus irmãos consanguíneos ou não, aproveito para agradecer a todos os que demonstraram alegrias pelo os meus 80 anos de existência. Ter amigos é ter irmãos assim pensava Jesus. Por isso ele tratava como irmãos, tantos os de sangue como os não. A letra musicada diz que desta vida a gente não leva nada. Exato, mas o que não levamos, é certo que deixamos, o que o vocábulo define como legado. Assim também me alegro, porque sei que deixarei amigos-irmãos. O caminho da vida me ensinou que apesar de diferenças religiosas, políticas, clubistas, nada vale que provoque uma inimizade. Sem afetação permitam que nesta ocasião possa homenagear a minha companheira Milene. Sempre ao meu lado em todos os momentos, comprovando também uma convivência de amor misturada com amizade, ingredientes

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Pero Vaz de Caminha

O UNGIDO

Há histórias que parecem ter saído diretamente das páginas da mitologia grega. Uma delas é essa de que alguém seria “ungido” para assumir um cargo público brasileiro, como se uma divindade tivesse descido do Olimpo para escolher seu representante entre os mortais. No verdadeiro cristianismo, a unção não é um salvo-conduto para o poder, muito menos uma espécie de certificado divino de autoridade política. Jesus não ensinou que governantes deveriam ser escolhidos por uma casta de ungidos, nem que determinado candidato carregaria consigo uma espécie de mandato celestial. Por isso, quando a fé é usada para apresentar alguém como “o escolhido” para ocupar um cargo público, a cena parece menos bíblica e mais mitológica. Só falta o trovão no céu, a águia de Zeus e uma voz anunciando: “Este é

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Pero Vaz de Caminha

A AMPULHETA NA JUSTIÇA

Houve um tempo em que o Judiciário brasileiro, e especialmente o Supremo Tribunal Federal, demonstrava preocupação com os chamados recursos protelatórios. A crítica era justa: quando um processo é transformado em uma sucessão interminável de recursos, embargos e pedidos, a Justiça deixa de ser apenas lenta e passa a ser uma espécie de espera sem prazo para terminar. A lógica parecia simples: recurso existe para garantir direitos, corrigir erros e preservar o devido processo legal. Não deveria servir, porém, como instrumento para empurrar uma decisão para um futuro cada vez mais distante. O curioso é que, na vida real, o STF parece no momento conviver com dois relógios. Há o relógio que cobra rapidez de quem recorre. E há outro, bem mais silencioso, que permanece parado quando processos e investigações

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A VERDADE TEM CURVAS

Os temporais artificiais são piores que os naturais. Os provocados nenhum serviço de meteorologia é capaz de prever. Os naturais como o próprio nome diz, eles passam. Para os artificiais o melhor remédio é deixar a caravana avançar enquanto os cães ladram. Para os naturais é melhor fazer como o bambu, não oferecer resistência, se abrigar e deixar passar. Para os que provocam temporais artificiais, a memória é o seu pior e mais agudo inimigo. A “verdade” tem curvas. Para um navegador da vida, a passagem livre através de turbulências representa um prêmio. O bom tempo é o normal, a turbulência é apenas uma crise temporária. No plano terreno somos predadores e presas. Somos caçadores e caças.

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Pero Vaz de Caminha

TODO MUNDO TEM UM POUCO

Para temperar o gosto amargo — e, por vezes, até o mau gosto — do momento que o STF atravessa, vale recorrer à velha sabedoria popular: de médico e louco, todo mundo tem um pouco. Nos tempos atuais, porém, quando qualquer conversa de esquina rapidamente vira debate sobre Constituição, competência, liminar, recurso e decisão monocrática, talvez seja mais apropriado atualizar o ditado: de juiz e louco, todo mundo tem um pouco. Basta surgir uma decisão do Supremo para que, em poucos minutos, apareçam milhões de “especialistas” em Direito Constitucional. Cada qual com sua sentença pronta, sua interpretação definitiva e, não raro, a convicção de que estudou mais o processo do que quem passou anos na faculdade de Direito. É a democracia em sua versão mais espontânea: todos opinam, todos julgam

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

Joseph Pulitzer

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