Uncategorized
Pero Vaz de Caminha

A EMENDA E O SONETO

Dois internautas conversavam sobre um assunto que, de tão antigo, parecia não ter idade: a imprensa e a maneira como as pessoas acreditavam nas notícias. — Houve um tempo — dizia um deles — em que praticamente só havia a imprensa. Jornal, rádio, televisão… Era dali que vinha a informação. E, quando uma notícia aparecia publicada, quem estava do outro lado tinha poucas possibilidades de contestá-la. Se estava no jornal, ganhava quase imediatamente o selo de verdade. O outro, mais otimista com os novos tempos, entrou na conversa: — Mas isso mudou. Com a internet, qualquer pessoa pode contestar, comparar informações, apresentar outro ponto de vista. A notícia deixou de ser uma via de mão única. O primeiro pensou por alguns segundos e respondeu: — A emenda ficou pior que

Leia Mais »
Uncategorized
Pero Vaz de Caminha

ORIENTAÇÃO E VENDA

Há uma diferença enorme entre um líder religioso que, diante de uma eleição, orienta seus fiéis a conhecer propostas, refletir sobre os problemas da sociedade e exercer o voto com consciência, e aquele que transforma o púlpito em balcão de negócios. Uma coisa é dizer: “Informem-se. Leiam as propostas. Pensem no futuro da comunidade. Votem de acordo com sua consciência.” Outra, bem diferente, é apresentar o voto dos fiéis como se fosse propriedade particular, uma espécie de moeda que pode ser negociada nos bastidores. A igreja deveria ser lugar de consciência, não de comércio. O líder religioso pode ter suas convicções políticas e até manifestá-las, mas existe uma fronteira delicada quando a fé deixa de ser espaço de reflexão e passa a ser instrumento de pressão, troca ou negociação eleitoral.

Leia Mais »
Uncategorized
Pero Vaz de Caminha

SÓ LIMPEZA!

É só chegar a época eleitoral que os defenestrados do poder parecem reencontrar a voz. De repente, descobrem que há uma crise, que nada funciona, que os atuais governantes são responsáveis por todos os males — como se, em seus tempos de comando, tudo fosse um exemplo de eficiência. É curioso esse fenômeno: quem já esteve no poder costuma lembrar muito bem dos problemas dos outros, mas tem uma memória seletiva quando o assunto são os próprios feitos. Na gíria, parece que em suas épocas era tudo “só limpeza”. A poeira, porém, ficou debaixo do tapete. E, vez por outra, quando chega a eleição, alguém levanta a ponta para fingir que nunca esteve ali.

Leia Mais »
Uncategorized
Pero Vaz de Caminha

INTERESSES FALAM MAIS ALTO

No mínimo impressionante. Uma parcela expressiva dos brasileiros se diz contrária às bets, mas o assunto parece passar longe do debate mais profundo da imprensa. Enquanto isso, encontramos diariamente números sobre crescimento, consumo, empregos e economia, muitas vezes apresentados conforme o ângulo de interesse de quem os divulga. Mas onde estão as reportagens investigativas sobre o impacto das apostas na vida das pessoas, nas famílias e no orçamento doméstico? As bets chegaram silenciosamente, ganharam espaço, publicidade e normalidade. E talvez o mais preocupante seja justamente isso: quando um problema se torna cotidiano, deixamos de enxergá-lo como problema. Não se trata de demonizar a imprensa, mas de perguntar: por que há tanto interesse em medir a economia e tão pouco interesse em medir o preço social dessa nova indústria?

Leia Mais »
Uncategorized
Pero Vaz de Caminha

A FORÇA POLÍTICA

Na política, quem demonstra e propaga muita força talvez esteja tentando convencer os outros — e a si mesmo — de que realmente a possui. A força verdadeira costuma dispensar o anúncio. Não precisa de gritos, ameaças, gestos grandiosos ou discursos inflamados. Ela aparece na serenidade diante da pressão, na capacidade de ouvir, negociar e sustentar posições sem transformar toda divergência em guerra. Há quem faça da força um espetáculo porque descobriu que, na política, a aparência também disputa espaço com a realidade. Quanto mais se repete “sou forte”, mais a pergunta silenciosa cresce: se é preciso provar tanta força, onde está a segurança que deveria falar por si? Talvez a verdadeira força política seja justamente aquela que não precisa ser propagada. Ela se revela menos pelo barulho que produz

Leia Mais »
Uncategorized
Pero Vaz de Caminha

DIFERENÇA DE RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE NA CAMPANHA ELEITORAL

Há candidaturas que, em determinada altura da campanha, descobrem subitamente o caminho da fé. É quase um fenômeno meteorológico: aproxima-se a eleição, formam-se nuvens de santidade e, quando menos se espera, aparece o candidato posando ao lado de uma igreja, de preferência com um sorriso tão devoto quanto estrategicamente ensaiado. Nada contra a religião. Muito menos contra quem encontra nela sentido, consolo, comunidade ou esperança. O problema começa quando a fé vira cenário de campanha e a religiosidade — essa coisa mais íntima, cotidiana e silenciosa — é confundida com uma fotografia bem enquadrada. Talvez algumas candidaturas devessem fazer uma pequena lição de casa antes de se ligarem para o lado das igrejas: entender a diferença entre religião e religiosidade. Religião pode ter templo, doutrina, rito, autoridade, tradição, comunidade. Religiosidade

Leia Mais »

PUBLICIDADE

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

Joseph Pulitzer

[yop_poll id="2"]
OUTRAS NOTÍCIAS
Desenvolvido Por Belém Sistemas (91) 98079-5456