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Pero Vaz de Caminha

ENSINAR SEM TERRORISMO

Há uma diferença enorme entre ensinar a fé e impor o medo. A catequese cristã, quando verdadeiramente inspirada no legado de Cristo, deveria começar pelo amor, pela acolhida, pela paciência e pelo exemplo. Afinal, Jesus não parece ter conquistado corações pela ameaça, mas pela misericórdia, pelo perdão e pela capacidade de enxergar o ser humano para além de seus erros. Por isso, tenho apreço por aqueles que compreendem que ensinar o cristianismo é, antes de tudo, apresentar um caminho de amor. Gente que orienta sem humilhar, corrige sem aterrorizar e ensina sem transformar a fé em um fardo de cobranças. Em contrapartida, causa-me desapreço ver a doutrinação assumir a forma de uma espécie de lavagem cerebral: culpa em excesso, ameaças, terrorismos espirituais e a ideia de que questionar é pecado.

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Pero Vaz de Caminha

COMPRA DE VOTOS

Começam as fiscalizações sobre transgressões e crimes eleitorais. E, neste período, uma coisa parece estar muito clara: ficam no mesmo patamar aqueles que oferecem e aqueles que aceitam. Afinal, compra e venda de votos não existem sem os dois lados do balcão. Nestas eleições, cresce a preocupação das autoridades e dos analistas com essa prática criminosa. O assunto volta às rodas de conversa, aos bastidores e às esquinas onde a política costuma ganhar versões próprias. Mas, na Pérola do Caeté, a história seria diferente. Por aqui, dizem os mais antigos, nunca houve essa tradição. E, se depender do que se ouve pelas ruas, continua não havendo. Resta esperar que as urnas confirmem o discurso — e que o voto continue sendo livre, consciente e, principalmente, sem preço.

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Pero Vaz de Caminha

SEM USO DE HERMENÊUTICAS

Sem dúvidas, a Justiça deve ser uma das grandes garantidoras da democracia. É justamente por isso que sua força não pode depender de conveniências, amizades ou alianças circunstanciais. Quando se abre a chamada “caixa de Pandora”, é preciso ter coragem para lidar com aquilo que dela emerge. Não parece razoável escancarar verdades, levantar suspeitas, provocar instituições e mobilizar a sociedade para, logo depois, fechar a tampa às pressas quando o conteúdo ameaça alcançar amigos, aliados ou interesses próximos. A democracia não combina com dois pesos e duas medidas. A Justiça precisa ser firme quando a verdade incomoda e ainda mais firme quando ela atinge os que estão ao nosso lado. Afinal, não há justiça verdadeira quando a régua muda conforme o nome de quem está sendo julgado. Talvez o maior

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Pero Vaz de Caminha

PROMESSA EM FESTEJO ANTECIPADO

Há estradas que levam a algum lugar. E há aquelas que parecem ter decidido permanecer no mesmo lugar por décadas. É o caso do trecho da rodovia federal entre Bragança e Viseu, no nordeste paraense. O tempo passa, os governos mudam, as promessas se renovam, mas o asfalto continua sendo uma espécie de promessa de campanha que nunca chega inteira ao destino. Ao que tudo indica, apenas o trecho entre Bragança e a vila de Curupatí foi concluído. De Curupatí até Viseu, a precariedade permanece, castigando moradores, motoristas, produtores e todos aqueles que dependem diariamente da estrada. Enquanto isso, houve até festejo antecipado, com presença de representante regional do DNIT e discursos que pareciam anunciar uma obra já realizada. Mas, na realidade, para quem enfrenta a estrada todos os dias,

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O COMANDO DA HIPOCRISIA

Embora jocoso, é possível imaginar que, ao chegar ao Brasil, Pedro Álvares Cabral tenha avistado, entre a mata exuberante e o mar de águas tranquilas, uma grande faixa anunciando: “O Brasil precisa ser passado a limpo”. Talvez fosse uma previsão histórica. Afinal, séculos depois, a frase continua aparecendo sempre que o país mergulha em alguma crise. Muda o escândalo, mudam os personagens, mudam os discursos, mas a velha expressão permanece firme, como placa de estrada que ninguém se dá ao trabalho de retirar. O curioso é que todos parecem concordar com ela. Políticos, empresários, autoridades, cidadãos comuns, especialistas de ocasião e comentaristas de botequim. Cada um aponta o dedo para o outro e sentencia: “É preciso passar o Brasil a limpo.” Mas talvez esteja aí a nossa maior sujeira. O

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Pero Vaz de Caminha

ELES CONTINUAM

Jesus expulsou os vendilhões do templo, mas parece que alguns deles aprenderam a lição errada: em vez de abandonar o comércio da fé, trocaram as bancas pelos palanques. Hoje, há quem se diga profundamente religioso, mas não consiga aceitar que Jesus tenha enfrentado aqueles que transformavam a religião em negócio e poder. Talvez porque reconhecer isso obrigue a olhar para os vendilhões de nosso próprio tempo — alguns deles convenientemente instalados na política, misturando fé, interesses e ambição. De pouco valeu Jesus enfrentar os poderosos da religião se, dois mil anos depois, ainda encontramos quem use o seu nome para proteger justamente aquilo que ele combateu. A história muda de roupa, mas certas práticas insistem em permanecer. E talvez a verdadeira fé não esteja em defender os poderosos que falam

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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