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Pero Vaz de Caminha

ELEITORADO QUER PROPOSTAS!

Há um curioso silêncio escondido no barulho da política brasileira. Enquanto os debates se transformam em arenas de ataques pessoais, muitos eleitores esperam ouvir algo bem mais simples: propostas. O cidadão comum acorda cedo, enfrenta filas, trânsito, contas e incertezas. Quando liga a televisão ou acompanha um debate, não procura descobrir quem gritou mais alto ou quem coleciona mais acusações. Quer saber como a saúde vai melhorar, como a educação será fortalecida, de onde virão os empregos e o que será feito para tornar a vida menos difícil. Os nomes mudam a cada eleição, mas os problemas insistem em permanecer. Talvez por isso o eleitor esteja cada vez mais cansado de disputas de ego e de discussões sobre a vida pessoal dos candidatos. O que realmente faz diferença é a

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NO BRASIL QUAL O VALOR PARTIDÁRIO?

De que valem tantos partidos políticos no Brasil? A pergunta ecoa a cada eleição. Na teoria, deveriam representar ideias, projetos de país e diferentes visões sobre o futuro. Na prática, para muitos eleitores, as siglas pouco dizem. Nas eleições proporcionais, o voto costuma seguir outro caminho. O eleitor escolhe a liderança que admira, o amigo, o conhecido ou aquele que acredita poder resolver seus problemas. O partido quase sempre fica em segundo plano, como um detalhe na urna. Enquanto isso, as legendas se multiplicam. Hoje, o Brasil reúne 23 siglas partidárias, muitas delas mais preocupadas em garantir espaço e sobreviver graças ao generoso Fundo Partidário do que em defender princípios que as diferenciem umas das outras. Talvez o maior desafio da democracia brasileira não seja criar novos partidos, mas fazer

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AMEAÇADA A CREDIBILIDADE DA FIFA

Quem mais perdeu nesta Copa do Mundo talvez não tenha sido uma seleção eliminada. Foi a própria FIFA. Durante décadas, construiu a imagem de uma entidade capaz de defender a autonomia do futebol acima de interesses políticos. Era, ao menos em teoria, a guardiã das regras e da independência do esporte. Mas bastou a conveniência bater à porta para que essa postura parecesse vacilar. Ao alterar sua posição para agradar ao presidente dos Estados Unidos — alguém sem histórico ou autoridade sobre o futebol mundial — a entidade transmitiu a impressão de que sua autonomia pode ceder diante do peso político. O futebol sempre sobreviveu a derrotas, goleadas e zebras. O que demora muito mais para ser recuperado é a credibilidade. E, quando a instituição que deveria proteger o jogo

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Pero Vaz de Caminha

FUTEBOL NÃO PRECISA DE INTIMIDAÇÕES

Houve um tempo em que a malandragem do futebol era feita com inteligência. Morava no drible inesperado, na finta desconcertante, no chapéu bem aplicado, na caneta que arrancava gargalhadas da arquibancada. O autor da arte sorria, o driblado se envergonhava por alguns instantes e o jogo seguia seu curso. A provocação era a beleza do lance, não a violência. Hoje, em muitos campos, a cena parece invertida. Gestos de intimidação, ofensas e faltas desleais são comemorados como se fossem demonstrações de coragem. O aplauso, que antes premiava a criatividade, agora muitas vezes recompensa o excesso. O futebol sempre foi feito de emoção e rivalidade, mas sua grandeza nasceu do talento, não da agressividade. A verdadeira malandragem era aquela que deixava o adversário perdido sem machucá-lo, que fazia a torcida levantar

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CAPACIDADE DE CONVERSAR

Houve um tempo em que se dizia, em tom de ironia, que para vencer uma eleição valia até fazer uma aliança “com Deus e com o diabo”. A frase, figurativa, retratava a disposição de superar diferenças em nome de um objetivo maior: conquistar o poder. Hoje, porém, o cenário parece outro. As pontes foram substituídas por trincheiras. O diálogo perdeu espaço para o confronto, e a política passou a se parecer mais com um campo de batalha do que com uma mesa de negociações. Entre os extremos da esquerda e da direita, o entendimento tornou-se raro. Cada lado enxerga o outro como inimigo, não como adversário. E quando a política assume o espírito de guerra, quem mais perde é a sociedade, que fica à espera de soluções enquanto assiste ao

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Pero Vaz de Caminha

GARIMPANDO VOTOS

No nordeste do Pará, o calendário parece seguir um ritmo próprio. Enquanto a Copa do Mundo prendia a atenção dos torcedores, a política aguardava o apito final. Bastou o Brasil ser eliminado para que outro campeonato comece: a corrida pelos votos. Não é por acaso. A região abriga um dos maiores colégios eleitorais do estado, reunindo quase 50 municípios. De repente, estradas ganham mais movimento, agendas ficam lotadas e candidatos surgem em festas, feiras, comunidades e reuniões, todos em busca de espaço e da confiança do eleitor. É o período em que apertos de mão se multiplicam, promessas voltam ao discurso e o nordeste paraense se transforma no centro das atenções. Afinal, quem deseja vencer nas urnas sabe que, por essas bandas, cada voto pode fazer a diferença.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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