POLÍTICOS SALTITANTES
Assim acontece com os políticos considerados trânsfugas: vivem de galho em galho, trocando de partido como quem troca de camisa, sempre à procura da sombra mais fresca e do fruto mais maduro. No início, parecem espertos, ágeis, donos de um jogo que poucos entendem. Saltam discursos, negam promessas antigas, reinventam convicções com a leveza de quem nunca se comprometeu de verdade. Mas a política, como a vida, tem memória — e o povo, ainda que demore, aprende a reconhecer o movimento repetido. O excesso de saltos cansa a plateia. A confiança, uma vez rompida, não se recompõe com facilidade. E então se cumpre o ditado no outrora: macaco que muito pula quer chumbo. Não como castigo literal, mas como metáfora do desgaste inevitável. Porque chega um momento em que já