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Pero Vaz de Caminha

DESABAFO NO JAMBÚ

No restaurante Jambú, em Bragança, no nordeste paraense o deputado estadual Renato Oliveira reuniu ontem aliados para uma conversa que teve gosto de desabafo. Entre um assunto e outro, o parlamentar se queixou das dificuldades para ajudar o município onde nasceu e atribuiu o cenário ao que chamou de perseguição. O encontro, além de político, teve tom de pré-campanha. Afinal, Renato é candidato à reeleição e, em ano eleitoral, cada conversa entre aliados pode ganhar contornos de estratégia, cobrança e articulação. Em Bragança, pelo menos ontem, a política passou pelo Jambú e veio acompanhada de boas doses de insatisfação.

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Pero Vaz de Caminha

CELULARES EM REUNIÕES

É difícil entender por que negociações com apoiadores eleitorais, em reuniões, precisam ser feitas à prova de celular. Talvez seja apenas excesso de cautela. Ou talvez a experiência da festa de Vorcaro, do Banco Master, com políticos, telefones e registros demais tenha ensinado que, em certos ambientes, a tecnologia tem o péssimo hábito de lembrar o que a memória prefere esquecer. No fim, o problema talvez não seja o celular. É o que pode aparecer depois que alguém aperta “gravar”.

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CONFIANÇA EM DISCURSOS

É preciso interpretar as diferenças entre continuidade e continuísmo em um governo. A primeira pode ser prudência; o segundo, às vezes, é apenas o velho hábito de trocar os móveis de lugar e anunciar uma reforma na casa. Também convém lembrar que, em toda campanha eleitoral, a oposição recorre à surrada propaganda da esperança — aquela promessa luminosa de que, finalmente, tudo vai mudar. O problema é que, depois da eleição, a esperança costuma descobrir que tinha horário para trabalhar e férias vencidas. O discurso pode ser bonito e empolgante, mas promessas e esperanças na maioria das vezes são duvidosas. A confiança em discursos políticos diminuiu porque muitas promessas não viram realidade.

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CADA UM TEM O QUE MERECE

Os opostos se atraem. Certo. Mas há uma verdade complementar: os iguais também se repelem — sobretudo quando cada um quer ser o único dono do espelho. Kim Jong-un, da Coreia do Norte, e Donald Trump, ditador de quase todo o mundo (pelo menos na própria cabeça), parecem feitos da mesma fábrica: culto à personalidade, desprezo pelas instituições e uma relação bastante criativa com a verdade. Talvez por isso não se suportem. Afinal, nada é mais irritante para um narcisista do que encontrar outro narcisista disputando o reflexo.

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ACORDO FECHADO COM JADER FILHO

Na noite desta quarta-feira, em Belém, a política de Bragança ganhou um novo capítulo. Quase metade da Câmara Municipal, ao lado do prefeito Mário Júnior, sentou à mesa e fechou acordo de apoio a Jader Filho, de olho na disputa por uma cadeira de deputado federal. Na foto, um retrato desse movimento: o presidente da Câmara, Júnior do Pneu (MDB), Chiquinho da Pesca (MDB), Gordo do Treme (MDB), Rubinho do Arimbú (PP), Deco Lima (PDT) e Emílio Monteiro, pai da vereadora Emily Monteiro. Em política, como na vida, certas noites começam como conversa e terminam como sinal. E, em Belém, Bragança parece ter dado o seu.

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Pero Vaz de Caminha

ORAÇÃO NA ELEIÇÃO

A política brasileira até hoje não conseguiu interpretar direito a Oração de São Francisco. Talvez por excesso de pragmatismo. Quando o santo diz “é dando que se recebe”, a intenção certamente era espiritual. Na política, porém, a frase ganhou uma interpretação mais… administrativa. É só chegar a época das eleições que começa a peregrinação dos candidatos. Visita daqui, promessa dali, um cafezinho, um abraço apertado e, principalmente, muita “negociação” com apoiadores e cabos eleitorais. Tudo em nome da fé, claro. Fé no voto. E assim, entre uma promessa e outra, a velha oração ganha novo significado: na política brasileira, “é dando que se recebe” deixou de ser uma reflexão sobre generosidade e virou quase um manual de campanha. São Francisco, se acompanhasse as eleições, talvez pedisse apenas uma coisa: paz

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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