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Pero Vaz de Caminha

DE ESTILINGUE À VIDRAÇA

Há quem se candidate não por servir, mas por vaidade. Na caminhada, estimulada pelos aplausos e pela promessa de poder, não percebe o perigo: quem hoje segura o estilingue pode amanhã estar atrás da vidraça. E, quando a pedra muda de direção, a vaidade já não protege ninguém. É procurar sarna para se coçar.

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Pero Vaz de Caminha

COMBUSTÍVEL EM FALTA

O que já era esperado começa a fazer água. Candidatura majoritária no Pará, ainda antes de ganhar corpo, já enfrenta a maré baixa do lastro financeiro. A conversa corre nas ruas e, como toda conversa que se preza, também navega pelos rios. O povo aumenta, observa e comenta — mas não inventa. Quando a embarcação não tem combustível para vencer a correnteza, até quem está na margem percebe. E, no Pará, as águas costumam revelar cedo quem sabe navegar e quem apenas ensaiou o embarque.

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Pero Vaz de Caminha

“PRA BOI DORMIR”

Não comovem muito as explicações de certos empresários que, em tom de conversa de botequim, contam como saíram da pobreza, venceram todas as dificuldades, dormiram em colchão de palha e, graças a uma força de vontade de fazer inveja a um tanque de guerra, chegaram ao pedestal da riqueza. A narrativa costuma vir completa: infância humilde, primeiro negócio com três moedas, muito trabalho, acordar cedo, dormir tarde e, sobretudo, uma fé inabalável no empreendedorismo. Em algum momento, porém, a história dá uma pequena escorregada: aparece um financiamento camarada, uma concessão, um contrato público, uma generosa desoneração, uma sociedade providencial ou aquele telefonema amigo de alguém que conhece alguém. É aí que entra o célebre “empurrãozinho”. Porque, convenhamos, no Brasil o sujeito pode até começar vendendo pastel na esquina e terminar

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Pero Vaz de Caminha

A VITÓRIA DO CÉREBRO

Ser oposição não significa ser mal-educado, muito menos ser violento. Discordar faz parte da democracia, mas saber discordar também é uma forma de inteligência. A história mostra que até nas guerras, muitas vitórias foram conquistadas mais pela estratégia do que pela força. Na política e na vida, não deveria ser diferente. Gritar pode chamar atenção, mas argumentos bem construídos podem mudar opiniões. Ser oposição é fiscalizar, questionar e apontar erros — sem perder o respeito. Afinal, quem tem boas ideias não precisa da violência para fazê-las vencer.

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Pero Vaz de Caminha

ADULAÇÃO SAINDO DO FORNO

Parafraseando o renomado físico, engenheiro e astrônomo Galileu, que diante de um tribunal da Santa Inquisição de maneira sarcástica fez uma retratação – ‘a verdade não deixa de ser verdade pelo fato da maioria não concordar’. No momento atual é possível substituir a palavra ‘maioria’ por ‘minoria’. Consiste em dizer, que contar história ou memória daqueles que ainda estão vivos, não passa de uma falsidade em favor dos que ainda detêm o poder. Portanto, apenas para bajular uma minoria. A verdade vai surgir muito no futuro, quando ela será contada pela maioria. No caso – ‘a verdade não deixará de ser verdade pelo fato de hoje a minoria não concordar’. É só lembrar que editorial de um jornal sempre representa o pensamento do proprietário do momento. Não é escrito por

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Pero Vaz de Caminha

BRAGANÇA SEM REPRESENTANTE

Há uma velha lição nas eleições: quem quer colher votos precisa primeiro plantar raízes. Em Bragança, porém, a história parece se repetir. Com tantos candidatos a deputado estadual vindos de outros lugares, o eleitor acaba dividindo suas escolhas, enquanto a cidade segue sem conseguir eleger ao menos um representante da própria terra. Não faltam candidatos, falta união em torno de um nome. E, se Bragança continuar espalhando seus votos, talvez as vitórias realmente tenham que ser procuradas em outros municípios — enquanto a cidade continua esperando alguém que a represente de verdade.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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