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Pero Vaz de Caminha

CELULARES EM REUNIÕES

É difícil entender por que negociações com apoiadores eleitorais, em reuniões, precisam ser feitas à prova de celular. Talvez seja apenas excesso de cautela. Ou talvez a experiência da festa de Vorcaro, do Banco Master, com políticos, telefones e registros demais tenha ensinado que, em certos ambientes, a tecnologia tem o péssimo hábito de lembrar o que a memória prefere esquecer. No fim, o problema talvez não seja o celular. É o que pode aparecer depois que alguém aperta “gravar”.

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CONFIANÇA EM DISCURSOS

É preciso interpretar as diferenças entre continuidade e continuísmo em um governo. A primeira pode ser prudência; o segundo, às vezes, é apenas o velho hábito de trocar os móveis de lugar e anunciar uma reforma na casa. Também convém lembrar que, em toda campanha eleitoral, a oposição recorre à surrada propaganda da esperança — aquela promessa luminosa de que, finalmente, tudo vai mudar. O problema é que, depois da eleição, a esperança costuma descobrir que tinha horário para trabalhar e férias vencidas. O discurso pode ser bonito e empolgante, mas promessas e esperanças na maioria das vezes são duvidosas. A confiança em discursos políticos diminuiu porque muitas promessas não viram realidade.

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CADA UM TEM O QUE MERECE

Os opostos se atraem. Certo. Mas há uma verdade complementar: os iguais também se repelem — sobretudo quando cada um quer ser o único dono do espelho. Kim Jong-un, da Coreia do Norte, e Donald Trump, ditador de quase todo o mundo (pelo menos na própria cabeça), parecem feitos da mesma fábrica: culto à personalidade, desprezo pelas instituições e uma relação bastante criativa com a verdade. Talvez por isso não se suportem. Afinal, nada é mais irritante para um narcisista do que encontrar outro narcisista disputando o reflexo.

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ACORDO FECHADO COM JADER FILHO

Na noite desta quarta-feira, em Belém, a política de Bragança ganhou um novo capítulo. Quase metade da Câmara Municipal, ao lado do prefeito Mário Júnior, sentou à mesa e fechou acordo de apoio a Jader Filho, de olho na disputa por uma cadeira de deputado federal. Na foto, um retrato desse movimento: o presidente da Câmara, Júnior do Pneu (MDB), Chiquinho da Pesca (MDB), Gordo do Treme (MDB), Rubinho do Arimbú (PP), Deco Lima (PDT) e Emílio Monteiro, pai da vereadora Emily Monteiro. Em política, como na vida, certas noites começam como conversa e terminam como sinal. E, em Belém, Bragança parece ter dado o seu.

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Pero Vaz de Caminha

ORAÇÃO NA ELEIÇÃO

A política brasileira até hoje não conseguiu interpretar direito a Oração de São Francisco. Talvez por excesso de pragmatismo. Quando o santo diz “é dando que se recebe”, a intenção certamente era espiritual. Na política, porém, a frase ganhou uma interpretação mais… administrativa. É só chegar a época das eleições que começa a peregrinação dos candidatos. Visita daqui, promessa dali, um cafezinho, um abraço apertado e, principalmente, muita “negociação” com apoiadores e cabos eleitorais. Tudo em nome da fé, claro. Fé no voto. E assim, entre uma promessa e outra, a velha oração ganha novo significado: na política brasileira, “é dando que se recebe” deixou de ser uma reflexão sobre generosidade e virou quase um manual de campanha. São Francisco, se acompanhasse as eleições, talvez pedisse apenas uma coisa: paz

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Pero Vaz de Caminha

AMPLIAÇÃO DA LEI DE NEWTON

Newton, coitado, criou uma lei para explicar as forças da natureza, mas a vida tratou logo de ampliar o conceito: toda ação tem reação. E, às vezes, a reação vem com juros. No popular, é o velho “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Ou, para os mais cuidadosos com a própria vidraça: quem tem telhado de vidro não deveria sair por aí distribuindo pedras. Na vida cotidiana, a física costuma aparecer disfarçada de consequência. Você cutuca, alguém reage. Você provoca, alguém responde. Você espalha faísca, não pode depois reclamar do incêndio. Por isso, há sabedoria em não cutucar onça com vara curta. E, principalmente, em não se fazer de vítima depois de descobrir que a onça também tem memória. Afinal, Newton explicou a reação. A vida apenas acrescentou

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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