
O OLHAR REVELADOR
Há encontros que dispensam apresentações. Basta um olhar, um silêncio atravessado e, às vezes, uma frase curta para revelar tudo aquilo que as aparências tentam esconder. Foi assim na descida de um palanque que, aos olhos de quem estava de fora, parecia reunir aliados. Mas, de perto, a cena revelava outra realidade: o espaço estava apinhado de concorrentes, cada qual carregando suas próprias ambições, seus cálculos e, quem sabe, suas desconfianças. Entre os presentes, dois chamavam atenção. Considerados ferrenhos adversários na disputa eleitoral pelo mesmo cargo, estavam ali, próximos o suficiente para trocar um olhar, mas distantes demais para qualquer gesto de cordialidade. Por alguns segundos, nada disseram. Apenas se olharam. Naquele breve instante, talvez tenham passado pela cabeça de ambos as acusações, as mágoas, as disputas, os discursos inflamados




