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Pero Vaz de Caminha

ÀS MARGENS DO CAETÉ

Conta a história que, às margens do rio Rubicão, em Roma, Júlio César tomou uma decisão que mudaria o curso da história. Ao atravessar o rio com suas tropas, teria pronunciado a célebre frase: Alea jacta est — a sorte está lançada. Séculos depois, em Bragança do Pará, às margens do nosso querido rio Caeté, a história parece inspirar uma nova reflexão. Olhares atentos, conversas reservadas, movimentos discretos e articulações políticas começam a desenhar o cenário das eleições municipais de 2028. Como nas águas do Rubicão, há quem esteja prestes a atravessar a fronteira entre a intenção e a decisão. Uns calculam os riscos, outros aguardam o momento oportuno, enquanto alguns já se movimentam como se a disputa tivesse começado. Mas o Caeté, testemunha silenciosa de tantas histórias bragantinas, parece

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Pero Vaz de Caminha

VIVER DE ESCÂNDALOS

Na vida, existe gente que prefere ser notada de qualquer maneira, mesmo que seja pelos próprios erros. Parece que, para algumas pessoas, o importante não é ser admirado pelo que faz de bom, mas simplesmente não passar despercebido. Há quem confunda atenção com reconhecimento e acredite que qualquer comentário vale a pena, até mesmo quando vem acompanhado de críticas, julgamentos e decepções. Fazem barulho para aparecer, provocam para serem lembrados e, muitas vezes, esquecem que nem toda visibilidade é sinal de prestígio. A verdade é que não precisamos fazer espetáculo para provar que existimos. Quem tem essência não precisa viver de escândalos, e quem tem valor não precisa se diminuir para chamar atenção. Afinal, ser notado é fácil; difícil mesmo é ser lembrado pelo bem que se faz. Porque, no

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Pero Vaz de Caminha

DISCURSOS DA CONVENIÊNCIA

Na política brasileira, o tempo passa, os discursos mudam, mas certos interesses permanecem intactos. Aqueles que ontem trocavam ofensas e acusações, hoje podem ser vistos distribuindo elogios e sorrisos. Os antigos adversários transformam-se em aliados, e as palavras duras cedem lugar à bajulação, conforme muda o ocupante do poder. Assim funciona a politicagem, tão diferente da verdadeira política, que deveria ser guiada por princípios, ideias e compromisso com o interesse público. Os aproveitadores de ontem continuam presentes hoje; mudam os personagens, o conteúdo dos discursos e as circunstâncias, mas a conveniência permanece. O curioso é observar como antigos alvos de críticas ferozes se tornam, de repente, merecedores de aplausos e reverências. Não necessariamente porque mudaram, mas porque mudou a posição que ocupam no tabuleiro do poder. Nesse cenário, a inteligência,

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RÓTULO QUE VIRA ESTIGMA

Na política, nem sempre os ataques mais perigosos vêm em forma de críticas abertas ou acusações contundentes. Muitas vezes, chegam disfarçados de comentários despretensiosos, ditos ao acaso, como quem não quer nada. Uma frase aqui, uma insinuação ali, e assim vai sendo construída, lentamente, uma imagem negativa capaz de comprometer uma candidatura. O político que busca a reeleição precisa estar atento a esse jogo. Seus adversários sabem que nem sempre é necessário atacar de frente; basta repetir determinadas ideias, alimentar pequenas suspeitas e deixar que o tempo faça o restante. O que começa como uma observação aparentemente inocente pode, pela repetição, transformar-se em rótulo. E rótulos, quando se fixam na opinião pública, são difíceis de remover. O perigo está justamente na sutileza desse processo. Quando o político percebe, aquilo que

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Pero Vaz de Caminha

DE MALAS E CUIAS

Alguns deputados e prefeitos do Pará já estavam com as malas e as trouxas prontas para pular a cerca e atravessar para o outro lado, numa manobra que cheirava a traição política. Mas, eis que algo aconteceu na noite de domingo, após a declaração do presidente do TSE sobre o resultado das eleições presidenciais. O entusiasmo dos mais apressados deu lugar à cautela, e o passo atrás foi quase imediato. Parece que, de repente, descobriram que as cercas não eram tão fáceis de transpor: tinham arame farpado, e o risco de sair arranhado era grande. Na política, como se sabe, a coragem de muitos depende da direção dos ventos e, sobretudo, de quem parece estar ganhando a tempestade. Por enquanto, as malas voltaram para o canto, as trouxas continuam fechadas

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Pero Vaz de Caminha

FALTANDO ALTRUÍSMO

Será que falta altruísmo àqueles que não sabem aceitar a derrota em uma disputa? Na política, onde o interesse coletivo deveria prevalecer sobre as ambições pessoais, perder parece, para alguns, algo inadmissível. Incapazes de reconhecer a vontade da maioria, preferem alimentar a discórdia, contestar resultados e transformar o inconformismo em espetáculo. Recorrem, então, ao velho jus sperniandi, o suposto direito de espernear diante de uma derrota. Esperneiam, questionam, acusam e, muitas vezes, ignoram que toda disputa democrática pressupõe uma regra fundamental: saber ganhar, mas também saber perder. O problema não está em contestar, pois questionar é legítimo quando há fundamentos. O problema começa quando a contestação deixa de buscar a verdade e passa a servir apenas ao orgulho ferido de quem não aceita o resultado. Talvez seja justamente aí que

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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