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Pero Vaz de Caminha

FABRICANDO PARA VALORIZAR

Há um tipo de fábrica que não aparece nos mapas industriais. Não produz aço, cimento ou alimentos. Sua matéria-prima é a conveniência, e seu produto mais lucrativo são as narrativas. Na administração pública, por exemplo, existe a velha conhecida “emergência”. Nem sempre nasce de uma enchente, de uma epidemia ou de uma tragédia. Algumas parecem surgir justamente quando o calendário aperta e a licitação atrapalha. A urgência fabricada transforma o excepcional em rotina e o improviso em método. O que deveria ser exceção passa a ser justificativa. Na política, especialmente em tempos de eleições, a linha de produção trabalha em ritmo acelerado. Fabricam-se impasses, divergências estratégicas e decisões que, muitas vezes, valem mais pelo efeito de mercado do que pelo conteúdo. O objetivo não é apenas decidir, mas elevar o

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LENA PINTO SEGUE CANDIDATA?

A saída do ex-deputado federal Nilson Pinto da presidência do Ideflor-Bio não surpreendeu os bastidores da política paraense. Era um desfecho que muitos já consideravam inevitável, diante das investigações em curso no órgão, intensificadas após uma operação que alcançou, inclusive, o município de Bragança. Enquanto um capítulo parece se encerrar, outro ainda permanece em aberto. As atenções agora se voltam para a possível candidatura de Lena Pinto, esposa de Nilson, à Câmara Federal pelo PSDB. Nos corredores da política, a informação que circula é de que o projeto eleitoral deve seguir adiante. Resta saber se os ventos dos acontecimentos recentes terão força para mudar esse roteiro.

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PROVIDÊNCIAS PARA O TURISMO

Nas férias, a estrada que liga a sede de Bragança às praias de Ajuruteua, no nordeste paraense ganha outro ritmo. Famílias, turistas e moradores seguem em busca do encontro com o mar, levando consigo expectativas de descanso e lazer. Mas, quando a noite chega, a viagem exige atenção redobrada. Nos trechos próximos às vilas de Acarajó e Bacuriteua, a iluminação insuficiente torna o percurso mais inseguro. É nesse momento que a sinalização vertical e horizontal deixa de ser apenas um detalhe da rodovia e passa a representar um importante aliado para quem dirige. Investir em uma sinalização mais eficiente é uma medida simples, mas capaz de amenizar as dificuldades enfrentadas pelos motoristas, orientar melhor o tráfego e contribuir para que o caminho até Ajuruteua seja lembrado apenas pela beleza da

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PATRIOTISMO OU DEMAGOGIA?

Há uma diferença enorme entre manter boas relações com outros países e curvar a própria soberania aos seus interesses. O diálogo entre nações é parte da política e da diplomacia. A subserviência, porém, nunca deveria ser. Por isso, causa estranheza ver quem se apresenta como grande defensor da pátria pedir a outro país que adie medidas econômicas até depois de uma eleição presidencial. Se o discurso é de independência e patriotismo, a prática deveria caminhar na mesma direção. A coerência é o verdadeiro teste das convicções. Quando as palavras vestem a bandeira, mas os atos procuram conveniências externas, fica a dúvida: trata-se de patriotismo ou apenas de uma demagogia bem ensaiada? Pátria não é apenas a foto de um panteão.

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REFLEXÃO SOBRE A NOTA

Há notícias que despertam mais do que curiosidade; despertam espanto. Uma delas foi a nota publicada na tradicional coluna Repórter 70, do Jornal O Liberal, informando que proprietários de cartórios estariam na liderança do ranking nacional de patrimônio acumulado. É interessante. Mas difícil de acreditar sem um inevitável levantar de sobrancelhas. Afinal, cartorários exercem uma função delegada pelo Estado, como serventuários da Justiça, e não deveriam ser vistos como protagonistas de grandes fortunas. Quando uma atividade pública, ainda que exercida em caráter privado, passa a chamar atenção mais pelo patrimônio de seus titulares do que pelo serviço prestado à sociedade, a notícia deixa de ser mera curiosidade e se transforma em motivo para reflexão.

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CHEQUE MORADIA COM CABO ELEITORAL

Há quem diga que eleição é feita de propostas. Há quem jure que é feita de circunstâncias. E, de tempos em tempos, a realidade insiste em dar razão aos segundos. Em Bragança, no Pará, a prisão de um militante político, investigado por suposto estelionato envolvendo cheques moradias que pertencem à ações públicas e sociais do governo estadual, acabou chamando atenção menos pelo caso em si que é grave e mais pelo momento em que aconteceu. Como de costume, as esquinas da política logo trataram de completar a notícia: dizem as más línguas — e até algumas boas — que o envolvido estaria atuando como cabo eleitoral de um candidato a deputado. Em campanha, coincidências quase nunca passam despercebidas. E, no tribunal da opinião pública, as circunstâncias costumam falar antes mesmo

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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