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Pero Vaz de Caminha

GESTÃO PÚBLICA OU ‘CABO DE GUERRA’?

Há uma velha brincadeira em que duas equipes puxam uma corda, cada uma tentando arrastar a outra para o seu lado. Ganha quem faz mais força. Perde a corda, esticada ao limite. Na gestão pública, quando o poder se fragmenta sem que haja uma liderança clara, a cena se repete. Ninguém sabe ao certo quem decide, quem responde ou quem conduz. Em vez de convergir para o interesse coletivo, as disputas passam a girar em torno de vaidades, espaços e conveniências pessoais. Enquanto uns puxam para um lado e outros insistem no sentido contrário, a administração fica parada no mesmo lugar. Os problemas da população esperam, as soluções se atrasam e o espírito público cede espaço à competição interna. Governar exige diálogo e participação, mas também requer direção. Quando cada

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Pero Vaz de Caminha

DECIFRANDO 0 ‘HOMEM PRIMATA’

“Homem primata, capitalismo selvagem…” O refrão ecoa como uma provocação que continua atual. Décadas depois de ser escrito, ainda parece descrever um mundo em que a competição vale mais do que a cooperação, e o sucesso costuma ser medido pelo tamanho da conta bancária, não pela grandeza do caráter. A frase “eu aprendi, a vida é um jogo, cada um por si e Deus contra todos” traduz a sensação de quem cresce ouvindo que vencer é uma obrigação e que demonstrar fragilidade é sinal de fracasso. Nesse cenário, o ser humano corre sem parar, disputa espaço, acumula bens e, muitas vezes, perde a capacidade de enxergar quem está ao lado. A ironia da canção está justamente em chamar esse comportamento de “homem primata”. Apesar de todo o avanço tecnológico e

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Pero Vaz de Caminha

FALTANDO CONFIANÇA

A cada nova manchete sobre as emendas parlamentares, parece que o espanto já chega cansado. Hoje, a notícia de que o Tribunal de Contas da União encontrou irregularidades em 82% das chamadas “emendas PIX” auditadas reforça uma sensação antiga: quando o dinheiro público perde o rastro, a confiança também se perde. As investigações seguirão para a Polícia Federal, o Ministério Público e a Controladoria-Geral da União. É o caminho institucional que se espera quando há indícios de irregularidades. Mas a pergunta que fica é maior do que qualquer processo: como um mecanismo criado para atender necessidades da população pode conviver com tantas suspeitas? Emendas parlamentares não são, por si, um problema. Fazem parte do funcionamento do orçamento e podem levar recursos a quem mais precisa. O problema começa quando a

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HEMOPA MUITO MAIS EM BRAGANÇA

Na região bragantina no Pará, fala-se muito em obras, asfalto e promessas de campanha. Mas há uma necessidade que deveria estar acima dos discursos: fortalecer a hemoterapia em Bragança. A Agência Transfusional da Fundação Hemopa cumpre um papel importante, mas poderia fazer muito mais se fosse transformada em um Núcleo de Hemoterapia, ampliando suas atribuições, inclusive para receber doações de sangue. Hoje, quando surge a necessidade de abastecimento ou de determinadas deliberações, a resposta depende de unidades em Capanema ou Castanhal. Em situações que exigem rapidez, cada minuto faz diferença. É uma pauta que ultrapassa interesses políticos. Trata-se de garantir mais autonomia para Bragança e melhor atendimento para toda a região. O sangue que salva vidas não pode ficar preso aos caminhos da burocracia. Talvez esteja na hora de os

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DESCULPA DE AMARELO É COMER BARRO

Entre as justificativas apresentadas por Donald Trump para impor tarifas de 25% ao Brasil estaria a preocupação com o desmatamento. O argumento até poderia soar nobre, se não viesse de quem transformou a pauta ambiental em alvo de ataques durante seu primeiro mandato. Convém lembrar que o Acordo de Paris, firmado pelos Estados Unidos em 2016, teve sua retirada anunciada por Trump em 2017, numa das decisões mais criticadas da política ambiental internacional. Por isso, quando o discurso ambiental aparece como argumento para pressionar outros países, fica difícil não enxergar uma boa dose de conveniência. Na política, às vezes, o problema não é a falta de memória. É o excesso de seletividade. A expressão “desculpa de amarelo é comer barro” é um ditado popular usado para rebater justificativas sem sentido,

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Pero Vaz de Caminha

A DISSIMULAÇÃO CONTINUA

Há cadeiras que nunca ficam vazias. Quando alguém se levanta, deixa nelas um pedaço da própria vontade. O sucessor chega com novas ideias, mas descobre logo que a maior resistência nem sempre vem dos adversários. Muitas vezes, vem de quem ocupava o lugar antes. No poder, é quase impossível ao substituído aceitar, com serenidade, as decisões do substituto. O discurso público costuma ser elegante: desejam sucesso, falam em continuidade, elogiam a democracia ou o espírito de equipe. Nos bastidores, porém, cada mudança parece uma crítica silenciosa ao passado. Talvez por isso alguns repitam, com um sorriso bem ensaiado, que as palavras foram feitas para encobrir os pensamentos. E, enquanto os discursos prometem harmonia, o silêncio revela que a disputa pela cadeira continua, apenas sem plateia.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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