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Pero Vaz de Caminha

ORIENTAÇÃO E VENDA

Há uma diferença enorme entre um líder religioso que, diante de uma eleição, orienta seus fiéis a conhecer propostas, refletir sobre os problemas da sociedade e exercer o voto com consciência, e aquele que transforma o púlpito em balcão de negócios. Uma coisa é dizer: “Informem-se. Leiam as propostas. Pensem no futuro da comunidade. Votem de acordo com sua consciência.” Outra, bem diferente, é apresentar o voto dos fiéis como se fosse propriedade particular, uma espécie de moeda que pode ser negociada nos bastidores. A igreja deveria ser lugar de consciência, não de comércio. O líder religioso pode ter suas convicções políticas e até manifestá-las, mas existe uma fronteira delicada quando a fé deixa de ser espaço de reflexão e passa a ser instrumento de pressão, troca ou negociação eleitoral.

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Pero Vaz de Caminha

SÓ LIMPEZA!

É só chegar a época eleitoral que os defenestrados do poder parecem reencontrar a voz. De repente, descobrem que há uma crise, que nada funciona, que os atuais governantes são responsáveis por todos os males — como se, em seus tempos de comando, tudo fosse um exemplo de eficiência. É curioso esse fenômeno: quem já esteve no poder costuma lembrar muito bem dos problemas dos outros, mas tem uma memória seletiva quando o assunto são os próprios feitos. Na gíria, parece que em suas épocas era tudo “só limpeza”. A poeira, porém, ficou debaixo do tapete. E, vez por outra, quando chega a eleição, alguém levanta a ponta para fingir que nunca esteve ali.

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Pero Vaz de Caminha

INTERESSES FALAM MAIS ALTO

No mínimo impressionante. Uma parcela expressiva dos brasileiros se diz contrária às bets, mas o assunto parece passar longe do debate mais profundo da imprensa. Enquanto isso, encontramos diariamente números sobre crescimento, consumo, empregos e economia, muitas vezes apresentados conforme o ângulo de interesse de quem os divulga. Mas onde estão as reportagens investigativas sobre o impacto das apostas na vida das pessoas, nas famílias e no orçamento doméstico? As bets chegaram silenciosamente, ganharam espaço, publicidade e normalidade. E talvez o mais preocupante seja justamente isso: quando um problema se torna cotidiano, deixamos de enxergá-lo como problema. Não se trata de demonizar a imprensa, mas de perguntar: por que há tanto interesse em medir a economia e tão pouco interesse em medir o preço social dessa nova indústria?

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A FORÇA POLÍTICA

Na política, quem demonstra e propaga muita força talvez esteja tentando convencer os outros — e a si mesmo — de que realmente a possui. A força verdadeira costuma dispensar o anúncio. Não precisa de gritos, ameaças, gestos grandiosos ou discursos inflamados. Ela aparece na serenidade diante da pressão, na capacidade de ouvir, negociar e sustentar posições sem transformar toda divergência em guerra. Há quem faça da força um espetáculo porque descobriu que, na política, a aparência também disputa espaço com a realidade. Quanto mais se repete “sou forte”, mais a pergunta silenciosa cresce: se é preciso provar tanta força, onde está a segurança que deveria falar por si? Talvez a verdadeira força política seja justamente aquela que não precisa ser propagada. Ela se revela menos pelo barulho que produz

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Pero Vaz de Caminha

DIFERENÇA DE RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE NA CAMPANHA ELEITORAL

Há candidaturas que, em determinada altura da campanha, descobrem subitamente o caminho da fé. É quase um fenômeno meteorológico: aproxima-se a eleição, formam-se nuvens de santidade e, quando menos se espera, aparece o candidato posando ao lado de uma igreja, de preferência com um sorriso tão devoto quanto estrategicamente ensaiado. Nada contra a religião. Muito menos contra quem encontra nela sentido, consolo, comunidade ou esperança. O problema começa quando a fé vira cenário de campanha e a religiosidade — essa coisa mais íntima, cotidiana e silenciosa — é confundida com uma fotografia bem enquadrada. Talvez algumas candidaturas devessem fazer uma pequena lição de casa antes de se ligarem para o lado das igrejas: entender a diferença entre religião e religiosidade. Religião pode ter templo, doutrina, rito, autoridade, tradição, comunidade. Religiosidade

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Pero Vaz de Caminha

CAMALEÕES DE ELEIÇÕES

Segundo alguns filólogos, ‘cantar loas a alguém’, significa – louva-los com fins interesseiros. Lógico e não pode ser diferente com determinados ‘cabos eleitorais’ que estão sempre de plantão para louvar os que lhes pagam. Se deslocam de acordo com o vento financeiro. Mudam de posições esquecendo os patrões antigos, que para eles cantavam louvores. Por muitas vezes se tornam mesquinhas as posições políticas de alguns trânsfugas, que se bandeiam de lado de acordo com seus interesses pessoais nos momentos eleitorais. Assemelhados aos ‘birutas’ de aeroportos que mudam de posição de acordo com a direção do vento. Ao ganharem de presente do ‘novo chefe’ a indicação em alguma sinecura, esquecem suas ‘ideologias’ passadas. Criticam qualquer feito dos ‘novos adversários’ momentâneos, que no passado já foram íntimos na mesma alcova política.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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