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Pero Vaz de Caminha

DESCUMPRIMENTO DO MANDAMENTO

Em tempos de campanha eleitoral, os discursos se multiplicam e os nomes mais repetidos parecem ganhar força pelo simples hábito. Entre eles, o nome de Deus surge em palanques, slogans e promessas, muitas vezes pronunciado com uma facilidade que contrasta com a solenidade do segundo mandamento: “Não tomar o santo nome de Deus em vão”. Para muitos cristãos, não se trata apenas de evitar uma expressão impensada, mas de preservar o respeito por aquilo que é sagrado. Quando Deus é invocado para conquistar votos, justificar interesses ou revestir discursos de uma aparência de virtude, a fé corre o risco de ser transformada em ferramenta de conveniência. Talvez a maior demonstração de respeito ao nome de Deus não esteja em repeti-lo incessantemente, mas em honrá-lo por meio da verdade, da coerência

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Pero Vaz de Caminha

ALÇA DE CAIXÃO

A política tem seus ditados, e poucos são tão certeiros quanto o velho conselho: “na política não se pega em alça de caixão”. A expressão resume uma regra silenciosa do poder: ninguém quer dividir o peso de uma derrota anunciada. Em tempos de campanha, aliados desaparecem, discursos mudam e antigas amizades se tornam discretas. Quem ontem caminhava ao lado, hoje prefere observar de longe, evitando ser associado a escândalos, candidaturas sem futuro ou projetos fadados ao fracasso. Na política, mais do que lealdade, muitas vezes prevalece o instinto de sobrevivência. Afinal, carregar um caixão político pode custar caro nas urnas.

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Pero Vaz de Caminha

TROCA DE PODER

Há um ritual silencioso que costuma acompanhar as trocas de poder. Os que deixam o comando até podem se despedir, mas alguns de seus familiares parecem nunca aceitar que o tempo mudou. Ainda que o sucessor seja um velho aliado, a comparação vira hábito, e a nostalgia, argumento. Pelos corredores públicos, multiplicam-se os resmungos discretos. Atrás dos biombos da inconformidade, nascem críticas sussurradas, quase sempre acompanhadas da certeza de que, no passado, tudo funcionava melhor. O novo gestor mal começa a caminhada e já precisa conviver com a sombra de quem insiste em governar pela memória. No fim, o poder muda de mãos, mas nem todos conseguem desapegar dele. E, às vezes, o cargo é deixado para trás; o sentimento de posse, esse continua circulando pelos corredores.

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O QUE DIZEM AS CÂMERAS ?

Dizem os especialistas que a fotografia registra qualquer imagem desenhada pela luz. O retrato, mais exigente, escolhe uma pessoa e tenta revelar sua expressão, sua identidade, sua personalidade. Todo retrato é fotografia, mas nem toda fotografia é retrato. Ainda assim, há um detalhe que a técnica nunca conseguiu resolver: a sinceridade. Ela não  cabe na lente. Esconde-se atrás do sorriso ensaiado, do aperto de mão calculado, do abraço conveniente. A câmera registra o instante; a verdade, quase sempre, fica fora do enquadramento. Talvez por isso as fotografias de campanha eleitoral sejam tão intrigantes. Nelas, os retratos parecem falar, mas dizem apenas o que convém. Congelam promessas, fabricam proximidades e colecionam sorrisos que, muitas vezes, desaparecem antes mesmo de a tinta da urna secar. A luz faz seu trabalho com perfeição;

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TENTATIVA DE DOMÍNIO

Há estórias que insistem em voltar. Mudam os personagens, trocam-se os cenários, mas o enredo permanece quase o mesmo. Nas eleições, reaparecem os que se apresentam como pastores dedicados, prometendo cuidar do rebanho. No entanto, basta um olhar mais atento para perceber que muitos não conduzem: controlam. A intromissão indevida na vontade das ovelhas veste o discurso da proteção, quando, na verdade, busca apenas a obediência. E, por trás da pele de pastor, nem sempre existe um guia. Às vezes, esconde-se um lobo, interessado menos no bem do rebanho do que no poder sobre ele. A história ensina. A estória se repete. E cabe às ovelhas distinguir a voz de quem conduz daquela de quem apenas aprende a imitar o chamado para dominar.

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Pero Vaz de Caminha

O AMOR PELO PODER É BEM MAIOR

Houve um tempo em que a poesia insistia em dizer que tudo valia por amor. Era a coragem de atravessar distâncias, enfrentar tempestades e desafiar o orgulho apenas para permanecer ao lado de quem fazia o coração bater mais forte. Hoje, a frase parece ter mudado de dono. Em muitos casos, tudo vale não para conquistar o amor, mas para conservar o poder. Esquecem-se os escrúpulos, a delicadeza, a verdade e até a compaixão. O sentimento cede lugar ao cálculo, e o afeto perde espaço para a conveniência. Talvez a maior pobreza do nosso tempo não seja a falta de amor, mas a inversão de seus valores. Quando o poder vale mais que o afeto, vence quem domina, mas todos perdem um pouco daquilo que nos torna verdadeiramente humanos.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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