
A FÉ DOS FIÉIS COMO MOEDA DE TROCA
Toda negociação envolve propostas, ofertas, recusas, concessões e, naturalmente, interesses. No mundo da política, especialmente em época eleitoral, esse jogo ganha contornos ainda mais curiosos quando os interlocutores são candidatos e líderes religiosos. Nessas conversas, o que estaria sobre a mesa? Promessas de obras, cargos, benefícios, apoio público, espaço de poder e compromissos para um futuro mandato. E, do outro lado, o que poderia ser oferecido? Para alguns, talvez, algo que não lhes pertence por direito: os votos dos fiéis. Afinal, voto não é mercadoria, embora certos acordos pareçam tratá-lo como tal. A fé, que deveria ser instrumento de esperança, solidariedade e consciência, pode acabar transformada em moeda de troca. O púlpito vira palanque, a orientação espiritual ganha ares de propaganda e o eleitor, em vez de cidadão livre, corre




