
PODER SEM ELEIÇÕES
Há países em que o poder se apresenta de terno, gravata e discurso institucional. Em outros, prefere permanecer nos bastidores, longe das urnas, mas suficientemente perto de quem assina decretos, aprova leis, define orçamentos e determina os rumos da economia. O Paraguai oferece à América Latina uma oportunidade de olhar para esse fenômeno e compreender uma velha questão: afinal, quem governa os países? Aqueles que recebem os votos ou aqueles que controlam o dinheiro? Não se trata apenas do Paraguai, tampouco de uma realidade exclusivamente latino-americana. Trata-se de um modelo de organização do poder no qual os mercados financeiros, os bancos, as fintechs, os fundos de investimento, os rentistas, as grandes corporações, as casas de apostas e outros segmentos econômicos procuram garantir que seus interesses estejam sempre protegidos, independentemente de




