ALERTANDO SEMPRE

A frase de Joseph Pulitzer atravessa o tempo como um aviso pregado na porta da história. Quando ele diz que uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público igualmente vil, não está apenas acusando os jornais de seu tempo. Está descrevendo um espelho. A imprensa que troca a verdade pela conveniência ensina o leitor a fazer o mesmo. A manchete exagerada educa para o exagero. A mentira repetida vira método. E o espetáculo substitui o fato. Com o tempo, o público passa a consumir indignação como quem compra pão fresco. Aprende a desconfiar de tudo, menos daquilo que confirma suas próprias paixões. E assim se fecha o ciclo: imprensa e sociedade, de mãos dadas, descendo o mesmo degrau moral. Pulitzer não falava só da imprensa. Falava de responsabilidade.

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SEM BATINA

Antigamente, bastava a batina para anunciar a autoridade do sacerdote. Ela vinha antes da palavra, antes do sermão, antes mesmo da bênção. Sem ela, era apenas mais um homem na praça, tentando convencer pelo discurso aquilo que antes impunha pela veste. Na política é parecido. O mandato funciona como a batina moderna: dá visibilidade, abre portas, multiplica cumprimentos e sorrisos. Com ele, o telefone toca. Sem ele, o silêncio ensina quem eram os amigos e quem eram apenas fiéis do cargo. Político sem mandato descobre, de repente, que precisa voltar a olhar nos olhos, reaprender a ouvir e, principalmente, a caminhar sem cortejo. Alguns aproveitam para refletir. Outros passam quatro anos tentando vestir novamente a “batina” do poder. Porque, no fundo, a vocação verdadeira não depende da roupa — mas

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SEM ÓDIO

O ódio na política é um erro que se fantasia de coragem. Há quem confunda grito com firmeza, ofensa com argumento, inimigo com adversário. E assim, pouco a pouco, a praça pública vira ringue, e o debate vira duelo. Na ânsia de destruir o outro, esquece-se de construir algo para todos. O ódio cega, simplifica, empobrece. Ele transforma divergências legítimas em guerras pessoais e faz da diferença um defeito moral. No fim, ninguém vence — perde a cidade, perde o mandato, perde a democracia. Política é confronto de ideias, não de ódios. O eleitor pode até aplaudir o discurso inflamado por um instante, mas é a serenidade que sustenta pontes. E sem pontes, resta apenas o abismo — e nele não há projeto que sobreviva.

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OS ALAGAMENTOS

Com o tempo aprendemos que determinadas ações públicas são apenas paliativas, jamais resolutivas. Gestões que infelizmente sempre estão acompanhadas de movimentações políticas eleitorais, as causas não são tão importantes quantas as soluções aparentes. É de conhecimento de muitos que o saneamento básico é relevante para a sobrevivência de uma população. No entanto não tem visibilidade e não rende votos. Cuida-se muito mais do asfalto, que é visto e reconhecido pelo eleitor. Cuida-se muito mais de praças, que rendem votos, Cuida-se … A própria medicina preventiva reconhece que na maioria das situações, é necessário cuidar das causas, para evitar os problemas. Ela atua de forma proativa para identificar riscos precocemente. Os alagamentos têm suas causas. Não são apenas as chuvas.

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ESTAÇÃO DA CONVENIÊNCIA

Começa o ano eleitoral e, como as chuvas de inverno na Amazônia, surgem também os oportunistas de plantão. Eles brotam nas esquinas, nas redes sociais, nos abraços apertados demais e nas promessas largas como rio em cheia. São figuras curiosas: passam três anos em silêncio sepulcral, mas bastam os primeiros rumores de candidatura para se tornarem especialistas em tudo — saúde, educação, infraestrutura e até em amizade antiga. Reaparecem com sorrisos ensaiados e discursos prontos, jurando lealdade eterna a quem estiver melhor posicionado nas pesquisas. No calendário deles, o ano só tem uma estação: a da conveniência. E enquanto o eleitor tenta separar proposta de fantasia, eles treinam a arte de estar sempre ao lado do provável vencedor.

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EMPODERAMENTO

Na política e na vida, há um conselho que deveria vir impresso nos manuais invisíveis da convivência: nunca empodere quem não aprendeu a ser grato. O ingrato é aquele que sobe nos seus ombros e, ao alcançar altura, esquece quem lhe serviu de escada. Pior: às vezes chuta a própria escada para provar independência. Confunde oportunidade com mérito exclusivo e apoio com obrigação. Na vida pública isso é ainda mais curioso. Há padrinhos que criam afilhados políticos, oferecem estrutura, discurso e até votos. Depois, assistem ao espetáculo da ingratidão em praça aberta, como se a memória fosse artigo de luxo. Empoderar é nobre. Confiar é grandeza. Mas discernir é sabedoria. Porque a gratidão pode até ser silenciosa, porém a ingratidão sempre faz barulho.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

Joseph Pulitzer

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