
EM NOME DE QUEM OU DE QUÊ?
Em nome de Deus já se fez muita patifaria. A frase, dita pelo ministro Gilmar Mendes durante uma discussão no plenário do Supremo Tribunal Federal, atravessa a sessão e parece ganhar vida própria. Não é apenas uma provocação de momento. É uma janela para a história — essa velha senhora que insiste em nos lembrar que a fé, quando colocada a serviço da disputa pelo poder, pode deixar de ser consolo para se transformar em justificativa. Ao longo dos séculos, homens ergueram espadas, atravessaram oceanos, conquistaram territórios e enfrentaram outros homens carregando estandartes religiosos. Muitas vezes, a linguagem de Deus serviu para dar aparência de missão ao que também era interesse, ambição ou domínio. É preciso separar, entretanto, a religião de seus usos políticos. A fé pertence ao universo íntimo




