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Pero Vaz de Caminha

O VITIMISMO NA DIFICULDADE

Há algo curioso no poder: quanto mais passageiro ele é, mais alguns acreditam que será eterno. Bastam uma cadeira, um cargo ou um título para que o narcisismo, a soberba e a arrogância ocupem o lugar da humildade. O que antes era diálogo transforma-se em imposição; o respeito dá lugar ao sentimento de superioridade. Mas o tempo, que não costuma fazer distinções, muda os cenários. E aqueles que ontem se julgavam intocáveis, quando enfrentam dificuldades, frequentemente vestem o manto do vitimismo. Esquecem a firmeza que exigiam dos outros e passam a pedir compreensão para si. Talvez a maior prova de caráter não esteja em como alguém exerce um poder temporário, mas em como trata as pessoas enquanto o possui — e em como enfrenta a própria queda quando o tempo

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Pero Vaz de Caminha

MISTURANDO COM PORCOS

Há provérbios que atravessam gerações porque continuam encontrando lugar na vida cotidiana. Um deles ensina: ‘Quem com os porcos se mistura, farelo come’. A sabedoria popular lembra que companhias, atitudes e escolhas acabam revelando muito sobre quem somos. À luz desse adágio, chama a atenção a postura do presidente norte-americano Donald Trump, frequentemente disposto a ofender nações e lideranças, como se sua própria trajetória estivesse livre de controvérsias e episódios nebulosos. A história, porém, costuma ser um espelho pouco complacente: antes de apontar o dedo para os outros, convém olhar para as próprias marcas. O velho provérbio permanece atual. A arrogância e a intolerância raramente produzem bons frutos. Por isso, vale o alerta: todo cuidado é pouco com as companhias e os exemplos que se escolhe seguir. Afinal, quem se

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Pero Vaz de Caminha

ELEITORADO QUER PROPOSTAS!

Há um curioso silêncio escondido no barulho da política brasileira. Enquanto os debates se transformam em arenas de ataques pessoais, muitos eleitores esperam ouvir algo bem mais simples: propostas. O cidadão comum acorda cedo, enfrenta filas, trânsito, contas e incertezas. Quando liga a televisão ou acompanha um debate, não procura descobrir quem gritou mais alto ou quem coleciona mais acusações. Quer saber como a saúde vai melhorar, como a educação será fortalecida, de onde virão os empregos e o que será feito para tornar a vida menos difícil. Os nomes mudam a cada eleição, mas os problemas insistem em permanecer. Talvez por isso o eleitor esteja cada vez mais cansado de disputas de ego e de discussões sobre a vida pessoal dos candidatos. O que realmente faz diferença é a

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NO BRASIL QUAL O VALOR PARTIDÁRIO?

De que valem tantos partidos políticos no Brasil? A pergunta ecoa a cada eleição. Na teoria, deveriam representar ideias, projetos de país e diferentes visões sobre o futuro. Na prática, para muitos eleitores, as siglas pouco dizem. Nas eleições proporcionais, o voto costuma seguir outro caminho. O eleitor escolhe a liderança que admira, o amigo, o conhecido ou aquele que acredita poder resolver seus problemas. O partido quase sempre fica em segundo plano, como um detalhe na urna. Enquanto isso, as legendas se multiplicam. Hoje, o Brasil reúne 23 siglas partidárias, muitas delas mais preocupadas em garantir espaço e sobreviver graças ao generoso Fundo Partidário do que em defender princípios que as diferenciem umas das outras. Talvez o maior desafio da democracia brasileira não seja criar novos partidos, mas fazer

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AMEAÇADA A CREDIBILIDADE DA FIFA

Quem mais perdeu nesta Copa do Mundo talvez não tenha sido uma seleção eliminada. Foi a própria FIFA. Durante décadas, construiu a imagem de uma entidade capaz de defender a autonomia do futebol acima de interesses políticos. Era, ao menos em teoria, a guardiã das regras e da independência do esporte. Mas bastou a conveniência bater à porta para que essa postura parecesse vacilar. Ao alterar sua posição para agradar ao presidente dos Estados Unidos — alguém sem histórico ou autoridade sobre o futebol mundial — a entidade transmitiu a impressão de que sua autonomia pode ceder diante do peso político. O futebol sempre sobreviveu a derrotas, goleadas e zebras. O que demora muito mais para ser recuperado é a credibilidade. E, quando a instituição que deveria proteger o jogo

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Pero Vaz de Caminha

FUTEBOL NÃO PRECISA DE INTIMIDAÇÕES

Houve um tempo em que a malandragem do futebol era feita com inteligência. Morava no drible inesperado, na finta desconcertante, no chapéu bem aplicado, na caneta que arrancava gargalhadas da arquibancada. O autor da arte sorria, o driblado se envergonhava por alguns instantes e o jogo seguia seu curso. A provocação era a beleza do lance, não a violência. Hoje, em muitos campos, a cena parece invertida. Gestos de intimidação, ofensas e faltas desleais são comemorados como se fossem demonstrações de coragem. O aplauso, que antes premiava a criatividade, agora muitas vezes recompensa o excesso. O futebol sempre foi feito de emoção e rivalidade, mas sua grandeza nasceu do talento, não da agressividade. A verdadeira malandragem era aquela que deixava o adversário perdido sem machucá-lo, que fazia a torcida levantar

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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