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Pero Vaz de Caminha

DISCURSO ANTIGO

Há um tipo de amor que aparece de quatro em quatro anos. É um amor declarado em voz alta, cheio de promessas, abraços e frases prontas. O candidato diz amar a região, conhecer cada rua, cada família, cada necessidade. O discurso soa antigo, repetido, como um roteiro que já perdeu a força. Hoje, palavras de afeto pela cidade, sem propostas claras e objetivas, convencem cada vez menos. O eleitor aprendeu a distinguir o entusiasmo do compromisso. Quando faltam ideias, planejamento e resultados, sobra espaço para declarações exageradas que podem transmitir mais artificialidade do que sinceridade. No fim, o verdadeiro amor por uma região não precisa de discursos longos. Ele aparece nas ações, na responsabilidade e na capacidade de apresentar soluções. Porque, quando o conteúdo falta, até o amor de palanque

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Pero Vaz de Caminha

COMPARANDO A POLÍTICA

Já disseram, com certa sabedoria, que política é como a maré: uma hora enche, outra hora vaza. À medida que 2026 se aproxima, alguns já navegam em águas altas, embalados pelo entusiasmo das pesquisas e dos aplausos; outros observam o barco encalhar na vazante, tentando explicar o inexplicável. Mas a política também se parece com a agricultura. Chega o tempo da colheita, e não adianta reclamar do resultado: quem plantou trabalho, respeito e compromisso tende a colher confiança. Quem semeou promessas vazias, oportunismo e esquecimento provavelmente colherá o que cultivou. Afinal, a terra pode até perdoar um inverno rigoroso, mas o eleitor costuma ter memória seletiva — e, às vezes, surpreendentemente fértil.

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Pero Vaz de Caminha

GARANTIA DE IMUNIDADE

Dizem que a democracia é o governo do povo. Em época de eleição, porém, alguns candidatos parecem acreditar que ela funciona como uma renovação de contrato. Entre discursos inflamados, promessas generosas e apertos de mão ensaiados, há quem faça campanha com uma motivação bastante peculiar: vencer para continuar protegido. Afinal, perder a eleição pode significar muito mais do que deixar um gabinete confortável. Para alguns parlamentares investigados, a derrota representa o fim da imunidade parlamentar — um detalhe que transforma a busca pelo voto em uma verdadeira corrida pela sobrevivência política. A reeleição, nesse caso, deixa de ser um reconhecimento do eleitor e passa a funcionar como uma espécie de garantia estendida: enquanto durar o mandato, permanece a sensação de que o prazo de validade dos problemas pode ser adiado.

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FABRICANDO PARA VALORIZAR

Há um tipo de fábrica que não aparece nos mapas industriais. Não produz aço, cimento ou alimentos. Sua matéria-prima é a conveniência, e seu produto mais lucrativo são as narrativas. Na administração pública, por exemplo, existe a velha conhecida “emergência”. Nem sempre nasce de uma enchente, de uma epidemia ou de uma tragédia. Algumas parecem surgir justamente quando o calendário aperta e a licitação atrapalha. A urgência fabricada transforma o excepcional em rotina e o improviso em método. O que deveria ser exceção passa a ser justificativa. Na política, especialmente em tempos de eleições, a linha de produção trabalha em ritmo acelerado. Fabricam-se impasses, divergências estratégicas e decisões que, muitas vezes, valem mais pelo efeito de mercado do que pelo conteúdo. O objetivo não é apenas decidir, mas elevar o

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LENA PINTO SEGUE CANDIDATA?

A saída do ex-deputado federal Nilson Pinto da presidência do Ideflor-Bio não surpreendeu os bastidores da política paraense. Era um desfecho que muitos já consideravam inevitável, diante das investigações em curso no órgão, intensificadas após uma operação que alcançou, inclusive, o município de Bragança. Enquanto um capítulo parece se encerrar, outro ainda permanece em aberto. As atenções agora se voltam para a possível candidatura de Lena Pinto, esposa de Nilson, à Câmara Federal pelo PSDB. Nos corredores da política, a informação que circula é de que o projeto eleitoral deve seguir adiante. Resta saber se os ventos dos acontecimentos recentes terão força para mudar esse roteiro.

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PROVIDÊNCIAS PARA O TURISMO

Nas férias, a estrada que liga a sede de Bragança às praias de Ajuruteua, no nordeste paraense ganha outro ritmo. Famílias, turistas e moradores seguem em busca do encontro com o mar, levando consigo expectativas de descanso e lazer. Mas, quando a noite chega, a viagem exige atenção redobrada. Nos trechos próximos às vilas de Acarajó e Bacuriteua, a iluminação insuficiente torna o percurso mais inseguro. É nesse momento que a sinalização vertical e horizontal deixa de ser apenas um detalhe da rodovia e passa a representar um importante aliado para quem dirige. Investir em uma sinalização mais eficiente é uma medida simples, mas capaz de amenizar as dificuldades enfrentadas pelos motoristas, orientar melhor o tráfego e contribuir para que o caminho até Ajuruteua seja lembrado apenas pela beleza da

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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