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Pero Vaz de Caminha

A DISSIMULAÇÃO CONTINUA

Há cadeiras que nunca ficam vazias. Quando alguém se levanta, deixa nelas um pedaço da própria vontade. O sucessor chega com novas ideias, mas descobre logo que a maior resistência nem sempre vem dos adversários. Muitas vezes, vem de quem ocupava o lugar antes. No poder, é quase impossível ao substituído aceitar, com serenidade, as decisões do substituto. O discurso público costuma ser elegante: desejam sucesso, falam em continuidade, elogiam a democracia ou o espírito de equipe. Nos bastidores, porém, cada mudança parece uma crítica silenciosa ao passado. Talvez por isso alguns repitam, com um sorriso bem ensaiado, que as palavras foram feitas para encobrir os pensamentos. E, enquanto os discursos prometem harmonia, o silêncio revela que a disputa pela cadeira continua, apenas sem plateia.

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Pero Vaz de Caminha

TRANSPARENTE CRIME ELEITORAL

Há quem diga que certas emendas parlamentares sem transparência são apenas um instrumento de gestão. Outros, porém, enxergam algo bem diferente. Para alguns analistas e juristas brasileiros, quando o dinheiro público percorre caminhos obscuros, sem critérios claros e sem fiscalização efetiva, a política deixa de servir ao cidadão e passa a alimentar interesses eleitorais. Na praça das opiniões, cresce a desconfiança de que recursos distribuídos sem transparência possam funcionar como uma forma indireta de conquistar apoio político e eleitoral. Se assim for comprovado em casos concretos, caberá à Justiça avaliar se houve violação da legislação, inclusive a prática de crimes eleitorais. A democracia não se fortalece com sombras. Ela exige luz sobre cada centavo gasto, porque transparência não é favor: é obrigação de quem administra recursos públicos.

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Pero Vaz de Caminha

PALAVRAS AO VENTO

Há discursos que nascem do calor do instante. São palavras moldadas pela emoção, pelo entusiasmo de quem fala e pelo encanto de quem ouve. No improviso, elogios costumam surgir com facilidade, como se fossem a forma mais rápida de agradecer ou reconhecer alguém. Mas toda exaltação pública carrega um efeito colateral. Ao colocar uma pessoa no pedestal, outras podem sentir que seu esforço foi esquecido. O brilho concentrado em um único nome, ainda que sem intenção, pode lançar sombras sobre muitos. O cuidado precisa ser ainda maior quando o homenageado ocupa ou pretende ocupar um espaço político. Um discurso espontâneo, repetido e divulgado, pode deixar de ser apenas um gesto de reconhecimento para se transformar em instrumento de propaganda eleitoral. Nesse momento, a emoção do improviso cede lugar às interpretações,

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APOIO DE HELDER PARA RAIMUNDÃO E CHICÃO

Na política, há encontros que falam mais do que longos discursos. Foi assim com a visita do ex-prefeito Raimundão, de Bragança, ao ex-governador Hélder Barbalho, em sua residência. Entre conversas, lembranças e projeções para o futuro, veio um gesto de prestígio: o pedido para que o povo bragantino, nas próximas eleições, eleja Raimundão como deputado estadual. A cena também guarda uma curiosidade. Raimundão e Chicão, pré-candidato ao Senado, compartilham a mesma origem: ambos nasceram em Cruzeiro do Sul, no Acre. O destino os trouxe ao Pará, onde construíram suas trajetórias públicas e hoje buscam escrever novos capítulos na história política do estado.

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ESPERANDO A ABERTURA DO COFRE

Antes de abrir as urnas, parece que o ritual é outro. Na política brasileira, a ansiedade ainda não gira em torno do voto, mas do cofre. Há quem acompanhe menos as propostas e mais o momento em que os recursos da campanha começam a circular. Os discursos seguem afinados, os sorrisos ensaiados e os apoios, curiosamente, aguardam um detalhe considerado decisivo: a abertura da carteira do candidato. No fim das contas, para alguns, a campanha só começa de verdade quando o cofre se abre. As urnas, essas podem esperar um pouco mais.

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Pero Vaz de Caminha

PARA AONDE FORAM ?

Há perguntas que atravessam os séculos sem nunca perder o mistério. Para onde vão aqueles que partem antes de nós? Terão seguido por um caminho invisível, por um outro plano, ou apenas mudado de paisagem, onde nossos olhos já não alcançam? Talvez o tempo, do lado de lá, não exista como o conhecemos. A natureza, afinal, parece ignorar relógios e calendários. Quem sabe o reencontro não dependa da cronologia, mas da eternidade — esse lugar onde o antes e o depois deixam de fazer sentido. Enquanto as respostas permanecem silenciosas, uma certeza nos acompanha: a saudade. Ela chega sem pedir licença, impregna a memória como um perfume persistente e faz da ausência uma presença discreta. É por ela que os que amamos continuam caminhando conosco, habitando lembranças, gestos e pequenos

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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