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Pero Vaz de Caminha

TERRORISMO DISFARÇADO DE PREVISÃO

Mal começa um novo governo e lá vêm eles: rentistas, bancos, especuladores e outros representantes do mercado financeiro anunciando suas previsões sombrias para a economia do ano seguinte. Inflação fora de controle, crescimento pífio, déficit, desconfiança e toda sorte de ameaças parecem compor um roteiro que se repete a cada mudança de governo. Não se trata de negar a importância das análises econômicas, muito menos de ignorar os riscos reais. A questão é perceber que previsões também podem servir a interesses. Afinal, quem ganha muito com juros elevados, com a dívida pública e com a especulação financeira pode não ter exatamente os mesmos interesses de quem vive do salário, produz, empreende e trabalha. Com a cumplicidade de setores da grande imprensa, muitas dessas projeções ganham manchetes, espaço nobre e aparência

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Pero Vaz de Caminha

ILUSÃO PROJETADA

A gente projeta o futuro como quem traça uma linha reta no papel: limpa, firme, sem borrões. Tudo parece caber ali — planos, certezas, datas marcadas. Mas o tempo, esse sujeito indisciplinado, gosta de dobrar a folha. De repente surgem as inconveniências. Pequenas no começo, quase educadas, pedindo licença para entrar. Depois se espalham: um imprevisto aqui, uma decepção ali, uma conta fora do orçamento, um silêncio onde antes havia promessa. Nada disso estava no projeto. E é nesse instante que o futuro deixa de ser desenho e vira construção de verdade. Porque só permanece de pé o plano que aprende a conviver com os desvios. O resto era ilusão bem-intencionada — bonita no papel, frágil na vida.

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Pero Vaz de Caminha

FATO INEVITÁVEL

Terminadas as eleições, começa um novo espetáculo, talvez o mais divertido da política: a formação do governo. É quando antigos adversários descobrem afinidades até então desconhecidas, velhos desafetos passam a se tratar como amigos de infância e alguns derrotados percebem, subitamente, que sempre estiveram do lado certo — só não tinham encontrado a porta de entrada. Mas a festa tem seu preço. A cada cargo anunciado, um novo aliado se aproxima e outro se afasta. O adversário de ontem chega sorridente, enquanto o companheiro de tantas batalhas sai de cara amarrada, perguntando-se para que serviram os discursos de fidelidade, as caminhadas debaixo de sol e as noites maldormidas na campanha. É a curiosa matemática do poder: ganha-se um apoio, perde-se uma amizade; conquista-se um secretário, perde-se um cabo eleitoral; amplia-se

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Pero Vaz de Caminha

DIVIDINDO O PODER

Há quem diga que o Poder não se divide. A afirmação, à primeira vista, parece traduzir uma verdade, sobretudo quando pensamos naqueles que desejam concentrar em suas mãos todas as decisões, vontades e destinos. Afinal, quem chega ao poder muitas vezes acredita que compartilhá-lo significa enfraquecer-se. Mas será mesmo assim? Numa democracia, o poder não precisa ser propriedade de alguém, tampouco instrumento de domínio pessoal. Ele deve ser distribuído, limitado e fiscalizado. É justamente dessa divisão que nasce o equilíbrio entre as instituições e a proteção contra os excessos de quem governa. Talvez a confusão esteja em não distinguir poder de autoridade. O poder pode até ser disputado, mas a autoridade legítima se fortalece quando respeita limites e reconhece outros poderes. A História nos ensina que o poder concentrado tende

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Pero Vaz de Caminha

FRENTISTAS E FRENTES

Quando um governo no Brasil anuncia a criação de uma “comissão” para resolver determinado problema, o cidadão já pode preparar o bolso e perder as esperanças. É quase uma confissão antecipada de que a solução não virá. Afinal, comissão é aquele lugar onde os problemas entram andando e saem de ata, relatório e, eventualmente, uma bela fotografia para o arquivo. Agora, os parlamentares também aderiram à moda, mas resolveram modernizar o vocabulário. Em vez de comissão, criam uma “frente”. Hoje há frente para quase tudo: para defender causas, combater problemas, promover ideias e, principalmente, demonstrar que alguém está fazendo alguma coisa. A diferença entre comissão e frente parece ser apenas semântica. O objetivo continua o mesmo: muita reunião, discursos inflamados, nomes pomposos e resultados discretos, quando não inexistentes. Aliás, uma

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Pero Vaz de Caminha

SEMPRE VIVENDO

Viver é participar. Sem participar a vida não tem sentido. Um sonho sem realizações, não passa de um simples sonho, ao acordarmos a realidade é outra. Os bons exemplos devem ser seguidos. Jesus embora de origem divina, em seu projeto na Terra, primeiro escolheu os seus apóstolos, para depois acompanhado deles peregrinar anunciando a sua obra. O momento é este. Conversando com os que acompanharão nosso sonho para que ele se torne uma realidade. Longe de nos comparamos a Jesus, mas apenas a certeza, que sou filho dele. Grato aos que já se manifestaram de uma forma ou de outra.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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