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Pero Vaz de Caminha

MUITO AMOR PRA DAR

Em Bragança na Pérola do Caeté a política parece ter memória — e também coração. Os discursos amorosos de hoje, cheios de promessas, abraços e palavras de carinho, lembram outros tempos e outros governadores, como Almir Gabriel, Ana Júlia e Jatene. Mudam os nomes, os palanques e as atitudes permanecem. A política, como o amor, gosta de repetir velhas juras com novas palavras. No fim, talvez a cidade já conheça esse roteiro de cor. E continue esperando que, desta vez, o amor declarado nos discursos vire compromisso de verdade.

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Pero Vaz de Caminha

REAPRESENTAÇÃO DO COLLOR NA GLOBO

Há discursos políticos que parecem sair de uma velha gaveta, ganhar nova embalagem e voltar à televisão como se ninguém tivesse memória. Na entrevista à Globo, Ronaldo Caiado apresentou ideias que, em alguns pontos, lembram o discurso de Fernando Collor em 1989: combater privilégios, enfrentar a corrupção e resolver problemas nacionais com soluções rápidas. Collor ficou conhecido como o “Caçador de Marajás”, prometendo combater os excessos do funcionalismo. A política virou espetáculo: frases de efeito, inimigos bem definidos e a promessa de que bastaria apertar alguns botões para colocar o país nos trilhos. Mais de três décadas depois, o roteiro parece ser familiar. Mudam os personagens e os slogans, mas permanece a tentação de tratar problemas complexos como se tivessem soluções simples. Corrupção, privilégios, inflação, ineficiência do Estado e desigualdade

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Pero Vaz de Caminha

DE ESTILINGUE À VIDRAÇA

Há quem se candidate não por servir, mas por vaidade. Na caminhada, estimulada pelos aplausos e pela promessa de poder, não percebe o perigo: quem hoje segura o estilingue pode amanhã estar atrás da vidraça. E, quando a pedra muda de direção, a vaidade já não protege ninguém. É procurar sarna para se coçar.

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Pero Vaz de Caminha

COMBUSTÍVEL EM FALTA

O que já era esperado começa a fazer água. Candidatura majoritária no Pará, ainda antes de ganhar corpo, já enfrenta a maré baixa do lastro financeiro. A conversa corre nas ruas e, como toda conversa que se preza, também navega pelos rios. O povo aumenta, observa e comenta — mas não inventa. Quando a embarcação não tem combustível para vencer a correnteza, até quem está na margem percebe. E, no Pará, as águas costumam revelar cedo quem sabe navegar e quem apenas ensaiou o embarque.

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Pero Vaz de Caminha

“PRA BOI DORMIR”

Não comovem muito as explicações de certos empresários que, em tom de conversa de botequim, contam como saíram da pobreza, venceram todas as dificuldades, dormiram em colchão de palha e, graças a uma força de vontade de fazer inveja a um tanque de guerra, chegaram ao pedestal da riqueza. A narrativa costuma vir completa: infância humilde, primeiro negócio com três moedas, muito trabalho, acordar cedo, dormir tarde e, sobretudo, uma fé inabalável no empreendedorismo. Em algum momento, porém, a história dá uma pequena escorregada: aparece um financiamento camarada, uma concessão, um contrato público, uma generosa desoneração, uma sociedade providencial ou aquele telefonema amigo de alguém que conhece alguém. É aí que entra o célebre “empurrãozinho”. Porque, convenhamos, no Brasil o sujeito pode até começar vendendo pastel na esquina e terminar

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Pero Vaz de Caminha

A VITÓRIA DO CÉREBRO

Ser oposição não significa ser mal-educado, muito menos ser violento. Discordar faz parte da democracia, mas saber discordar também é uma forma de inteligência. A história mostra que até nas guerras, muitas vitórias foram conquistadas mais pela estratégia do que pela força. Na política e na vida, não deveria ser diferente. Gritar pode chamar atenção, mas argumentos bem construídos podem mudar opiniões. Ser oposição é fiscalizar, questionar e apontar erros — sem perder o respeito. Afinal, quem tem boas ideias não precisa da violência para fazê-las vencer.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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