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Pero Vaz de Caminha

DE MALAS E CUIAS

Alguns deputados e prefeitos do Pará já estavam com as malas e as trouxas prontas para pular a cerca e atravessar para o outro lado, numa manobra que cheirava a traição política. Mas, eis que algo aconteceu na noite de domingo, após a declaração do presidente do TSE sobre o resultado das eleições presidenciais. O entusiasmo dos mais apressados deu lugar à cautela, e o passo atrás foi quase imediato. Parece que, de repente, descobriram que as cercas não eram tão fáceis de transpor: tinham arame farpado, e o risco de sair arranhado era grande. Na política, como se sabe, a coragem de muitos depende da direção dos ventos e, sobretudo, de quem parece estar ganhando a tempestade. Por enquanto, as malas voltaram para o canto, as trouxas continuam fechadas

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Pero Vaz de Caminha

FALTANDO ALTRUÍSMO

Será que falta altruísmo àqueles que não sabem aceitar a derrota em uma disputa? Na política, onde o interesse coletivo deveria prevalecer sobre as ambições pessoais, perder parece, para alguns, algo inadmissível. Incapazes de reconhecer a vontade da maioria, preferem alimentar a discórdia, contestar resultados e transformar o inconformismo em espetáculo. Recorrem, então, ao velho jus sperniandi, o suposto direito de espernear diante de uma derrota. Esperneiam, questionam, acusam e, muitas vezes, ignoram que toda disputa democrática pressupõe uma regra fundamental: saber ganhar, mas também saber perder. O problema não está em contestar, pois questionar é legítimo quando há fundamentos. O problema começa quando a contestação deixa de buscar a verdade e passa a servir apenas ao orgulho ferido de quem não aceita o resultado. Talvez seja justamente aí que

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JADER BARBALHO 82

A história transmite que todo líder, é amado ou odiado. É difícil encontrar unanimidade. O grande líder ultrapassa os tempos normais de duração na vida pública. Principalmente em um regime democrático. Não há o que discutir sobre a longeva liderança do atual senador Jader Barbalho, que amanhã 27/10 estará completando 82 anos de idade. Conseguindo quase todos os cargos eletivos existentes no Brasil. Cerca de 60 anos na vida política, perdeu apenas uma eleição. Para governador, quando Almir Gabriel conseguiu a reeleição. Nunca foi candidato a prefeito, nem a vice-presidente ou a presidente da República. Começou a carreira política como vereador de Belém do Pará. Um dos fundadores do PMDB, e nunca mudou de partido. Nossos parabéns, ao grande líder paraense.

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Pero Vaz de Caminha

O DIREITO DE DECIDIR

A grande diferença entre a democracia e a ditadura está no direito de escolher. Na democracia, o povo tem voz, tem vontade política e pode expressar suas opiniões, inclusive nas urnas, elegendo seus representantes ou retirando-lhes o apoio quando não correspondem às suas expectativas. Na ditadura, ao contrário, a vontade popular é sufocada pelo poder de poucos. O cidadão perde a liberdade de escolher, de contestar e, muitas vezes, até de falar o que pensa. A democracia não é perfeita, pois depende de escolhas humanas, que nem sempre são acertadas. Mas tem uma grande vantagem: permite corrigir os erros pelo voto, sem que seja necessário recorrer à força. Na democracia, o povo pode mudar os governantes; na ditadura, os governantes tentam impedir que o povo mude o rumo da história.

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Pero Vaz de Caminha

A MENTIRA REPETIDA NO NAZISMO

Há mentiras que, de tanto serem repetidas, começam a vestir a roupa da verdade. Não porque tenham adquirido fundamento, tampouco porque resistam ao confronto com os fatos, mas porque a repetição, quando bem calculada, tem o poder de anestesiar a dúvida e transformar o absurdo em algo familiar. E aquilo que se torna familiar, para muitos, acaba parecendo verdadeiro. A propaganda nazista compreendeu muito bem a força desse mecanismo. Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, tornou-se associado à ideia de que a repetição sistemática poderia moldar a percepção coletiva e servir aos interesses de um regime totalitário. Mais do que informar, a propaganda pretendia fabricar consensos, eleger inimigos e converter preconceitos em certezas. A mentira, nesse contexto, não era um deslize: era um instrumento de poder. O mais inquietante

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Pero Vaz de Caminha

O PODER PELA BAJULAÇÃO

Na trajetória de um político, há fatos curiosos que merecem ser observados com atenção. Um deles é o surgimento de certas figuras que, sem fazer muito barulho, começam a se aproximar. No início, apenas acompanham. Depois, abrem a porta do carro, carregam a pasta e se mostram sempre disponíveis. Não questionam, não discordam, não incomodam. Apenas ficam por perto. Com o tempo, a proximidade se transforma em influência. Já não se limitam a acompanhar a agenda: passam a organizar os compromissos, selecionar quem será recebido e até decidir quais assuntos merecem a atenção do chefe. Quando se percebe, o simples acompanhante tornou-se conselheiro, filtro e juiz das conveniências políticas. A intimidade cresce, os limites desaparecem e, em certos casos, o personagem conquista um poder que chega a ultrapassar o da

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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