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Pero Vaz de Caminha

O PARÁ NÃO PODE FICAR SEM FERROVIAS

Há algo de simbólico em um país do tamanho do Brasil ter tão poucos trilhos. Enquanto os Estados Unidos construíram uma das maiores redes ferroviárias do mundo, com mais de 220 mil quilômetros destinados principalmente às cargas, o Brasil possui cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias, também voltadas, em grande parte, para transportar minério de ferro e produtos agrícolas. E quando olhamos para o mapa brasileiro, a pergunta parece inevitável: como um país continental pode se contentar com tão poucas ferrovias? O trem não é apenas um meio de transporte. Ele encurta distâncias, movimenta riquezas, aproxima cidades e pode transformar regiões inteiras. No Brasil, porém, os trilhos parecem ter ficado sempre em segundo plano, como se o futuro pudesse esperar. No Pará, essa história tem um gosto ainda mais

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Pero Vaz de Caminha

VALE A PENA RELEMBRAR

Em 1963, o Brasil parecia viver com os nervos à flor da pele. Nas ruas, nos jornais e nos discursos políticos, cada palavra ganhava um peso enorme. O governo de João Goulart enfrentava uma forte oposição, enquanto diferentes grupos disputavam os rumos que o país deveria seguir. A imprensa tinha um papel central nesse cenário. Manchetes alarmistas, críticas ao governo e denúncias sobre a crise política ajudavam a aumentar o clima de insegurança. Ao mesmo tempo, movimentos sociais e setores populares defendiam reformas profundas, como a reforma agrária. Para muitos, era a esperança de um Brasil mais justo; para outros, era o sinal de que o país caminhava para o caos. O ambiente foi ficando cada vez mais dividido. O diálogo parecia perder espaço para a desconfiança, e a política

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Pero Vaz de Caminha

ESPETÁCULO DE SERVILISMO

Na vida pública, há sempre os que não apenas seguem o chefe, mas se antecipam a ele. São os subservientes de plantão, especialistas em transformar qualquer absurdo em virtude e qualquer erro em estratégia. Não medem esforços. Distorcem fatos, atacam adversários, inventam justificativas e, quando necessário, recorrem aos métodos mais espúrios. Tudo em nome da lealdade — embora, quase sempre, seja apenas interesse vestido de fidelidade. O curioso é que, quando o chefe muda de lado, eles mudam também. A convicção permanece intacta; só muda o dono. Na política, talvez não exista maior espetáculo de servilismo do que aquele em que alguém perde a própria dignidade para defender a dignidade de outro.

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Pero Vaz de Caminha

MUDANÇA RADICAL

Sempre gostei de futebol. Gostava daquele futebol que cabia numa tarde de domingo, numa bola velha, numa camisa do time e numa conversa interminável depois do jogo. Gostava da ansiedade antes de a bola rolar, do rádio ligado, do grito que escapava pela janela quando saía um gol. Futebol era paixão, memória, identidade. Era uma coisa que não precisava de explicação. A gente não torcia porque alguém havia feito uma pesquisa de mercado e descoberto nosso perfil de consumidor. Torcia porque o coração tinha escolhido um escudo. Com o tempo, alguma coisa mudou. O futebol deixou de ser apenas esporte e passou a ser, cada vez mais, um grande negócio. Os clubes viraram empresas, as camisas viraram vitrines ambulantes, os jogadores passaram a ser ativos financeiros, os campeonatos ganharam nomes

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Pero Vaz de Caminha

FALTA VISÃO

O que já foi dito em outro momento, hoje precisa ser reafirmado. Não por insistência, mas porque a realidade permanece diante de nossos olhos: ainda falta sensibilidade pública quando o assunto é a Amazônia. Fala-se muito da região. Fala-se de preservação, de desenvolvimento, de integração, de soberania. Discursos não faltam. O que parece faltar é um projeto político capaz de transformar palavras em caminhos — literalmente. É difícil compreender que, em uma região de dimensões continentais, com rios que atravessam territórios e possibilidades naturais de circulação, ainda não tenhamos uma política consistente para transportes mais adequados à realidade amazônica. Onde estão os grandes projetos de desenvolvimento por meio das hidrovias? Onde estão as ferrovias planejadas para integrar produção, cidades e mercados com menor impacto e maior eficiência? A Amazônia não

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Pero Vaz de Caminha

 A FINALIDADE É O PODER

Na política brasileira, há abraços que parecem apertados demais para serem sinceros. São encontros entre antigos adversários, inimigos de ontem que hoje dividem o mesmo palanque, o mesmo discurso e, às vezes, até o mesmo sorriso para a fotografia. Grande parte das candidaturas nasce com um objetivo muito claro: chegar ao poder. E, quando o poder está em jogo, algumas diferenças que pareciam inegociáveis tornam-se apenas detalhes. O antigo inimigo passa a ser chamado de aliado; a crítica feroz vira elogio estratégico; o passado, convenientemente, perde a memória. Não se trata de dizer que alianças são sempre erradas. A política exige diálogo, negociação e, muitas vezes, a convivência entre pensamentos diferentes. O problema aparece quando a busca pelo poder é maior que qualquer princípio — quando não importa quem esteja

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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