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Pero Vaz de Caminha

URUMAJÓ QUER UM REPRESENTANTE NA ALEPA

Augusto Corrêa, no nordeste paraense, ainda carrega no nome de hoje as lembranças de um tempo em que era conhecido como Urumajó. E, por ali, já começa a soprar um vento diferente: o município se anima com a possibilidade de, finalmente, ter um representante seu na Assembleia Legislativa do Pará. O nome que mais aparece nesse cenário é o da dentista Giordana Estrela, filha do atual prefeito. Outro nome que também desperta entusiasmo é o de Rodrigo Cunha, filho do ex-deputado estadual e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Pará, Luis Cunha. Ao lado das articulações municipais, começam a se desenhar também as escolhas para Brasília. Nesse tabuleiro, o prefeito Estrela manifesta apoio à candidatura de Jader Filho para deputado federal, compondo um cenário que promete movimentar

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DESTRUIÇÃO PELA SOBERBA

Na política, a ganância quase nunca caminha sozinha. Costuma vir acompanhada da soberba, daquela perigosa sensação de que o poder é permanente e de que determinadas cadeiras pertencem, por direito adquirido, a quem já está sentado nelas. Mas a política tem suas surpresas. Cada eleição escreve uma história diferente da anterior. O eleitor muda, as circunstâncias mudam, os grupos se reorganizam e, muitas vezes, aquilo que parecia sólido começa a apresentar rachaduras. É justamente nesse momento que a soberba pode se transformar em uma armadilha. No Pará, novas candidaturas começam a surgir com prestígio, força política e condições de montar estruturas competitivas para a próxima disputa eleitoral. São nomes que podem alterar o equilíbrio de forças e mostrar que ninguém é imbatível quando a urna está aberta. Por isso, qualquer

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REJEIÇÕES EM PESQUISAS

Analistas de pesquisas eleitorais parecem pensar, quase por unanimidade, da mesma maneira quando o assunto é rejeição. Em qualquer cenário de intenção de voto, o candidato menos conhecido costuma aparecer também como o menos rejeitado. Mas há uma sutileza importante: baixa rejeição não significa, necessariamente, boa avaliação. Pode significar simplesmente que o eleitor ainda não conhece o suficiente aquele candidato para rejeitá-lo — ou mesmo para escolhê-lo. É como julgar um livro pela quantidade de pessoas que disseram não gostar dele sem perguntar quantas, de fato, o leram. Na política, às vezes, o candidato menos rejeitado é apenas aquele sobre quem o eleitor ainda não formou opinião. Por isso, rejeição baixa pode ser virtude, mas também pode ser silêncio. E silêncio, em pesquisa eleitoral, não é necessariamente aprovação.

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SEM ESPAÇOS PARA AVENTURAS

Há campanhas que cabem no bolso; outras exigem que se abra a própria gaveta do impossível. Custear uma única candidatura à Câmara dos Deputados já é uma empreitada. Bancar uma disputa pelo governo do Estado é outra história — e, como se costuma dizer, outro patamar. Para governador, a conta sobe, a estrutura cresce e o risco de improviso desaparece. Não há espaço para aventura, nem para entusiasmo sem lastro. É preciso fôlego, organização e, sobretudo, saber que, nesse jogo, o preço de entrar não é o mesmo de apenas querer jogar. No governo, a disputa é mais embaixo — ou, melhor dizendo, infinitamente mais para cima.

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SEM OBEDIÊNCIA A PRINCÍPIOS PARTIDÁRIOS

Em Bragança, a política parece ter criado seu próprio calendário: o partido marca uma data da Convenção, mas os nomes escolhidos por alguns filiados são outros. Dos vereadores com mandato, apenas Cláudio da Van (PDT) e Gleidson Miranda (PT) apoiam Daniel Santos para o governo do Pará. Detalhe curioso: PDT e PT integram a coligação de Hana Ghassan (MDB). Gleidson, numa espécie de política à la carte, acompanha a chapa inteira — menos a candidatura ao governo. No fim, fica a velha lição da política brasileira: princípios partidários são importantes, claro. Mas, quando se trata de candidaturas, até a fidelidade partidária parece pedir licença.

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Pero Vaz de Caminha

POLÍTICA SEM CONTRAPONTO

Há políticos experientes que aprenderam uma nova regra do jogo: para quê enfrentar as perguntas incômodas das mídias tradicionais se é possível falar diretamente ao eleitor pelas redes sociais? Antigamente, uma entrevista no rádio, na televisão ou no jornal exigia disposição para ouvir perguntas, responder a críticas e, muitas vezes, sustentar um debate. Hoje, basta uma câmera, um celular e uma equipe afinada. Grava-se a mensagem, escolhe-se o melhor ângulo, publica-se e pronto. A política ganha filtros — e perde um pouco da conversa. As redes sociais deram aos políticos uma ferramenta poderosa: permitem escolher o que dizer, quando dizer e até para quem dizer. O eleitor recebe a mensagem, mas raramente vê o contraponto. O debate, que deveria ser parte essencial da democracia, acaba substituído pelo monólogo. Não se

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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