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Pero Vaz de Caminha

O USO DAS CARAPUÇAS

Ao perceber um reencontro, não pude deixar de pensar que ninguém é tão inimigo que, amanhã, não possa se tornar amigo. O inverso também é verdadeiro: há amizades que o tempo, os interesses e as circunstâncias transformam em inimizades. Afinal, assim caminha a humanidade, entre afetos, conveniências e mudanças de lado. Mas há reencontros que despertam mais desconfiança do que surpresa. Quando antigos adversários reaparecem lado a lado, sorridentes e aparentemente reconciliados, é inevitável perguntar: foi o coração que mudou ou apenas o interesse que mudou de endereço? Na política, sobretudo, as alianças parecem ter memória curta. O que ontem era ofensa, hoje pode virar aperto de mão; o que antes era acusação, amanhã pode ser chamado de parceria. E, nos bastidores, os conchavos pelo poder seguem seu curso, silenciosos,

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Pero Vaz de Caminha

AUSÊNCIA NOTADA

A carreata da oposição ao governo estadual, em Bragança, passou sem grandes novidades. Tudo dentro do roteiro que já se esperava: bandeiras, buzinas e três discursos em tons diferentes. Um falou em mudanças. Outro repetiu as ofensas de sempre, já conhecidas do público. O terceiro apresentou a velha equação de que, para um bom governo no Pará, é preciso também um senador forte. No fim, talvez o que mais tenha despertado curiosidade não tenha vindo dos discursos, mas de uma ausência: a do vereador Gleidson Miranda (PT). Em política, às vezes, quem não aparece também acaba fazendo parte da crônica.

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O FEDOR PERMANECE

Por onde estariam as autoridades competentes para encontrar uma solução daquilo que prejudica grande parte da população bragantina no nordeste do Pará? Por diversas vezes as reclamações e nenhuma vez a posição tomada. Principalmente no trecho da estrada que liga a sede do município até à vila do Bacuriteua. A fedentina é insuportável. Caminhões que transportam peixes vão deixando pelo leito da rodovia, água podre de restos dos pescados. Ela naturalmente corre para o pouco de acostamento que existe, indo para as valas, provocando um grande fedor que exala por toda a região.

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O PODER DA TRANSFORMAÇÃO

Muitas vezes somos obrigados a reconhecer que a política, especialmente durante uma campanha eleitoral, tem um estranho poder de transformação. O que ontem era ofensa, hoje pode aparecer como elogio; o que antes parecia absurdo, agora ganha a delicadeza das chamadas “palavras de amor”. Basta mudar o momento, o interesse ou o lado do palanque para que certas palavras também mudem de significado. Velhas críticas são esquecidas, antigas acusações perdem a força e, de repente, aqueles que se enfrentavam com dureza passam a trocar sorrisos e gentilezas. Talvez seja essa uma das maiores habilidades da política: transformar não apenas discursos, mas também a memória de quem os pronuncia e de quem os escuta. Convém, portanto, lembrar uma velha e sábia frase: “As palavras servem para disfarçar os pensamentos.”E, em tempos

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Pero Vaz de Caminha

AMNÉSIA PARCIAL

E a história continua, quase sempre com os mesmos personagens, ainda que mudem os figurinos, os discursos e, principalmente, as justificativas. Na conquista do poder, há promessas, gestos de grandeza e palavras cuidadosamente escolhidas. Fala-se em princípios, em justiça, em compromisso com o povo. O poder, porém, tem uma curiosa capacidade de alterar a memória de quem o alcança. Aos poucos, aquilo que antes parecia inaceitável passa a ser apenas “necessário”. O que ontem provocava indignação hoje recebe uma explicação. E o que seria impensável acaba sendo tratado como rotina. É uma espécie de amnésia parcial: não se esquece de tudo, apenas daquilo que incomoda. Esquecem-se as antigas críticas, as promessas feitas, os limites que se jurava respeitar. A memória torna-se seletiva, conveniente, quase um departamento particular da consciência. Na

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VENHA DE ONDE VIER…

Segundo analistas, as emendas parlamentares podem virar grandes cabos eleitorais nas próximas eleições. Nada como usar o dinheiro público para fortalecer a própria campanha — afinal, no Congresso, o “trabalhando em causa própria” parece ter virado política de Estado. E ainda mais o famoso fundo eleitoral entre outros penduricalhos para a campanha. Sem contar com as verbas mensais de gabinetes. Há quem diga que desta feita fica desproposital a diferença de enfrentamento com candidaturas sem estes privilégios. Bom momento para parodiar os versos iniciais da famosa canção “Cinderela” bastante cantada por Ângela Maria – “Venha de onde vier, chegue de onde chegar”

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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