
FABRICANDO PARA VALORIZAR
Há um tipo de fábrica que não aparece nos mapas industriais. Não produz aço, cimento ou alimentos. Sua matéria-prima é a conveniência, e seu produto mais lucrativo são as narrativas. Na administração pública, por exemplo, existe a velha conhecida “emergência”. Nem sempre nasce de uma enchente, de uma epidemia ou de uma tragédia. Algumas parecem surgir justamente quando o calendário aperta e a licitação atrapalha. A urgência fabricada transforma o excepcional em rotina e o improviso em método. O que deveria ser exceção passa a ser justificativa. Na política, especialmente em tempos de eleições, a linha de produção trabalha em ritmo acelerado. Fabricam-se impasses, divergências estratégicas e decisões que, muitas vezes, valem mais pelo efeito de mercado do que pelo conteúdo. O objetivo não é apenas decidir, mas elevar o




