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Pero Vaz de Caminha

RAÍZES DO PODER

Normalmente, os humanos reverenciam as árvores quando elas já estão frondosas, fortes e belas. Admiram a sombra, a imponência e os frutos, mas quase nunca se lembram das raízes que, silenciosamente, sustentaram todo aquele crescimento. As raízes ficam escondidas, enterradas, longe dos olhos. E, no entanto, sem elas, a árvore não se mantém de pé. Assim funciona a natureza. E assim também funciona a natureza humana. Há pessoas que só são lembradas quando alcançam o topo, quando conquistam prestígio, poder ou reconhecimento. Poucos, porém, se recordam daqueles que estiveram ao seu lado quando tudo ainda era apenas semente, quando os caminhos eram difíceis e os sonhos pareciam distantes. Na política, isso também acontece. Há quem, depois de chegar ao poder, passe a olhar para as próprias raízes como se elas

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O LEGADO DE CRISTO

Jesus deixou como legado a pregação do amor. Não um amor seletivo, reservado aos que pensam como nós, mas um amor que acolhe, perdoa, pacifica e rejeita a violência. Foi sobre esse princípio que se construiu a filosofia cristã. Por isso, uma pergunta incômoda precisa ser feita: por que algumas igrejas que professam o cristianismo apoiam e até indicam candidaturas políticas que fazem da violência, da intolerância e do confronto uma plataforma eleitoral? A política pode ser disputada com firmeza, ideias e convicções. Mas quando a violência passa a ser celebrada como virtude política, algo se perde no caminho. Não se trata de escolher entre direita ou esquerda. Trata-se de perguntar se o discurso e as práticas que apoiamos são compatíveis com aquilo que dizemos professar. Se Jesus pregou o

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POLÍTICA OU BLOCO NA RUA?

Aparentemente, as campanhas eleitorais podem estar perdendo, aos poucos, o uso natural da seriedade que uma candidatura requer. Não se trata de defender uma campanha sisuda, sem alegria ou sem entusiasmo. Mas há uma diferença entre conquistar o eleitor com simpatia e transformar a disputa eleitoral em um espetáculo de rua. Basta observar algumas passeatas e carreatas. De longe, já não se sabe muito bem se estamos diante de uma manifestação política ou de um desfile de bloco carnavalesco. A comissão de frente parece ensaiar passos de rock doido, enquanto os carros de som cumprem seu papel de trilha sonora. E, naturalmente, não poderia faltar o tradicional carro alegórico — agora motorizado, colorido e, às vezes, carregando mais animação do que propostas.  No meio do cortejo, as alas se movimentam.

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PIRÃO PERDE APOIO EM BRAGANÇA

As circunstâncias da política, sobretudo em período eleitoral, costumam produzir mudanças de rumo — e, às vezes, verdadeiros retornos ao passado. Em Bragança, o vereador Dr. Jonas Rodrigues (MDB), até então identificado com o apoio à reeleição do deputado estadual Zeca Pirão (MDB), passou a participar da campanha do ex-prefeito Raimundão (MDB), agora também candidato a deputado estadual. Os motivos da mudança não foram esclarecidos. Fica, porém, uma pergunta no ar: seria apenas uma nova escolha política ou um retorno a antigas alianças? O curioso é que, há pouco tempo, o próprio vereador promoveu, na Câmara Municipal de Bragança, uma honraria ao deputado Zeca Pirão. A política, como se vê, tem dessas ironias: hoje se entrega a homenagem; amanhã, muda-se o palanque. No fim, talvez a única coisa permanente na

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CONVERSA AGRADÁVEL

No point mais tradicional da cidade de Bragança, o Benquerença, na Pérola do Caeté, a conversa corria solta quando o ex-deputado Joércio Barbalho foi abordado por um antigo correligionário: — Deputado, o senhor não vai participar das eleições deste ano? A resposta veio rápida, sem rodeios: — Claro que sim. Veja bem: não sou mais obrigado a votar, mas vou votar para cumprir o meu dever de cidadão. A frase encerrou a dúvida e abriu espaço para o gesto que dispensa discursos. Os dois se abraçaram efusivamente, como quem celebra não apenas a política, mas também os velhos laços de amizade e companheirismo.

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CAMPANHAS DA MÍDIA

Na política brasileira, a história já mostrou mais de uma vez a força de uma manchete. Grandes líderes foram lançados ao centro de campanhas midiáticas intensas, cercados por denúncias de corrupção que, em alguns casos, pareciam carregar consigo uma sentença antes mesmo que os fatos fossem devidamente esclarecidos. Alguns caíram. Outros passaram anos tentando provar que aquilo que havia sido apresentado ao público como verdade não correspondia à realidade. E há uma ironia dolorosa nesse processo: quando uma acusação ocupa páginas de jornais, abre telejornais e domina as conversas, ela ganha uma dimensão gigantesca. Quando vem a correção, a absolvição ou a descoberta de que a denúncia não se sustentava, a notícia muitas vezes chega silenciosa, quase pedindo licença. É como se a política tivesse duas velocidades: a velocidade da

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

Joseph Pulitzer

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