Não comovem muito as explicações de certos empresários que, em tom de conversa de botequim, contam como saíram da pobreza, venceram todas as dificuldades, dormiram em colchão de palha e, graças a uma força de vontade de fazer inveja a um tanque de guerra, chegaram ao pedestal da riqueza. A narrativa costuma vir completa: infância humilde, primeiro negócio com três moedas, muito trabalho, acordar cedo, dormir tarde e, sobretudo, uma fé inabalável no empreendedorismo. Em algum momento, porém, a história dá uma pequena escorregada: aparece um financiamento camarada, uma concessão, um contrato público, uma generosa desoneração, uma sociedade providencial ou aquele telefonema amigo de alguém que conhece alguém. É aí que entra o célebre “empurrãozinho”. Porque, convenhamos, no Brasil o sujeito pode até começar vendendo pastel na esquina e terminar