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Pero Vaz de Caminha

RECIPROCIDADE JUSTA!

Em uma campanha eleitoral, há um erro que costuma custar caro: desprezar quem um dia foi deixado de lado. Os aliados temporários chegam cercados de abraços, fotografias e promessas. Estão por perto enquanto lhes convém. Já os desprezados carregam outra força: a memória. Eles não esquecem o silêncio, a porta fechada, o olhar de indiferença. E, quando encontram uma causa, tornam-se difíceis de deter. São como as trombetas de Jericó. Não precisam de exércitos numerosos; basta que soprem juntas para fazer ruir fortalezas que pareciam eternas. Por isso, em política, é preciso aprender uma velha lição: quem despreza pessoas não deve se surpreender quando for desprezado por elas. O voto de quem se sentiu ignorado pode valer mais do que dezenas de palmas de aliados circunstanciais. No fim, toda fortaleza

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Pero Vaz de Caminha

PRODUTOS NAS GÔNDOLAS

Como produtos em supermercados assim se torna a política brasileira. Os atuais presidenciáveis agem como lançamentos de novas linhas promocionais de mercadorias, expostas nas gôndolas. Pouco sabemos do conteúdo, apenas dá pra ver a pomposa embalagem. Não dá pra perceber a eficácia e muito menos os efeitos colaterais. A aceitação do produto está na relação direta da massiva publicidade e nada mais. Como nas organizações Tabajara, resolvem qualquer problema, sem demonstração da verdadeira atuação. A fórmula nem pensar. Todos são de amplo espectro e pouca profundidade.

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Pero Vaz de Caminha

CAMINHAR DA HISTÓRIA

Sempre é bom relembrar a história. Hitler chegou ao poder na Alemanha, através do Partido Nacional Socialista, e com uma filosofia ‘ultra-patriota’. Os nacionais socialistas ficaram conhecidos como nazistas. Governou com uma propaganda sistemática e repetitiva do patriotismo alemão. Na mesma época o Brasil viveu algo semelhante com o integralismo do paulista Plínio Salgado que fundou e liderou a Ação Integralista Brasileira, partido de extrema direita inspirado nos princípios do movimento fascista italiano, mas que não chegou ao poder. O fascismo italiano iniciou na Europa 10 anos antes do nazismo na Alemanha. Tanto o nazismo como fascismo se aproveitaram de uma situação conturbada nos dois países. Eram movimentos autoritários nacionalistas, que usaram as reclamações e anseios da classe média, logo após a primeira guerra mundial.

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Pero Vaz de Caminha

CONTINUA O DESCRÉDITO NAS PESQUISAS

Outra vez, as pesquisas eleitorais brasileiras parecem ter cumprido um papel que vai muito além de tentar descobrir o que o eleitor realmente pensa. Em vez de fotografia, muitas vezes viraram propaganda; em vez de termômetro, acabaram funcionando como incentivo para um lado ou desânimo para outro. Durante a campanha, números eram apresentados com a solenidade de uma previsão científica, mas a realidade insistia em escapar das tabelas, das margens de erro e dos gráficos coloridos. O eleitor, enquanto isso, assistia à disputa como quem acompanha uma corrida na qual os comentaristas parecem saber o vencedor antes mesmo da largada. No fim, ficou a impressão de que se acertou pouco — e, quando se acertou, foi quase sempre depois que os fatos já estavam diante de todos. Talvez o problema

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Pero Vaz de Caminha

MIRANDO A PREFEITURA

Mal termina uma eleição e a política, como quem não consegue ficar parada, já trata de arrumar a próxima. Em Bragança, no nordeste paraense, ainda se fala nos resultados da disputa para o Parlamento, enquanto, nos bastidores, algumas lideranças já começam a mirar um endereço bem conhecido: a Prefeitura. A eleição presidencial ainda nem teve seu último capítulo encerrado, mas por aqui parece que alguns políticos já estão lendo outro calendário. E nele, a data em destaque é 2028. Os resultados da disputa parlamentar deram combustível novo às conversas. Votos, desempenho eleitoral e capacidade de mobilização passaram a ser ingredientes de uma receita que, em política, costuma produzir especulações: quem tem grupo? Quem tem voto? Quem tem estrutura? E, principalmente, quem estaria disposto a entrar na briga? É claro que

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Pero Vaz de Caminha

TRANSFORMAÇÃO

Segundo Lavoisier, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Na política brasileira, a velha tese científica parece ter encontrado um novo laboratório. O PSDB, durante muito tempo, ficou conhecido como o partido da dubiedade: entre o discurso e a prática, entre ser oposição e ser governo, entre criticar e, depois, fazer quase o mesmo. Aos poucos, foi perdendo espaço, força e protagonismo. Agora, a impressão é de que o MDB caminha para ocupar esse lugar. Um partido que já teve verdadeira liderança nacional parece ter perdido parte de sua identidade e passou a acompanhar justamente pensamentos e comportamentos que, em outros tempos, criticava nos tucanos. Na política, porém, nada desaparece de verdade. O poder apenas muda de endereço, a ambiguidade troca de legenda e o discurso

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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