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Pero Vaz de Caminha

QUE CRISE É ESTA?

É difícil acreditar que, em meio a tantas dificuldades enfrentadas pela população, deputados da Alepa — Assembleia Legislativa do Estado do Pará — estejam articulando a criação de um projeto para aumentar o valor das emendas parlamentares estaduais. A notícia provoca, no mínimo, uma reflexão. Afinal, quantas vezes ouvimos falar em crise? Falta dinheiro para a saúde, a educação precisa de investimentos, a segurança pública exige atenção e tantas famílias lutam diariamente para fechar as contas no fim do mês. Mas, curiosamente, quando o assunto são os recursos destinados aos próprios parlamentares, parece surgir uma disposição especial para encontrar caminhos e ampliar valores. É claro que as emendas parlamentares podem ser instrumentos importantes para atender às necessidades dos municípios e da população. A questão não é a existência delas, mas

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Pero Vaz de Caminha

VOLTANDO ENTRE OS GIGANTES

O Brasil parece viver uma eterna dança entre o potencial e a realidade. De tempos em tempos, surge uma notícia que reacende o orgulho nacional e nos faz olhar para o futuro com um pouco mais de esperança. Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), o país poderá voltar a ocupar, em 2027, o posto de oitava maior economia do mundo, ultrapassando Rússia e Itália. Não é pouca coisa. Afinal, o Brasil já chegou à sétima posição em 1995 e entre 2010 e 2014, tempos em que o país também alimentava grandes expectativas. Agora, a possibilidade de subir novamente no ranking desperta a lembrança de que somos uma nação de imensas riquezas, de um povo trabalhador e de oportunidades que parecem nunca se esgotar. O desafio, porém, é fazer com

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Pero Vaz de Caminha

HORA DA COBRANÇA

Na política, poucas expressões são tão conhecidas quanto a famosa – “é dando que se recebe”. Em nome da governabilidade, alianças são construídas, apoios são negociados e compromissos são assumidos. Muitas vezes, quem chega ao poder já traz consigo uma lista de dívidas políticas contraídas durante a campanha eleitoral. O mesmo acontece na formação da nova administração. Cargos são distribuídos, espaços são concedidos e aliados são acomodados, nem sempre levando em conta a competência ou o interesse público. Afinal, é preciso pagar as contas de quem ajudou a chegar lá. O problema começa quando a troca de favores se torna mais importante do que o compromisso com a população. Governar exige diálogo e alianças, mas não deveria significar transformar a máquina pública em moeda de negociação. No fim das contas,

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Pero Vaz de Caminha

CIRCUNSTÂNCIAS EXIGEM ESCOLHAS

Na política, como na vida, nem toda promessa feita hoje resiste ao tempo. Um apoio anunciado para uma eleição ainda distante pode representar um sonho alimentado pela esperança, um gesto eufórico momentâneo ou, simplesmente, o desconhecimento de que a política não se constrói apenas com palavras. O tempo muda os cenários, as circunstâncias alteram os planos e os atropelos do caminho redefinem alianças que pareciam sólidas. O que hoje é compromisso, amanhã pode ser dúvida; o que hoje aproxima, amanhã pode separar. A política é uma construção permanente, feita de interesses, conveniências, lealdades e oportunidades. Por isso, promessas distantes devem ser recebidas com serenidade, sem desprezo, mas também sem ilusões. Afinal, entre o que se diz e o que realmente acontece existe um longo caminho, onde muitas vezes a realidade

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Pero Vaz de Caminha

PASSADO VOLTANDO AO PRESENTE

Pelo andar da carruagem, ou melhor, pela composição da equipe de transição do novo governo paraense, a impressão que fica é a de que a tão esperada mudança pode não passar de uma troca de cadeiras no velho salão da política. Para alguns analistas, os primeiros sinais apontam para algo que o Pará conhece bem: o retorno de antigos protagonistas, velhas alianças e figuras ligadas ao poder tucano, como se o passado estivesse apenas aguardando uma nova oportunidade para voltar ao presente. Afinal, mudar o governo não significa, necessariamente, mudar a política. O discurso pode até vir revestido de renovação, mas são as escolhas, os nomes e os compromissos que revelam o verdadeiro rumo de uma gestão. Se a transição já anuncia a presença de velhos conhecidos, cabe perguntar: estamos

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Pero Vaz de Caminha

A ‘BALA DE PRATA’ EM BRAGANÇA

Depois do escândalo do Ideflor-Bio, já escancarado na imprensa, a nova “bala de prata” da política bragantina parece ter nome e endereço: Usina da Paz. A cada temporada, surge uma nova promessa, um novo projeto e, sobretudo, uma nova oportunidade de capitalizar politicamente as ações do governo estadual, inclusive como já aconteceu em governo passado. Nos bastidores, porém, a disputa parece ir além dos benefícios que esses investimentos podem trazer à população. A corrida pelo “ouro” político já movimenta peças, aproxima antigos adversários e desperta a disposição de alguns em oferecer ao governador eleito do Pará não apenas apoio, mas até o próprio partido e, simbolicamente, o mandato parlamentar. Em Bragança, a pergunta que fica é simples: a Usina da Paz continuará sendo tratada como uma política pública para transformar

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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