ACONTECENDO EM BRASÍLIA

Na política, quando o vento começa a soprar contra, acontece um fenômeno curioso: os jovens estrategistas, cheios de gráficos e slogans modernos, dão um passo atrás e alguém lembra dos mais velhos. Aqueles que já viram muitas urnas se abrirem e muitas promessas se dissolverem. No prenúncio da derrota, são convocados como quem chama um velho marinheiro para atravessar uma tempestade. Não porque o mar vá obedecer, mas porque eles sabem ler as nuvens, sentir o vento e, sobretudo, reconhecer quando o barco já está fazendo água. E então reaparecem nos bastidores: aconselham, ajustam o tom dos discursos, pedem calma, sugerem caminhos que já deram certo — ou ao menos já fracassaram antes. Na política, a experiência quase sempre chega tarde… mas nunca deixa de ser chamada quando a derrota

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PODER OCULTO

No Brasil, muita gente acredita que o poder mora apenas nos prédios de Brasília. Mas, se a gente observa com calma, percebe que existe algo maior, mais silencioso, quase invisível: o “sistema”. Ele não aparece em campanha eleitoral, não pede voto e raramente dá entrevistas. Ainda assim, parece sempre presente, guiando decisões, influenciando caminhos e mantendo certas regras do jogo que poucos realmente entendem. O curioso é que o sistema não tem rosto único. Às vezes se manifesta em interesses econômicos, outras em burocracias antigas, alianças discretas ou acordos feitos longe das câmeras. Enquanto os governos mudam e os discursos se renovam, ele continua ali — discreto, persistente. Talvez por isso tanta gente sinta que o Brasil muda devagar. Porque, no fundo, mais do que os governantes visíveis, existe uma

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VISITAS INESPERADAS

Ano eleitoral tem dessas coisas curiosas que só quem vive no interior do estado entende bem. De repente, numa manhã qualquer, quando o café ainda está coando e a casa nem terminou de acordar, aparece um carro levantando poeira na rua. Desce um pré-candidato sorridente, acompanhado de dois ou três assessores, como se estivesse chegando na casa de um velho amigo. Ninguém convidou, mas a visita vem cheia de cordialidade. Aperto de mão, tapinha no ombro, promessa de voltar mais vezes. E, claro, sempre surge o pedido quase tímido — ou já bem ensaiado: “Tem um cafezinho quente aí?” No interior, negar café é quase pecado social. Então a dona da casa corre para a cozinha, coloca mais água no fogo e logo a conversa se espalha pela varanda: estrada,

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UNIÃO SEM SALVADOR

De tempos em tempos, o Brasil parece entrar no mesmo ciclo: a esperança depositada em um “salvador da pátria”. Surge alguém prometendo resolver todos os problemas, acabar com a corrupção, transformar a economia e reorganizar o país quase como num passe de mágica. O discurso é forte, cheio de promessas e certezas. Mas a história já mostrou que, quando se trata de governar um país complexo como o Brasil, milagres não existem. O Brasil não precisa de heróis solitários. Precisa de gestão, diálogo e maturidade política. Um país continental, diverso e cheio de desafios não se conduz com frases de efeito ou soluções simplistas. Ele exige planejamento, experiência administrativa e, principalmente, capacidade de unir pessoas diferentes em torno de objetivos comuns. O problema é que a ideia do “salvador” costuma

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A DECÊNCIA

“Velho, sim. Velhaco, não’’- A frase de Ulysses Guimarães atravessou o tempo como um recado direto à consciência pública. Na época, era resposta a quem confundia idade com fraqueza e experiência com atraso. Hoje, porém, ela parece ecoar em outro sentido. Nos dias atuais, o problema já não é apenas a idade de quem está no poder, mas a integridade. Há jovens velhacos e velhos dignos; há discursos modernos que escondem práticas antigas. A frase continua atual porque lembra algo simples: o caráter não envelhece — ou se tem, ou não se tem. Num tempo de redes rápidas e memórias curtas, a política muitas vezes troca a verdade pela conveniência. Por isso, repetir “velho, sim; velhaco, não” é mais do que defender a honra de um homem. É cobrar de

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O MESMO PELO MESMO

Sem dúvidas, a história repete fatos. Depois de um bem avaliado governo, o mineiro Juscelino Kubitschek, passou a faixa presidencial ao paulista Jânio Quadros. Este renunciou com poucos meses no mandato e assumiu o gaúcho João Goulart. O Brasil entrou em crise política. O retorno de Juscelino ao governo era inevitável. As eleições presidenciais se aproximavam e a imprensa brasileira temia a vitória do mineiro. Diante do fato quase consumado veio o golpe militar, apoiado por grande parte da imprensa, empresários gananciosos e pela ferrenha oposição, principalmente o jornalista carioca Carlos Lacerda. Há quem diga que com apoio até do próprio Juscelino. Assim caminha a história política brasileira. Não custa lembrar que na época havia também uma enorme intromissão dos Estados Unidos em quase todos os países das Américas, com

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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