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Pero Vaz de Caminha

MUDANDO PARA O NOVO GOVERNO

Não adiante qualquer manifestação de espanto. Na política paraense, certas cenas se repetem com a pontualidade de uma maré que sobe e desce. A esta altura, dizem que vários parlamentares ligados ao atual governo no Pará já ensaiam conversas com o grupo que deverá comandar o Estado a partir de janeiro. Na Assembleia Legislativa, a mudança de ventos costuma ser percebida antes mesmo de qualquer anúncio oficial. Não é novidade. Em outras épocas, quando um governo chegava ao fim e outro se preparava para assumir, também houve quem mudasse de posição, de discurso e, às vezes, até de convicção com uma velocidade impressionante. O que ontem parecia definitivo tornava-se, de repente, apenas uma fase. Na política, há quem chame isso de pragmatismo. Outros preferem dizer sobrevivência. E há ainda os

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Pero Vaz de Caminha

NOTÍCIA ALVISSAREIRA PARA BRAGANÇA

Há notícias que chegam como um sopro de esperança, especialmente quando anunciam que aquilo que parecia esquecido começa a ganhar vida novamente. É o que acontece em Bragança, a querida Pérola do Caeté, onde os dirigentes da AABB estão a todo vapor na reconstrução da sede que, por algum tempo, permaneceu abandonada. A iniciativa merece aplausos. Mais do que recuperar um espaço físico, a Associação Atlética do Banco do Brasil parece enxergar o potencial de Bragança para o lazer, o esporte, a convivência e, sobretudo, para o turismo. Afinal, um município com tanta história, cultura, paisagens e tradição também precisa de espaços que acolham visitantes e ofereçam qualidade de vida à sua gente. A AABB faz parte de uma ampla rede de clubes sociais espalhados pelo país. Criada originalmente para

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Pero Vaz de Caminha

RECIPROCIDADE JUSTA!

Em uma campanha eleitoral, há um erro que costuma custar caro: desprezar quem um dia foi deixado de lado. Os aliados temporários chegam cercados de abraços, fotografias e promessas. Estão por perto enquanto lhes convém. Já os desprezados carregam outra força: a memória. Eles não esquecem o silêncio, a porta fechada, o olhar de indiferença. E, quando encontram uma causa, tornam-se difíceis de deter. São como as trombetas de Jericó. Não precisam de exércitos numerosos; basta que soprem juntas para fazer ruir fortalezas que pareciam eternas. Por isso, em política, é preciso aprender uma velha lição: quem despreza pessoas não deve se surpreender quando for desprezado por elas. O voto de quem se sentiu ignorado pode valer mais do que dezenas de palmas de aliados circunstanciais. No fim, toda fortaleza

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PRODUTOS NAS GÔNDOLAS

Como produtos em supermercados assim se torna a política brasileira. Os atuais presidenciáveis agem como lançamentos de novas linhas promocionais de mercadorias, expostas nas gôndolas. Pouco sabemos do conteúdo, apenas dá pra ver a pomposa embalagem. Não dá pra perceber a eficácia e muito menos os efeitos colaterais. A aceitação do produto está na relação direta da massiva publicidade e nada mais. Como nas organizações Tabajara, resolvem qualquer problema, sem demonstração da verdadeira atuação. A fórmula nem pensar. Todos são de amplo espectro e pouca profundidade.

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CAMINHAR DA HISTÓRIA

Sempre é bom relembrar a história. Hitler chegou ao poder na Alemanha, através do Partido Nacional Socialista, e com uma filosofia ‘ultra-patriota’. Os nacionais socialistas ficaram conhecidos como nazistas. Governou com uma propaganda sistemática e repetitiva do patriotismo alemão. Na mesma época o Brasil viveu algo semelhante com o integralismo do paulista Plínio Salgado que fundou e liderou a Ação Integralista Brasileira, partido de extrema direita inspirado nos princípios do movimento fascista italiano, mas que não chegou ao poder. O fascismo italiano iniciou na Europa 10 anos antes do nazismo na Alemanha. Tanto o nazismo como fascismo se aproveitaram de uma situação conturbada nos dois países. Eram movimentos autoritários nacionalistas, que usaram as reclamações e anseios da classe média, logo após a primeira guerra mundial.

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CONTINUA O DESCRÉDITO NAS PESQUISAS

Outra vez, as pesquisas eleitorais brasileiras parecem ter cumprido um papel que vai muito além de tentar descobrir o que o eleitor realmente pensa. Em vez de fotografia, muitas vezes viraram propaganda; em vez de termômetro, acabaram funcionando como incentivo para um lado ou desânimo para outro. Durante a campanha, números eram apresentados com a solenidade de uma previsão científica, mas a realidade insistia em escapar das tabelas, das margens de erro e dos gráficos coloridos. O eleitor, enquanto isso, assistia à disputa como quem acompanha uma corrida na qual os comentaristas parecem saber o vencedor antes mesmo da largada. No fim, ficou a impressão de que se acertou pouco — e, quando se acertou, foi quase sempre depois que os fatos já estavam diante de todos. Talvez o problema

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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