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Pero Vaz de Caminha

APENAS VONTADE DE VOLTAR

Na política paraense, a memória costuma ser seletiva. Há quem hoje escreva críticas severas, mas que, não faz muito tempo, ocupava lugar confortável sob a sombra de outros governos. Para alguns conhecedores desse cenário, o tom inflamado não revelaria exatamente preocupação com o interesse público, e sim uma conhecida “dor de cotovelo” — ou a saudade das benesses que um dia acompanharam a proximidade do poder. É uma leitura que circula nos bastidores, embora esteja longe de representar um consenso. Afinal, não se trata de uma avaliação coletiva, mas de percepções estritamente pessoais de quem observa a política com suas próprias lentes. Nessa arena, cada narrativa encontra seus defensores, e cada crítica carrega, além das palavras, a história de quem a escreve.

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FORÇA POLÍTICA SEM CARGO

A política tem uma estranha semelhança com a lendária Fênix. Quando todos acreditam que determinada liderança foi reduzida às cinzas pelo tempo, pelas urnas ou pelas circunstâncias, eis que ela ressurge, às vezes ainda mais forte. Não porque o poder nunca tenha sido perdido por completo, mas porque a influência raramente desaparece na mesma velocidade com que se deixa um cargo. A saída do poder costuma ser interpretada como o fim de uma trajetória. Entretanto, a história política mostra que, muitas vezes, trata-se apenas de uma mudança de posição no tabuleiro. Longe dos holofotes, antigos líderes continuam articulando, aconselhando, construindo alianças e preservando capital político. A ausência física do cargo pode até ampliar a liberdade para agir nos bastidores. É justamente nesse ponto que a tese da Fênix encontra sentido.

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FIDELIDADE INEQUÍVOCA

Dito por um humorista, até serve para tempos de campanha no Pará: ‘Otário é sapo. Tem quatro pernas e anda pulando’. Na política, porém, o pulo costuma ser de um palanque para outro. É o que os bastidores de Bragança dão a entender. A candidatura de Lena Pinto (PSDB) à Câmara Federal parece ter perdido fôlego na região. Com o balão esvaziando, alguns de seus apoiadores já estariam de malas prontas — ou melhor, de bandeiras e santinhos na mão — para embarcar na campanha de outro candidato. Em época eleitoral, fidelidade costuma durar até a próxima pesquisa ou a próxima conveniência.

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EM QUEDA LIVRE

É possível observar, a olho nu, o definhamento de algumas pré-candidaturas aos cargos majoritários no cenário político paraense. Como folhas que perdem o viço antes mesmo da chegada do verão, certos projetos eleitorais parecem enfraquecer antes de ganhar as ruas. Entre articulações de bastidores, cálculos partidários e a percepção do eleitorado, nomes que antes despertavam expectativas agora enfrentam dificuldades para manter o mesmo entusiasmo. Na política do Pará, como em um rio de marés imprevisíveis, nem toda embarcação que parte com destaque consegue manter o rumo até o destino final.

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APOIADORES DO RAIMUNDÃO?

A pergunta que Pero Vaz de Caminha não sabe responder — Afinal, quais vereadores vão apoiar Raimundão para deputado estadual e quais são apenas bafonias enganosas? Dizem que Caminha já tentou responder. Consultou búzios, ouviu conversas de corredor, tomou café em esquina política e até espiou as redes sociais. Mas desistiu. Na política, entre o abraço público e o voto de bastidor existe um oceano maior que o Atlântico que ele atravessou. O certo é que o ex-prefeito de Bragança no Pará, Raimundão segue construindo sua pré-candidatura a deputado estadual, cercado por aliados e especulações. Enquanto isso, nos salões, nas calçadas e nos grupos de WhatsApp, a lista dos apoiadores cresce e diminui na velocidade do vento do Caeté. Tem vereador que aparece em foto, mas não garante palanque. Tem

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Pero Vaz de Caminha

SOMENTE ARRANCADA

A cada campanha eleitoral brasileira, as pesquisas revelam personagens que surgem com força impressionante. Disparam nas primeiras semanas, ocupam manchetes, dominam debates e fazem seus apoiadores acreditar em uma vitória quase inevitável. São os chamados “cavalos paraguaios”: candidatos que largam na frente, mas não conseguem sustentar o ritmo da corrida. No início, o entusiasmo costuma ser alimentado pela novidade, pela exposição na mídia ou por circunstâncias momentâneas. Porém, à medida que a campanha avança, entram em cena as verdadeiras engrenagens da disputa: alianças políticas, estrutura partidária, tempo de propaganda, capacidade de mobilização, recursos financeiros, desempenho nos debates e o próprio escrutínio do eleitorado. O que parecia uma subida triunfal transforma-se, muitas vezes, em uma longa descida na ladeira. A política raramente premia apenas o impulso inicial. Ela exige fôlego, estratégia

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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