
“AMANTES” DA “VIÚVA”
Há um empresariado brasileiro — ou seria melhor dizer um certo “capitalismo podre”, instalado há décadas no país — que descobriu uma maneira elegante de esconder suas velhas práticas: passou a chamá-las simplesmente de “mercado”. É uma palavra bonita, neutra, quase inocente. Mercado não tem rosto, não tem partido, não tem ideologia e, aparentemente, também não tem memória. O mercado sobe, o mercado cai, o mercado reage, o mercado se anima. E assim, por uma dessas mágicas da linguagem econômica, homens de carne e osso desaparecem atrás de uma abstração. Agora, diante de prisões, investigações e apurações envolvendo velhos negócios, há quem comemore. Um dos sinais mais eloquentes da festa aparece justamente onde se costuma procurar a racionalidade absoluta: nas bolsas de valores. A alta das ações é apresentada como




