
MUDANÇA RADICAL
Sempre gostei de futebol. Gostava daquele futebol que cabia numa tarde de domingo, numa bola velha, numa camisa do time e numa conversa interminável depois do jogo. Gostava da ansiedade antes de a bola rolar, do rádio ligado, do grito que escapava pela janela quando saía um gol. Futebol era paixão, memória, identidade. Era uma coisa que não precisava de explicação. A gente não torcia porque alguém havia feito uma pesquisa de mercado e descoberto nosso perfil de consumidor. Torcia porque o coração tinha escolhido um escudo. Com o tempo, alguma coisa mudou. O futebol deixou de ser apenas esporte e passou a ser, cada vez mais, um grande negócio. Os clubes viraram empresas, as camisas viraram vitrines ambulantes, os jogadores passaram a ser ativos financeiros, os campeonatos ganharam nomes




