PROMESSA EM FESTEJO ANTECIPADO

Há estradas que levam a algum lugar. E há aquelas que parecem ter decidido permanecer no mesmo lugar por décadas. É o caso do trecho da rodovia federal entre Bragança e Viseu, no nordeste paraense. O tempo passa, os governos mudam, as promessas se renovam, mas o asfalto continua sendo uma espécie de promessa de campanha que nunca chega inteira ao destino. Ao que tudo indica, apenas o trecho entre Bragança e a vila de Curupatí foi concluído. De Curupatí até Viseu, a precariedade permanece, castigando moradores, motoristas, produtores e todos aqueles que dependem diariamente da estrada. Enquanto isso, houve até festejo antecipado, com presença de representante regional do DNIT e discursos que pareciam anunciar uma obra já realizada. Mas, na realidade, para quem enfrenta a estrada todos os dias, festa não substitui asfalto. Talvez por isso os protestos estejam acontecendo. Não se trata apenas de reclamar de buracos ou da poeira. É o grito de uma região cansada de esperar por uma obra que deveria ser obrigação, não favor político. Porque estrada também é desenvolvimento. E, quando uma estrada permanece abandonada por décadas, o que fica pelo caminho não é apenas o asfalto: ficam também o progresso, a esperança e a paciência de quem vive ali.

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