DISPUTA ELEITORAL OU JUDICIAL?

Diziam que o povo escolhia seus governantes pelo voto. Era bonito de ver: filas nas escolas, o dedo sujo de tinta, o velho discurso da “festa da democracia”. Mas isso foi antes, no entanto o verdadeiro palanque em Bragança no Pará em 2026, poderá ser um plenário, e a contagem de votos deverá ser feita nos autos judiciais e não nas urnas. As campanhas existirão, é claro — com jingles, abraços e promessas. Mas alguns candidatos de hoje, a deputado estadual, sabem que o destino de suas eleições não depende só do eleitor, e sim de decisões de juízes. O eleitor apertará o botão, mas quem vai confirmar é a toga.

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MEDIÇÃO ERRADA

Infelizmente alguns gestores municipais costumam festejar datas comemorativas de suas cidades com shows, bandas e atrações musicais e também continuam medindo suas atuações executivas através de comparecimento do público aos eventos. Eventos, várias vezes mais caros que obras e serviços, que poderiam minorar dificuldades da população. Repetem a Roma Antiga divertindo o eleitor com pão e circo ocasionais.

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APTIDÃO PARA O PODER

Há quem pense que o poder é uma poltrona confortável, dessas que giram, reclinam e fazem massagem nas costas. Mas o poder, na verdade, é uma cadeira dura — e quem não tem preparo acaba sentando torto. Política não é lugar pra aventureiro que confunde autoridade com vaidade. É ofício de quem sabe ouvir, decidir e, sobretudo, suportar o peso de não agradar a todos. Quem entra nela sem vocação vira ator de um espetáculo triste: fala muito, promete mais ainda e entrega pouco. O problema é que há gente que entra na política como quem entra num baile: de terno novo, sorriso ensaiado e passo desajeitado. Quer ser aplaudido, mas não aprendeu a dançar conforme a música do povo. Aptidão para o poder não é gostar de mandar —

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NA MESMA MESA

Há coisas que a boa convivência recomenda evitar: política em velório, sogra em lua de mel e — sobretudo — dois políticos na mesma lanchonete. Não importa se são do mesmo partido, da mesma cidade ou até da mesma família. Quando se sentam frente a frente, o ar pesa, o sorriso aperta e o garçom, coitado, já percebe que aquele pedido de “só uma água com gás” vai acabar em guerra de egos. O primeiro começa elogiando o colega — “Fulano é um grande nome da política local” — e o segundo retribui com aquele sorriso de quem está fazendo contas mentais: “Grande, sim, mas já está na hora de se aposentar”. Em minutos, o tom sobe, o garfo vira microfone e a conversa se transforma num debate eleitoral fora

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‘BRIGA DE EX-CUMPADRES’

Na política do interior, o inimigo raramente vem de fora. Às vezes mora logo ali, na mesma sigla, no mesmo grupo, no mesmo palanque — só muda o microfone. Em Santa Esperança (um município fictício), o partido da situação estadual andava dividido em duas alas: a do “doutor” e a do “cumpadre”. Os dois juravam lealdade à mesma bandeira, repetiam o mesmo discurso, elogiavam o mesmo governador e até tiravam foto abraçados em dia de inaugurações. Mas bastava a câmera desligar pra começar o empurra-empurra. Um dizia que o outro “não tinha base”, o outro retrucava que “quem não tem voto é ele”. E assim seguiam, como dois galos dentro do mesmo terreiro, disputando quem cacarejava mais alto pela ração do poder. Nas redes sociais, era uma beleza: cada um

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AUTOPIEDADE

Há um tipo curioso de personagem que habita a política brasileira — aquele que, quando elogiado, é herói do povo; mas quando denunciado, vira mártir da injustiça. São os “perseguidos do poder”, criaturas que, diante de qualquer acusação, vestem o manto da vítima e sobem ao palco da autopiedade. Basta surgir uma denúncia — superfaturamento, desvio, rachadinha, contrato suspeito — e o roteiro se repete. A voz embarga, o olhar se enche de falsa indignação e vem o discurso pronto: estão tentando me derrubar porque eu trabalho demais pelo povo. É um clássico. O sujeito não se defende com provas, mas com frases de efeito e lágrimas bem ensaiadas. A tática é antiga e eficiente. No lugar de explicar as contas, mostram cicatrizes políticas. No lugar de abrir documentos, abrem

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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