Nas conversas que esquentam as eleições brasileiras de 2026, o país parece uma sala cheia de vozes, cada uma puxando um fio diferente de preocupação — e todas, de algum modo, interligadas. Há quem fale do bolso, porque o preço do feijão continua sendo tão político quanto qualquer discurso de palanque. A economia vira personagem: ora tímida, ora cheia de promessas, sempre exigindo explicações. No fundo, o eleitor quer saber se o amanhã vai caber no orçamento. Logo ao lado, outro grupo discute segurança pública. Uns defendem mais estrutura, outros mais inteligência, muitos apenas querem caminhar sem medo. É curioso como todos concordam no diagnóstico, mas discordam ferozmente da receita. Do outro lado da roda, a saúde ocupa lugar permanente na pauta. Aprendemos nos últimos anos que hospital lotado não é só manchete — é vulnerabilidade. Fala-se de filas, de médicos, de orçamento, e cada voto parece carregar um suspiro de esperança por um sistema menos cansado. E então vem a educação, talvez o tema mais fácil de aplaudir e o mais difícil de cumprir. Todo candidato promete, todo eleitor cobra, e o futuro do país segue no centro de uma mesa onde adultos tentam decidir o destino de crianças que ainda nem entendem o que é eleição. No meio disso, entram as redes sociais — esse grande palanque improvisado onde a verdade e a mentira disputam audiência. Ali, todo mundo vira analista, especialista, crítico, juiz. E o debate, tantas vezes, troca profundidade por velocidade. As eleições de 2026, no fim, revelam uma coisa simples: o brasileiro continua acreditando que votar é escolher não apenas um governo, mas uma direção. E mesmo que as discussões fiquem acaloradas, há sempre a sensação de que, no bar, no trabalho ou na fila do mercado, todo mundo está tentando a mesma coisa: encontrar um país onde o futuro faça sentido. Porque política, no fim das contas, é isso — uma conversa infinita sobre o Brasil que queremos e o Brasil que ainda estamos aprendendo a construir.