DOMINADO PELO MEDO

Há quem atravesse a eleição de peito estufado, proclamando-se vencedor absoluto antes mesmo da poeira baixar. Fala em maioria, em força popular, em adversário derrotado. Mas, curiosamente, não consegue seguir em frente sem olhar pelo retrovisor. Continua a atacar, a desqualificar, a cutucar aquele que, segundo o próprio discurso, já estaria fora do jogo. Na prática, a velha regra da rua ensina: não se chuta cachorro morto. Quem vence de verdade por antecipação não perde tempo explicando vitória nem tentando convencer os outros de que o outro já perdeu. A obsessão em denegrir o adversário revela mais insegurança do que poder. É como gritar “já ganhei’ com medo de que alguém não acredite. Em política, uma possível vitória sólida se prova no silêncio, nos gestos e na capacidade de articular. Quando o suposto vencedor ainda precisa brigar com o derrotado, talvez a vitória na eleição esteja cada vez mais perigosa

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“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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