Pra não dizer que não falei das flores, é preciso olhar além dos discursos bem ensaiados e das fotos sorridentes. As flores continuam sendo distribuídas em épocas certas: campanha, inauguração, palanque. Fora disso, murcham rápido. Enquanto uns desfilam com buquês nas mãos, outros seguem pisando nos espinhos da falta de serviços, das promessas adiadas e da memória curta de quem governa. A política insiste em chamar de jardim aquilo que nunca recebeu água suficiente. Pra não dizer que não falei das flores, fica o registro: elas até existem, mas quase sempre são artificiais — bonitas para a vitrine, inúteis para quem precisa de sombra, fruto e raiz.