Interessante como a sociedade virou fiscal de ponto. Cobra produtividade do servidor que chega às sete, do caixa que fecha o mês no vermelho, do vendedor que não bateu meta, do professor que “precisa inovar”. Quer relatório, quer resultado, quer eficiência — e com razão. Mas quando o assunto são parlamentares, a régua entorta. Pouco se pergunta sobre projetos relevantes apresentados, leis efetivamente aprovadas que mudaram a vida real das pessoas, presença nas comissões, coerência entre discurso e voto. A produtividade, nesse caso, parece se medir por curtidas nas redes sociais, discursos inflamados e fotos sorridentes ao lado de obras que nem sempre ajudaram a viabilizar. Curioso: cobramos do atendente a agilidade no balcão, mas não cobramos do legislador a agilidade nas soluções. Exigimos metas de quem executa, mas esquecemos de exigir entregas de quem decide. No fim das contas, talvez a maior produtividade que falte não seja a deles — seja a nossa, na hora de acompanhar, cobrar e lembrar em quem votamos.