Dizem que o brasileiro tem coração grande, mas às vezes anda com a cabeça baixa — como um cachorro sem dono na rua. Foi assim que o jornalista Nelson Rodrigues enxergou o país depois do trauma de 1950 (perda da Copa do Mundo de futebol em casa): um povo talentoso, criativo, cheio de brilho, mas desconfiado de si mesmo. Chamou isso de complexo de vira-lata — essa mania de achar que tudo o que vem de fora é melhor, mais bonito, mais importante. No fundo, talvez seja apenas falta de memória. Porque, vez ou outra, o Brasil levanta a cabeça, mostra os dentes e lembra que o vira-lata também sabe correr, lutar e, quando quer, até vencer. Introduzido por vezes também na política, um sentimento de inferioridade e autodepreciação que brasileiros manifestam em relação a outros países, especialmente os EUA. Caracteriza-se pela valorização excessiva do estrangeiro e negação da própria cultura.