Numa cidade qualquer, apareceu um candidato diferente. Não prometia ponte, hospital, nem Wi-Fi na praça. Prometia apenas uma coisa: não gastar dinheiro na campanha. Resultado? Quase ninguém acreditou. O povo já estava acostumado ao político que chega distribuindo santinho, gasolina, churrasco e sorriso de três metros. Esse novo candidato chegava só com um panfleto amassado e uma caneta emprestada. Diziam: “Assim não ganha eleição, meu filho. Política sem dinheiro é igual futebol sem bola.” Mas ele insistia. Dizia que, se o sujeito não tem dinheiro para gastar tentando ganhar poder, talvez tenha mais cuidado quando estiver lá dentro administrando o dinheiro dos outros. Alguns riram. Outros coçaram a cabeça. Afinal, a lógica era estranha demais para a política moderna: candidatar-se para servir, e não para investir esperando lucro depois. No fim das contas, ele não ganhou a eleição. Mas deixou uma dúvida no ar — dessas que incomodam mais que discurso em palanque: Se para entrar na política precisa de muito dinheiro…será que quem entra está pensando apenas em gastar… ou em recuperar o investimento?