Na ausência do eco firme da tribuna, o silêncio do legislativo não dura muito tempo. Ele logo é ocupado — não por vozes oficiais, mas por personagens curiosos que habitam o imaginário do município. São figuras folclóricas, dessas que misturam indignação, espetáculo e uma boa dose de improviso. Sem mandato, sem rito e sem microfone institucional, encontram nas redes sociais o palco perfeito. Ali, falam alto, gesticulam em vídeos, denunciam, opinam e, por vezes, até legislam em palavras. Não precisam pedir aparte nem seguir ordem do dia — o algoritmo é sua plateia, e o engajamento, sua aprovação. Enquanto isso, o legislativo, que deveria traduzir a voz coletiva em ação concreta, assiste — ou pior, se ausenta. E nesse vácuo, o improviso ganha autoridade, o exagero ganha alcance, e o folclore vira fonte de informação. No fim, a cidade segue, entre o oficial que não se pronuncia e o informal que não se cala. E talvez o maior ruído não esteja no que é dito, mas no que deixou de ser feito por quem, de fato, deveria falar.