A gente passa metade da vida achando que paciência é virtude — e é mesmo, até o ponto em que deixa de ser. Porque tem hora que o mundo dá sinais claros, quase escreve em letras garrafais: “você não precisa mais aturar isso”. Mas a gente insiste, como quem segura porta emperrada esperando que ela vire passagem. Até que um dia cansa. E nesse dia, curiosamente, nada explode. Não tem grito, não tem drama. Só um silêncio decidido, a descoberta simples de que suportar o incômodo não é prova de força, mas de atraso. E então a gente levanta, ajeita a própria dignidade no lugar certo e segue. No fundo, era só isso: perceber que o peso nunca foi obrigatório — foi hábito. E hábito, quando estorva, merece aposentadoria.