A gente projeta o futuro como quem traça uma linha reta no papel: limpa, firme, sem borrões. Tudo parece caber ali — planos, certezas, datas marcadas. Mas o tempo, esse sujeito indisciplinado, gosta de dobrar a folha. De repente surgem as inconveniências. Pequenas no começo, quase educadas, pedindo licença para entrar. Depois se espalham: um imprevisto aqui, uma decepção ali, uma conta fora do orçamento, um silêncio onde antes havia promessa. Nada disso estava no projeto. E é nesse instante que o futuro deixa de ser desenho e vira construção de verdade. Porque só permanece de pé o plano que aprende a conviver com os desvios. O resto era ilusão bem-intencionada — bonita no papel, frágil na vida.