É justamente aí que mora a dificuldade dos adversários. Atacar um governo popular exige mais do que ironia, memes ou bravatas. Exige proposta, coerência e, principalmente, paciência. Porque o povo pode até se decepcionar, mas não abandona com facilidade aquilo que reconhece como seu. Já o governo demagogo vive de outra matéria-prima. Ele não governa, encena. Alimenta-se de promessas grandiosas, frases de efeito e inimigos imaginários. Sua popularidade é inflada, ruidosa, mas frágil. Depende do aplauso constante e do conflito permanente. Sem palanque, murcha. Sem plateia, revela o vazio. A diferença entre um e outro aparece com o tempo. O governo popular suporta crises, críticas e até erros, porque tem raízes. O demagogo, ao primeiro vento contrário, corre para o discurso vitimista ou para a caça às bruxas. Um dialoga, ainda que com tropeços; o outro grita, porque o grito disfarça a falta de conteúdo. No fim das contas, combater a demagogia é mais fácil do que enfrentar a popularidade genuína. A primeira se desfaz com a realidade. A segunda só se supera com trabalho, verdade e a difícil arte de convencer sem enganar. E isso, definitivamente, dá muito mais trabalho.