Em Bragança, no Pará, a politicagem resolveu trocar os palanques pelos tribunais. Já não basta o voto; agora cada passo vira processo, cada discurso vira anexo, cada reunião rende uma petição inicial. A campanha, ao que parece, está ganhando togas. Há semanas em que a cidade acorda administrada por liminares e recursos. Noutras, vai dormir sob efeito de nova decisão e ganhando outra no dia seguinte. É uma semana pra cada despacho, como se o calendário eleitoral tivesse sido substituído por pauta de tribunal. Os grupos adversários conversam mais com seus advogados do que com os seus cabos eleitorais. Em vez de santinhos, estão distribuindo cópias de decisões; no lugar do jingle, citam jurisprudências. E assim segue a política bragantina – metade voto, metade carimbo.