CONFIANÇA NO VICE

No passado, a escolha de um vice em uma chapa majoritária era quase um cálculo matemático: buscava-se alguém que trouxesse dinheiro para a campanha ou um pacote generoso de votos. Era uma soma de forças eleitorais, uma estratégia para ampliar alcance e garantir musculatura política. Hoje, embora recursos e votos ainda tenham seu peso, parece haver um critério que ganhou destaque silencioso: a confiança. Em tempos de crises rápidas, alianças frágeis e decisões que mudam de rumo em poucos dias, o vice deixou de ser apenas um reforço eleitoral e passou a ser, antes de tudo, alguém em quem se possa confiar. Porque, no fim das contas, governar também é dividir o poder — e poucos riscos são maiores do que dividir poder com quem não inspira confiança.

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