Há quem diga que certas emendas parlamentares sem transparência são apenas um instrumento de gestão. Outros, porém, enxergam algo bem diferente. Para alguns analistas e juristas brasileiros, quando o dinheiro público percorre caminhos obscuros, sem critérios claros e sem fiscalização efetiva, a política deixa de servir ao cidadão e passa a alimentar interesses eleitorais. Na praça das opiniões, cresce a desconfiança de que recursos distribuídos sem transparência possam funcionar como uma forma indireta de conquistar apoio político e eleitoral. Se assim for comprovado em casos concretos, caberá à Justiça avaliar se houve violação da legislação, inclusive a prática de crimes eleitorais. A democracia não se fortalece com sombras. Ela exige luz sobre cada centavo gasto, porque transparência não é favor: é obrigação de quem administra recursos públicos.