Houve um tempo em que se falava dos “penas de aluguel”. Eram jornalistas ou escritores que, por um bom pagamento, defendiam qualquer causa, desde que o cachê chegasse antes da inspiração. As penas sumiram, os tinteiros viraram peças de museu, mas o aluguel… esse atravessou os séculos. Hoje, a pena foi substituída pelo teclado, o tinteiro pelo Wi-Fi e o aluguel pelo pix do patrocinador. Os antigos “penas de aluguel” ganharam nomes mais modernos: influencers de ocasião, fábricas de fake news e especialistas em transformar opinião em produto de prateleira. Mudou a embalagem, mas a mercadoria continua parecida. No meio desse desfile digital, há também os ghostwriters. Diferentemente dos vendedores de fumaça, esses fantasmas trabalham em silêncio, escrevendo discursos, livros e artigos para quem prefere aparecer sem enfrentar a folha em branco. São profissionais necessários, discretos e, muitas vezes, talentosos. Afinal, nem todo mundo que fala bonito sabe escrever, e nem todo bom escritor tem vocação para holofotes. No fim das contas, a história apenas trocou de figurino. As penas foram embora, os tinteiros secaram, mas o aluguel continua em dia. A diferença é que, agora, em vez de manchar os dedos de tinta, basta sujar o algoritmo.