Na política, a ganância quase nunca caminha sozinha. Costuma vir acompanhada da soberba, daquela perigosa sensação de que o poder é permanente e de que determinadas cadeiras pertencem, por direito adquirido, a quem já está sentado nelas. Mas a política tem suas surpresas. Cada eleição escreve uma história diferente da anterior. O eleitor muda, as circunstâncias mudam, os grupos se reorganizam e, muitas vezes, aquilo que parecia sólido começa a apresentar rachaduras. É justamente nesse momento que a soberba pode se transformar em uma armadilha. No Pará, novas candidaturas começam a surgir com prestígio, força política e condições de montar estruturas competitivas para a próxima disputa eleitoral. São nomes que podem alterar o equilíbrio de forças e mostrar que ninguém é imbatível quando a urna está aberta. Por isso, qualquer mudança feita sem fundamento, qualquer decisão tomada pelo excesso de confiança ou pela certeza de que o eleitor seguirá o mesmo caminho de sempre pode ser fatal para uma carreira política. Quem acompanha a política sabe: o vento pode mudar de direção rapidamente. E quem hoje se considera dono do caminho pode amanhã descobrir que o caminho mudou. É só esperar pra ver. Na política, a urna costuma ser a última palavra.