Na vida pública, há sempre os que não apenas seguem o chefe, mas se antecipam a ele. São os subservientes de plantão, especialistas em transformar qualquer absurdo em virtude e qualquer erro em estratégia. Não medem esforços. Distorcem fatos, atacam adversários, inventam justificativas e, quando necessário, recorrem aos métodos mais espúrios. Tudo em nome da lealdade — embora, quase sempre, seja apenas interesse vestido de fidelidade. O curioso é que, quando o chefe muda de lado, eles mudam também. A convicção permanece intacta; só muda o dono. Na política, talvez não exista maior espetáculo de servilismo do que aquele em que alguém perde a própria dignidade para defender a dignidade de outro.