Há lugares onde a paciência do povo parece ter prazo de validade. Na região nordestina do Pará, a impressão é de que essa paciência já passou — e faz tempo. O DNIT, que deveria ser presença de solução, começa a ganhar a incômoda fama de “persona non grata” por conta dos contínuos atrasos em obras, conclusões e reparos nas rodovias federais, as conhecidas BRs. Enquanto os prazos vão sendo empurrados para frente, quem precisa das estradas continua enfrentando buracos, trechos deteriorados, poeira, lama e, principalmente, a incerteza de quando a situação será finalmente resolvida. Promessas de conclusão parecem seguir o mesmo destino de algumas obras: ficam pelo caminho. E cada novo atraso aumenta a desconfiança de quem depende das rodovias para trabalhar, transportar mercadorias, viajar ou simplesmente chegar em segurança ao seu destino. No fim das contas, estrada não é apenas asfalto. É desenvolvimento, segurança e respeito ao cidadão. E quando esses compromissos demoram demais para sair do papel, não é de estranhar que o responsável pela manutenção comece a ser visto não como solução, mas como como visita indesejada. Talvez ainda haja tempo para o DNIT mudar essa história. Afinal, ninguém quer ser persona non grata — muito menos uma instituição que deveria estar na estrada justamente para abrir caminhos.