A quem interessam os debates políticos nas TVs brasileiras? Talvez ao público, talvez às emissoras — certamente aos marqueteiros. Ali, candidatos cuidadosamente ensaiados entram em cena como atores de um espetáculo no qual até a dissimulação parece ter sido objeto de treinamento. Perguntas difíceis recebem respostas decoradas; quando não convém responder, muda-se o assunto com elegância e um sorriso. No fim, a televisão oferece a ilusão do confronto, enquanto a realidade permanece nos bastidores. São ventríloquos falando por bonecos — e nós, disciplinadamente, discutindo qual deles parece mais convincente.