FALAR OU CALAR?

Em Eclesiastes, quando o texto bíblico passeia pelas inquietações da existência humana e pela brevidade da vida, há uma lição que atravessou séculos e acabou virando adágio popular: há hora de falar e hora de calar. Parece simples. E talvez justamente por isso seja tão difícil. Há quem descubra, na vida pública, que o silêncio pode ser uma virtude. Alguns, porém, parecem ter levado o ensinamento ao pé da letra — especialmente quando chega a hora de explicar, justificar ou assumir responsabilidades seletivas: falam muito quando o assunto favorece seus interesses e descobrem a profundidade do silêncio quando as perguntas são incômodas. Mas Eclesiastes não fala de silêncio como esconderijo. Tampouco apresenta a palavra como instrumento de conveniência. Há tempo de falar, sim, sobretudo quando a verdade precisa ser dita. E há tempo de calar, quando a palavra apenas alimenta vaidades, conflitos ou promessas vazias. A política, como a vida, talvez precisasse aprender novamente essa diferença. Porque o problema não é falar demais ou calar demais. É saber quando a palavra é necessária e quando o silêncio é apenas uma forma elegante de fugir dela. Afinal, a vida é breve. E, no fim das contas, todos teremos de prestar contas não apenas do que dissemos, mas também daquilo que, na hora certa, escolhemos não dizer.

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