NADA A DIZER

Há discursos políticos que parecem nascer mais da necessidade de criar um problema do que a vontade de resolver algum. Fala-se muito, prova-se pouco e, entre uma frase de efeito e outra, surgem intrigas que não resistem sequer a uma pergunta mais cuidadosa. O curioso é que, às vezes, o assunto nem combina com o tempo. Desenterra-se uma questão antiga, fora de época e completamente desproporcional às circunstâncias atuais, como quem procura uma faísca onde não há lenha. Tentando fazer futurologia sem nexo No fim, sobra o barulho. E, quando o barulho passa, percebe-se que quase nada havia por trás dele: apenas palavras lançadas ao vento, alimentando suspeitas, dividindo pessoas e confundindo o que realmente importa. Talvez a política ganhasse muito se, antes de falar, alguns lembrassem que nem toda polêmica merece existir.

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“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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