A democracia se fundamenta no respeito à soberania dos povos, na liberdade de escolha e no diálogo entre as nações. Por isso, soa contraditório que países que se dizem democráticos tentem interferir nas decisões de outros, inclusive de nações aliadas, recorrendo a pressões, ameaças ou intimidações. Afinal, de que vale defender a democracia dentro de casa se, além das fronteiras, prevalece a vontade do mais forte? A amizade entre países não deveria significar submissão, assim como divergências políticas não deveriam justificar ameaças. É justamente para evitar que o poder se sobreponha ao direito que existem instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Criadas para promover a paz, o diálogo e a cooperação, elas não podem se limitar a discursos protocolares enquanto a soberania das nações é colocada em xeque. Quando a intimidação substitui a diplomacia e o silêncio prevalece sobre os princípios, fica a pergunta inevitável: ONU E OEA são instrumentos reais de defesa da democracia ou apenas siglas que enfeitam documentos e discursos oficiais? Porque democracia não se impõe pela força, não se negocia sob ameaça e não pode ser um princípio respeitado apenas quando convém aos mais poderosos.