A REALIDADE VINDO À TONA

Pelas últimas informações, dois velhos adágios populares voltam a ganhar força e a nos convidar à reflexão: “Quem tem rabo de palha não passa perto de fogueira” e “Diz-me com quem andas e te direi quem és”. Na política, onde discursos nem sempre combinam com atitudes, certas aproximações dizem mais do que longas declarações. Há quem condene publicamente aquilo que, nos bastidores, parece tolerar ou até apoiar. E há quem, diante do calor dos acontecimentos, prefira manter distância, não necessariamente por prudência, mas pelo receio de que as chamas iluminem aquilo que gostaria de manter nas sombras. É claro que alianças, por si só, não provam culpa, assim como o silêncio não significa necessariamente concordância. Contudo, a coerência entre palavras, atitudes e companhias é um elemento essencial para avaliar a credibilidade de qualquer liderança. Afinal, a fogueira não cria o que está escondido; apenas pode torná-lo visível. E as companhias, embora não definam integralmente uma pessoa, revelam muito sobre suas escolhas, seus interesses e os caminhos que decide percorrer. Na vida pública, como na vida cotidiana, a prudência recomenda não julgar apenas pelas aparências, mas também não ignorar os sinais. Porque, no fim das contas, o tempo costuma colocar à luz aquilo que os discursos tentam deixar na sombra.

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“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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