Pelo andar da carruagem, ou melhor, pela composição da equipe de transição do novo governo paraense, a impressão que fica é a de que a tão esperada mudança pode não passar de uma troca de cadeiras no velho salão da política. Para alguns analistas, os primeiros sinais apontam para algo que o Pará conhece bem: o retorno de antigos protagonistas, velhas alianças e figuras ligadas ao poder tucano, como se o passado estivesse apenas aguardando uma nova oportunidade para voltar ao presente. Afinal, mudar o governo não significa, necessariamente, mudar a política. O discurso pode até vir revestido de renovação, mas são as escolhas, os nomes e os compromissos que revelam o verdadeiro rumo de uma gestão. Se a transição já anuncia a presença de velhos conhecidos, cabe perguntar: estamos diante de um novo projeto para o Pará ou apenas da reedição de um capítulo que muitos julgavam encerrado? Na política, como na vida, nem toda mudança de cenário representa uma mudança de história. Às vezes, troca-se o elenco de fachada, mas os antigos donos do palco continuam dando as cartas.