CATIMBA NO DEBATE

Assistir a certos debates políticos na televisão tem sido como acompanhar uma partida de futebol entre dois times com filosofias bem diferentes: um entra em campo para jogar, trocar passes e fazer gols; o outro parece mais preocupado em catimbar, provocar o adversário, chutar a bola para longe e deixar o relógio correr. Quando falta argumento, sobra tumulto. Quando a pergunta incomoda, vem o desvio de assunto. E, se a situação aperta, entra em cena o famoso cai-cai: uma reclamação aqui, uma vitimização ali, uma interrupção acolá. Tudo para evitar o confronto direto com as ideias. Se fosse uma partida de futsal, não faltariam pedidos de tempo à mesa, mesmo quando ninguém mais soubesse exatamente o que está sendo discutido. O problema é que debate político não deveria premiar quem melhor administra a confusão, mas quem apresenta as melhores propostas, sustenta seus argumentos e respeita a inteligência do eleitor. Afinal, na democracia, o objetivo não é apenas impedir que o adversário faça gol. É mostrar que se tem competência para marcar o próprio. E o eleitor, coitado, não é juiz de futebol para distribuir cartões. É quem paga o ingresso — e ainda corre o risco de sair do estádio sem ter visto uma única jogada de qualidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PUBLICIDADE

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

Joseph Pulitzer

[SIMPLE_POLL id="492"]
OUTRAS NOTÍCIAS

Desenvolvido Por
Belém Sistemas
(91) 98079-5456