PROMESSA E PESADELO

Em 1989, a grande promessa que levou Fernando Collor à Presidência da República era acabar com a inflação. O discurso encontrou eco no bolso vazio do brasileiro, cansado de ver os preços subirem mais rápido que o salário. Collor foi eleito, a inflação não desapareceu como prometido e, para completar o pesadelo, veio o confisco da poupança. O cidadão descobriu, da pior maneira, que uma promessa de campanha pode virar um pesadelo de governo. Agora, em 2026, a cereja do bolo tem outro sabor: acabar com os juros altos. Mais uma vez, um problema real, que sufoca famílias, encarece o crédito e trava o crescimento, transforma-se em poderoso argumento eleitoral. Mas fica a pergunta: depois das eleições, o que virá? Os juros finalmente cairão de forma consistente ou a promessa ficará pelo caminho, embalada em justificativas técnicas, culpados de ocasião e discursos bem ensaiados? A história não se repete exatamente, mas gosta de rimar. Em 1989, o brasileiro votou com a esperança de domar a inflação. Em 2026, poderá votar com a esperança de domar os juros. O problema é que, na política, a cereja costuma aparecer antes do bolo — e, às vezes, o bolo nem chega à mesa. No fim, a questão não é apenas quem promete resolver o problema, mas quem terá competência, responsabilidade e coragem para enfrentá-lo depois de conquistar o poder. Porque, quando a festa eleitoral termina, a conta continua chegando. E quem paga, quase sempre, é o mesmo: o cidadão.

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