ELEIÇÃO NÃO É CONTO DE FADAS

Diz o velho ditado que quem conta um conto aumenta um ponto. Mas, na política brasileira, há quem aumente tantos pontos que acaba transformando a realidade numa verdadeira obra de ficção. No clássico da literatura infanto-juvenil, ‘As aventuras de Pinóquio’, de Carlo Collodi, o boneco de madeira ganha vida pelas mãos de Gepeto, mas logo descobre o caminho da mentira. A cada falsidade, seu nariz cresce, denunciando aquilo que sua boca tenta esconder. Uma história aparentemente destinada às crianças, mas que deveria ser leitura obrigatória para muitos adultos. Na política, sobretudo em períodos eleitorais, as promessas se multiplicam, os discursos ganham contornos de fantasia e a verdade, por vezes, fica esquecida num canto do palanque. Candidatos prometem o que não podem cumprir, distorcem fatos e apresentam como realidade aquilo que ainda não passa de uma conveniente ficção. Mas, afinal, por que tantas mentiras numa campanha eleitoral? Talvez porque a verdade nem sempre conquiste aplausos imediatos, enquanto uma promessa grandiosa pode seduzir multidões. O problema é que a eleição passa, o discurso perde o brilho e a população fica diante da realidade que o palanque procurou esconder. Se Pinóquio tivesse vivido no Brasil de hoje, talvez Gepeto precisasse de muita madeira para fabricar um nariz à altura de tantas promessas. A diferença é que, na vida real, o nariz do mentiroso nem sempre cresce. Às vezes, cresce apenas a decepção de quem acreditou. Eis a grande lição: numa democracia, o eleitor não deve se deixar governar por contos de fadas, mas pelos fatos. Afinal, político não é personagem de ficção, promessa não é realização e mentira, por mais repetida que seja, jamais se transforma em verdade. O que falta, talvez, não seja um Gepeto para corrigir os adultos, mas uma sociedade disposta a cobrar deles aquilo que tanto se ensina às crianças: dizer a verdade.

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