Começa o ano eleitoral e, como as chuvas de inverno na Amazônia, surgem também os oportunistas de plantão. Eles brotam nas esquinas, nas redes sociais, nos abraços apertados demais e nas promessas largas como rio em cheia. São figuras curiosas: passam três anos em silêncio sepulcral, mas bastam os primeiros rumores de candidatura para se tornarem especialistas em tudo — saúde, educação, infraestrutura e até em amizade antiga. Reaparecem com sorrisos ensaiados e discursos prontos, jurando lealdade eterna a quem estiver melhor posicionado nas pesquisas. No calendário deles, o ano só tem uma estação: a da conveniência. E enquanto o eleitor tenta separar proposta de fantasia, eles treinam a arte de estar sempre ao lado do provável vencedor.