SEM BATINA

Antigamente, bastava a batina para anunciar a autoridade do sacerdote. Ela vinha antes da palavra, antes do sermão, antes mesmo da bênção. Sem ela, era apenas mais um homem na praça, tentando convencer pelo discurso aquilo que antes impunha pela veste. Na política é parecido. O mandato funciona como a batina moderna: dá visibilidade, abre portas, multiplica cumprimentos e sorrisos. Com ele, o telefone toca. Sem ele, o silêncio ensina quem eram os amigos e quem eram apenas fiéis do cargo. Político sem mandato descobre, de repente, que precisa voltar a olhar nos olhos, reaprender a ouvir e, principalmente, a caminhar sem cortejo. Alguns aproveitam para refletir. Outros passam quatro anos tentando vestir novamente a “batina” do poder. Porque, no fundo, a vocação verdadeira não depende da roupa — mas há quem só acredite na fé quando vê o traje.

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