A Comissão Parlamentar de Inquérito ainda existe — ao menos no papel — como uma promessa de verdade. Nasceu para investigar, iluminar os cantos escuros, dar nome aos fatos que insistem em se esconder atrás de discursos ensaiados. Era, ou deveria ser, o momento em que a política se curvava à responsabilidade. Mas, na prática, virou outra coisa. Hoje, muitas CPIs parecem mais um palco iluminado do que uma sala de investigação. De um lado, a oposição afia perguntas como quem prepara manchetes. Do outro, o governo responde não para esclarecer, mas para resistir. E no meio disso tudo, a verdade, coitada, espera sua vez de falar — quase sempre interrompida. Não faltam câmeras, nem discursos inflamados, nem cortes rápidos para as redes sociais. Falta silêncio para ouvir, rigor para apurar, coragem para concluir. O que deveria ser instrumento de fiscalização se transforma em espetáculo de conveniência. E, ainda assim, a CPI continua existindo. Talvez porque, mesmo desgastada, ainda carregue a lembrança do que poderia ser. Uma esperança teimosa de que, um dia, o palco volte a ser tribunal — e o debate, investigação de verdade. Vale salientar que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro pela Constituição de 1946, no contexto de redemocratização após o Estado Novo.