A política moderna transformou o velho roteiro da defesa em espetáculo. Quanto maior o malfeito ou a suspeita de corrupção, maior costuma ser o discurso de perseguição. Em vez de explicar os fatos, surgem acusações de represália, complôs e inimigos ocultos. A culpa quase sempre encontra um novo endereço. É como se o erro deixasse de existir diante da habilidade de transferir responsabilidades. Uns culpam adversários, outros culpam aliados, a imprensa, a Justiça ou até o passado. No fim, a verdade muitas vezes fica perdida no meio da fumaça das narrativas. Na política, pedir desculpas parece fraqueza. Mais eficiente virou transformar defesa em ataque e fazer do acusado uma vítima diante da plateia.