Normalmente, os humanos reverenciam as árvores quando elas já estão frondosas, fortes e belas. Admiram a sombra, a imponência e os frutos, mas quase nunca se lembram das raízes que, silenciosamente, sustentaram todo aquele crescimento. As raízes ficam escondidas, enterradas, longe dos olhos. E, no entanto, sem elas, a árvore não se mantém de pé. Assim funciona a natureza. E assim também funciona a natureza humana. Há pessoas que só são lembradas quando alcançam o topo, quando conquistam prestígio, poder ou reconhecimento. Poucos, porém, se recordam daqueles que estiveram ao seu lado quando tudo ainda era apenas semente, quando os caminhos eram difíceis e os sonhos pareciam distantes. Na política, isso também acontece. Há quem, depois de chegar ao poder, passe a olhar para as próprias raízes como se elas fossem um passado inconveniente. Esquecem as pessoas que acreditaram, as mãos que ajudaram, as comunidades que deram apoio e, principalmente, os princípios que um dia sustentaram sua caminhada. Mas quem esquece suas raízes corre o risco de perder a própria identidade. Uma árvore pode até crescer para o alto, mas nunca deve desprezar aquilo que a mantém de pé. Porque poder sem memória vira arrogância; crescimento sem raízes vira queda.