Para temperar o gosto amargo — e, por vezes, até o mau gosto — do momento que o STF atravessa, vale recorrer à velha sabedoria popular: de médico e louco, todo mundo tem um pouco. Nos tempos atuais, porém, quando qualquer conversa de esquina rapidamente vira debate sobre Constituição, competência, liminar, recurso e decisão monocrática, talvez seja mais apropriado atualizar o ditado: de juiz e louco, todo mundo tem um pouco. Basta surgir uma decisão do Supremo para que, em poucos minutos, apareçam milhões de “especialistas” em Direito Constitucional. Cada qual com sua sentença pronta, sua interpretação definitiva e, não raro, a convicção de que estudou mais o processo do que quem passou anos na faculdade de Direito. É a democracia em sua versão mais espontânea: todos opinam, todos julgam e quase ninguém admite dúvida. No fundo, talvez o problema não seja ter opinião. O problema é transformar opinião em certeza — e certeza em sentença. Afinal, se de juiz e louco todo mundo tem um pouco, o bom senso deveria ser a parte mais bem distribuída,