Há arrependimentos que não fazem barulho. Chegam devagar, quando a experiência ensina aquilo que, em outro tempo, a juventude ou a confiança excessiva não permitiram enxergar. Um político paraense, já calejado pelas estradas da vida pública, carrega hoje uma dessas lembranças. Em determinados momentos, teve ao lado o conselho de quem conhecia os atalhos e também os perigos da política: seu pai, experiente homem público. Mas preferiu ouvir a liderança de ocasião. O tempo passou, os cenários mudaram e algumas escolhas ganharam o peso que só a distância consegue revelar. Não há como voltar para corrigir certas decisões. Há, porém, como aprender com elas. E talvez seja por isso que, hoje, guarde consigo uma lição que Roberto Carlos transformou em música: “Cansei de esperar… E pra começar, eu só vou gostar de quem gosta de mim.” Na política, como na vida, talvez essa seja uma das mais difíceis descobertas: nem todo conselho que agrada é verdadeiro, nem toda liderança que se segue permanece. Mas os ensinamentos que nascem da experiência — sobretudo daqueles que nos querem bem — costumam sobreviver ao tempo. E algumas vezes a gente só entende o valor da voz do pai depois que o silêncio chega.