Há momentos em que a democracia começa a ser atacada não nas ruas, mas nas palavras. Antes de questionar uma eleição, um tribunal ou o Congresso, os movimentos antidemocráticos costumam questionar a própria confiança das pessoas nessas instituições. A estratégia é antiga: transformar o que deveria ser espaço de debate em sinônimo de corrupção, incompetência ou inutilidade. Aos poucos, a crítica legítima dá lugar ao descrédito generalizado. E, quando ninguém mais confia nas regras, fica mais fácil defender soluções autoritárias como se fossem a única saída. As instituições públicas não são perfeitas. Podem e devem ser criticadas, fiscalizadas e aperfeiçoadas. Mas democracia não significa acreditar cegamente nelas; significa reconhecer que conflitos e diferenças precisam encontrar caminhos dentro das regras. Desqualificar as instituições sem propor sua melhoria é, muitas vezes, preparar o terreno para sua destruição. E uma democracia enfraquecida pode descobrir tarde demais o valor daquilo que perdeu.