Segundo Lavoisier, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Na política brasileira, a velha tese científica parece ter encontrado um novo laboratório. O PSDB, durante muito tempo, ficou conhecido como o partido da dubiedade: entre o discurso e a prática, entre ser oposição e ser governo, entre criticar e, depois, fazer quase o mesmo. Aos poucos, foi perdendo espaço, força e protagonismo. Agora, a impressão é de que o MDB caminha para ocupar esse lugar. Um partido que já teve verdadeira liderança nacional parece ter perdido parte de sua identidade e passou a acompanhar justamente pensamentos e comportamentos que, em outros tempos, criticava nos tucanos. Na política, porém, nada desaparece de verdade. O poder apenas muda de endereço, a ambiguidade troca de legenda e o discurso encontra um novo porta-voz. Lavoisier talvez não tenha pensado na política brasileira, mas, por aqui, sua teoria continua surpreendentemente atual: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma – inclusive os partidos.