Não adiante qualquer manifestação de espanto. Na política paraense, certas cenas se repetem com a pontualidade de uma maré que sobe e desce. A esta altura, dizem que vários parlamentares ligados ao atual governo no Pará já ensaiam conversas com o grupo que deverá comandar o Estado a partir de janeiro. Na Assembleia Legislativa, a mudança de ventos costuma ser percebida antes mesmo de qualquer anúncio oficial. Não é novidade. Em outras épocas, quando um governo chegava ao fim e outro se preparava para assumir, também houve quem mudasse de posição, de discurso e, às vezes, até de convicção com uma velocidade impressionante. O que ontem parecia definitivo tornava-se, de repente, apenas uma fase. Na política, há quem chame isso de pragmatismo. Outros preferem dizer sobrevivência. E há ainda os que simplesmente aguardam para descobrir de que lado sopra o vento. O curioso é que, quando janeiro chega, quase todos encontram uma boa justificativa para a mudança. Afinal, na Alepa, a memória política pode até ser longa, mas a conveniência costuma ser ainda mais rápida. Portanto, nenhum espanto. Apenas mais um capítulo de uma velha história da política paraense: quando muda o governo, algumas cadeiras permanecem no mesmo lugar, mas seus ocupantes podem descobrir novas maneiras de sentar.