IRIA ACABAR COM A INFLAÇÃO COM UM TIRO SÓ

Em 1989, Fernando Collor de Mello chegou à Presidência cercado pelo apoio de setores da elite brasileira e com ampla exposição na TV Globo, que teve papel marcante na cobertura da campanha eleitoral. Apresentado como o homem que colocaria fim à inflação e modernizaria o país, vendeu aos brasileiros a promessa de resolver, com um só tiro, um dos maiores problemas da economia nacional. Mas, em março de 1990, logo no início do governo, veio o Plano Collor. Em nome do combate à inflação, o governo bloqueou os valores das cadernetas de poupança, contas-correntes e outras aplicações financeiras que ultrapassavam 50 mil cruzados novos. De uma hora para outra, milhões de brasileiros viram suas economias ficarem retidas no Banco Central, com a promessa de devolução posterior, parcelada, após 18 meses. O dinheiro que representava anos de trabalho, sacrifício e esperança ficou fora do alcance de seus próprios donos. Pequenos comerciantes, aposentados, trabalhadores e famílias inteiras sentiram na pele o peso de uma decisão tomada de cima para baixo. A inflação não se deixou vencer pelo discurso. A economia mergulhou em dificuldades, a confiança no governo desmoronou e as denúncias de corrupção ampliaram a crise política. Em dezembro de 1992, depois de dois anos e nove meses de governo, Collor, já afastado da Presidência durante o processo de impeachment, renunciou ao cargo, mas o Senado prosseguiu com o julgamento e o tornou inelegível por oito anos. A história deixou uma lição amarga: promessas grandiosas não garantem bons governos, e o apoio de grandes grupos de comunicação ou de setores poderosos da sociedade não substitui responsabilidade, transparência e respeito ao povo. Collor prometeu acabar com a inflação com um tiro certeiro. O que ficou na memória de muitos brasileiros foi o susto de ver suas economias confiscadas e a constatação de que, quando as decisões do poder falham, a conta costuma chegar primeiro para quem vive do próprio trabalho.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PUBLICIDADE

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

Joseph Pulitzer

[SIMPLE_POLL id="492"]
OUTRAS NOTÍCIAS

Desenvolvido Por
Belém Sistemas
(91) 98079-5456