Na política, poucas expressões são tão conhecidas quanto a famosa – “é dando que se recebe”. Em nome da governabilidade, alianças são construídas, apoios são negociados e compromissos são assumidos. Muitas vezes, quem chega ao poder já traz consigo uma lista de dívidas políticas contraídas durante a campanha eleitoral. O mesmo acontece na formação da nova administração. Cargos são distribuídos, espaços são concedidos e aliados são acomodados, nem sempre levando em conta a competência ou o interesse público. Afinal, é preciso pagar as contas de quem ajudou a chegar lá. O problema começa quando a troca de favores se torna mais importante do que o compromisso com a população. Governar exige diálogo e alianças, mas não deveria significar transformar a máquina pública em moeda de negociação. No fim das contas, a pergunta que fica é simples: quando todos recebem sua parte, quem realmente sobra para pagar a conta? O cidadão, naturalmente, que muitas vezes assiste a tudo de longe, esperando que as promessas de campanha finalmente saiam do papel.