Alguns deputados e prefeitos do Pará já estavam com as malas e as trouxas prontas para pular a cerca e atravessar para o outro lado, numa manobra que cheirava a traição política. Mas, eis que algo aconteceu na noite de domingo, após a declaração do presidente do TSE sobre o resultado das eleições presidenciais. O entusiasmo dos mais apressados deu lugar à cautela, e o passo atrás foi quase imediato. Parece que, de repente, descobriram que as cercas não eram tão fáceis de transpor: tinham arame farpado, e o risco de sair arranhado era grande. Na política, como se sabe, a coragem de muitos depende da direção dos ventos e, sobretudo, de quem parece estar ganhando a tempestade. Por enquanto, as malas voltaram para o canto, as trouxas continuam fechadas e os olhos permanecem atentos. Ninguém quer ser o primeiro a atravessar uma cerca que pode se transformar em armadilha. No Pará, pelo menos por agora, alguns preferem observar os acontecimentos de longe, esperando para descobrir de que lado sopra o vento antes de dar o próximo passo. Afinal, na política, há quem tenha convicções; outros têm apenas malas prontas.