HABILIDADE NO GOVERNO

Não custa relembrar a história e trazer seus exemplos para os dias atuais. Nem sempre aqueles que lideram uma revolução, participam decisivamente de uma mudança política ou ajudam a conquistar uma eleição são, necessariamente, os mais preparados para conduzir os destinos de uma nação. A Revolução Francesa é um exemplo histórico que merece reflexão. Homens que estiveram na linha de frente da transformação, que ajudaram a derrubar uma ordem estabelecida, acabaram, mais tarde, vítimas do próprio processo que ajudaram a construir. Muitos foram condenados pelos tribunais revolucionários e terminaram na guilhotina. A história mostra que conquistar o poder é uma coisa; saber exercê-lo é outra completamente diferente. Derrubar estruturas, mobilizar multidões e vencer batalhas políticas exige determinadas habilidades. Governar, por sua vez, exige equilíbrio, responsabilidade, capacidade de diálogo, visão de futuro e compromisso com o interesse coletivo. Essa lição continua atual. Apoiar uma candidatura, participar de uma campanha ou ser protagonista de uma vitória eleitoral não significa ter garantido lugar ou autoridade permanente no governo. A gratidão política não pode se sobrepor à capacidade de governar. Afinal, uma eleição pode ser vencida por muitos, mas a responsabilidade de governar exige muito mais do que ter ajudado a chegar ao poder. E a história, quando esquecida, costuma cobrar novamente o preço de suas lições.

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