QUANDO A NOVIDADE VIRA MESMICE

A grande vantagem da democracia é permitir que o povo troque seus governantes pelo voto. É a oportunidade de renovar esperanças, mudar os rumos e, quem sabe, corrigir os erros do passado. O problema é que nem sempre a mudança de governo significa mudança de verdade. Às vezes, mudam-se os nomes, os discursos, as fotografias nas paredes e até os slogans de campanha. Mas, quando se abrem as gavetas do poder, lá estão os velhos costumes, os mesmos vícios e as conhecidas práticas de sempre. Os novos ocupantes parecem chegar com a disposição de inaugurar uma era, mas logo descobrem que a tradição da mesmice é muito mais forte do que qualquer promessa de renovação. É quase uma mágica política: troca-se o governo, mas o governo continua o mesmo. Os personagens mudam de cadeira, os discursos ganham nova embalagem e os problemas permanecem confortavelmente instalados. No fim das contas, a democracia nos oferece a possibilidade de mudar. Só não garante que os escolhidos tenham a intenção de fazê-lo. E assim seguimos, comemorando a novidade de cada eleição, enquanto a velha mesmice, essa sim, nunca perde o mandato.

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