Infelizmente, quase tudo neste mundo parece obedecer a uma matemática simples e implacável: cresce na mesma medida do dinheiro. O respeito, a pressa no atendimento, o sorriso que antes era espontâneo — tudo ganha intensidade conforme o peso da carteira. É como se o valor das coisas tivesse desaprendido a existir por conta própria e precisasse, o tempo todo, de um preço que a justificasse. Aos poucos, a gente vai percebendo que até o tempo muda de comportamento. Para quem tem mais, ele se abre em possibilidades; para quem tem menos, se aperta em urgências. E assim seguimos, tentando encontrar brechas onde a vida ainda não tenha sido totalmente convertida em cifra — pequenos gestos, encontros sinceros, silêncios que não cobram nada. Porque, no fundo, o que mais assusta não é essa lógica existir. É a gente começar a aceitá-la como se fosse natural.