FANTASIA DE VERÃO

Dizem que alguém resolve, sozinho, disputar uma candidatura majoritária. Como se fosse um gesto de vontade pura, quase um impulso íntimo, desses que nascem no silêncio de uma madrugada qualquer. É bonito de imaginar — mas raro de acontecer. Na prática, não existe esse voo solo. Uma candidatura desse porte não se sustenta apenas no desejo de quem a encabeça. Ela precisa de lastro, de tempo de televisão, de estrutura, de gente que carregue bandeira, articule nos bastidores e, sobretudo, de partidos que deem corpo ao projeto. E poucos partidos ao redor significam pouco fôlego, pouca capilaridade, pouco eco. É como querer puxar um barco grande com corda curta: até sai do lugar, mas não vai longe. No fim, a tal “vontade própria” sempre vem acompanhada — às vezes de forma visível, às vezes nem tanto. Porque, em política, ninguém chega sozinho. E, quando parece que chegou, é só porque os apoios estão fora do enquadramento.

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