A política partidária, além dos discursos, dos programas e das disputas eleitorais, construiu ao longo do tempo um vocabulário próprio, repleto de metáforas que traduzem, com certo humor e muito realismo, os bastidores das campanhas. Entre essas expressões, duas chamam a atenção pela força de suas imagens: “pegar em alça de caixão” e “fechar a tampa de caixão”. A primeira costuma ser reservada àqueles que decidem embarcar em candidaturas já consideradas inviáveis. É o militante, o apoiador ou o aliado que, por lealdade, convicção ou simples cálculo equivocado, assume publicamente a defesa de um projeto político sem perspectivas concretas de vitória. No imaginário partidário, estaria ajudando a carregar um caixão cujo destino já parece conhecido. Já “fechar a tampa de caixão” representa um estágio ainda mais avançado da derrota. É quando determinado fato, declaração, aliança mal construída ou erro estratégico surge como a confirmação de um fracasso anunciado. Se antes ainda havia quem acreditasse numa recuperação improvável, o gesto simbólico de fechar a tampa sela aquilo que muitos já enxergavam como inevitável. Curiosamente, essas expressões revelam mais do que simples avaliações eleitorais. Elas mostram como a política é também um território de percepções, narrativas e prognósticos. Muitas vezes, candidatos tratados como “caixões políticos” surpreendem adversários e vencem eleições. Em outras ocasiões, campanhas apontadas como favoritas acabam encontrando seu próprio “fechamento de tampa” diante de acontecimentos inesperados. A história eleitoral está repleta desses exemplos. Afinal, a política possui uma característica que desafia previsões: ela raramente aceita sentenças definitivas. Quem hoje parece derrotado pode ressurgir fortalecido amanhã. E quem se considera vitorioso antes da hora pode descobrir que o eleitorado tem planos diferentes. Por isso, entre os que carregam o caixão e os que se apressam em fechar sua tampa, existe sempre um elemento capaz de contrariar todas as apostas: a vontade popular, soberana e imprevisível, que costuma ter a última palavra.